Catarina

Catarina tem muitos medos, devido a essas fobias ela vai ao psiquiatra toda quinta.
Ela tem receio que os dias passem em branco, assim,  frequentemente passa a noite planejando rotinas. Ela também sente medo do que pensam dela, conhecidos e desconhecidos, por isso está sempre sozinha. E ainda não vai ao cinema, ela teme um possível ataque terrorista. Além de sentir  medo de piscina, embora não tenha talassofobia.

Ela não gosta de elevadores, são quadrados, pequenos e apertados, lugares extremamente fechados a deixam apavorada. Catarina tem medo do agora,  tem uma reação um tanto quando esquizofrênica quando a sua  hora de agir, de falar, ou de sentir está se aproximando, daí,  ela sente um estranho prazer quando coisas importantes são canceladas, mesmo que isso signifique que algo deu errado. Ela sente medo do passado, do presente e do futuro, por isso tem tudo planejado e escrito em uma cadernetinha de folha reciclável, mas tantas coisas escritas a atordoam, isso  faz com que ela tente fazer tudo de uma só vez, então, ela não conclui nada.

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O último inverno dele

 

A neblina cobre tudo, é tão espessa que acho que posso senti-la, enquanto isso, os seus olhos se dissolvem no tempo, e quase não consigo me lembrar deles.
Parece que foi ontem, como sempre, o tempo passa rápido demais…

O verde musgo cobre tudo, não é possível diferenciar as árvores que nasceram, talvez, onde seus pés já pisaram.

Felizes, por estarem onde queriam, em meio aquela natureza de tons mortos, e perdida entre pedrinhas brancas e quartzo negro.
E ali se desfizeram ou desfazem, onde nasceram e se moldaram, perdidos e agonizados, cheios de medos e ódios ocultos.

Seu ser tão seu, que não se espalhava, como grãos de areia, agora se foi com o vento. Continue lendo “O último inverno dele”

James

 

James manca um pouco, mas o seu coração está inteiro. Costurado, porém com todas as partes em seu devido lugar.

Sozinho ele caminha pela calçada, lançando os braços para frente e para trás, e olha para o céu  com seus olhos estranhamente brilhantes.

O brilho de seus olhos se encontram com o céu, seus olhos viram estrelas, e James vira céu…

Sozinho ele chega em casa e joga as chaves do carro no sofá, logo chega e logo vai lavar o seu uniforme amarelo.

Toma banho e se estira no sofá para assistir o jornal. E o mundo gira. Lá fora a vida acontece, e lá dentro, James vive (ou sobrevive) a monotonia de cada dia de sua vida. Por minutos seus olhos  se desconcentram  da notícia e ele olha o calendário.

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A bela adormecida

 

O mundo está desabando e você está estática, esperando para ver até onde esta terra te soterra.
É você quem está afiando a faca que será cravada em seu peito.Você aceita o copo de suco envenenado para não fazer desfeita.  Você cede lágrimas, cede ombro, doa sangue e entrega a sua vida. Depois de tudo você  ouve que não fez o bastante, depois de tudo você acha que não fez o bastante… e chora.

Te julgam sem conhecer a sua natureza, e tudo que você  faz é tentar ser melhor, é se culpar por não ter sido boa o suficiente. Você sabe, a culpa não é sua, mas vai assumir só dessa vez para não sentir ódio de novo.
E mais uma vez, irá sair ao mundo para dar um passo em falso e ouvir: “Como você é rude”.
Vai se condenar, se envenenar com esses remédios, vai comprar brigas e dores, acumular dores, vai ser queimada em praça pública por sair por aí “dando uma de boazinha”. Continue lendo “A bela adormecida”

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