O tempo não passou aqui.

´´…Não sei, comigo vai tudo azul
Contigo vai tudo em paz…“

 

Aquela canção à Gal Costa

fazendo lembrar de você.

A gente se ama e se  gosta.

A gente que é cego e nem vê.

 

A vida, e a gente, é tão breve.

Pensei em te amar muito mais,

deixar que esse sonho nos leve.

Amor, o meu julho é lilás

 

Lembrei  do sorriso que tive,

olhando o colar que te dei.

Em poesia e amor se cultive

 

a flor, meu azul, hoje eu sei.

Baby, esse amor que inclusive

os versos mais simples te dei.

 

The last letter

 

Olá.

Não foi fácil voltar a lhe escrever, então peço que apenas leia essa carta quando de fato estiver com tempo disponível para ela. Mas… caso tenha concluído que as minhas palavras não possuem mais relevância, por favor, não perca seu tempo! Lance tudo ao fogo, na primeira chance que vier.
De qualquer modo, precisarei desabafar sobre algumas coisas e deixar atestado o máximo de sinceridade que ainda resta na minha memória. Não importa se os frutos disso terminarão na sua mente ou no calor das chamas. Atualmente, vejo pouca diferença.

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Permita

“Tempo por favor leva a minha dor, deixa o meu amor… ”

E como já diz essa música, tudo que queremos é que o tempo leve a dor, que ela suma o mais o rápido possível e na manhã seguinte tudo esteja lindo, mas por que não se permitir sentir?
Deixe doer, não vai matar, sinta a solidão, a fragilidade que vai parecer que você irá quebrar, mas acredite em mim, você vai permanecer inteiro e mais forte. Mas leitor, não estou dizendo pra você entrar em depressão no quarto, só vendo filme e comendo chocolate, (mesmo que a parte do chocolate seja tentadora) eu quero que você se permita sentir.
Sentir, uma palavra tão pequena com um significado tão grande, é difícil se permitir sentir quando tudo o que você quer é que a dor passe o mais rápido possível e que ao acordar, toda lembrança ruim seja apenas sombra. Eu já quis isso, que tudo fosse lembrança, como um sonho ruim. Entretanto, aprendi que sonho ruim não ensina, não faz sentir e doer, não trás mudanças.
E como continua a própria música,  “que tudo siga em paz”, siga sempre com a paz, sabendo que já se permitiu sentir, já chorou, gritou desabou e principalmente mudou, e depois de tudo isso, você seguiu e foi a melhor coisa a se fazer.

Codinome: Duda

Peço perdão aos pais, professores, livros de autoajuda e aos amigos conselheiros de forma geral, pois, infelizmente, apesar das lindas, confortantes e inteligentes palavras e suas teorias, existem lições da vida que são absorvidas apenas na prática. Às vezes de maneira doce, as vezes salgada. Nesse caso em especial, tive que sentir na pele o que nenhum grau de temperança foi capaz de deter: aprendi, pelo método mais doloroso, que a saudade é um sentimento que por si só já machuca. Contudo costuma doer ainda mais quando se sente a falta daqueles que amamos… aliás, depois de certas experiências vividas, conclui que só existem estilhaços de saudade – no sentido cru da coisa – nos corações em que, outrora, predominou o amor.

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Bela anátema

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Você é jovem e, na atual situação, não há outro fator de maior influência além da idade no seu método pessoal de analisar o mundo. Você conhece a dor, a perda, a violência, mentira, ódio, deslealdade e traição. Trabalha maneiras de bloquear os canais – naturalmente já inclusos dentro de si – que transmitem exatamente as mesmas energias listadas acima.

Existem dias em que você apanha, existem dias que bate. E há outros em que você simplesmente perdoa. Seja por cansaço, seja por maturidade. Na verdade, você pouco sabe a diferença entre os dois casos. Tão somente perdoa! As pessoas, a vida, a sociedade e tudo pelo tudo do jeito que é e tende ficar.

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