Carnevale

Droga!

Maldito tempo de festa

Tórridos dias de ódio

Ferventes noites de prazer

Composição dos quatro episódios

Dessa série que não tem você

Poxa!

Por que me deixou aqui sozinho?

Não danço, não canto e nem vibro

A letra do meu samba só leva saudade

Solitário, sem ritmo e perdido

Só vejo desvantagens nessa tal liberdade

Então!

Já aprendi a pensar na segurança

O Rio tá chato, sem confiança

Elejo uma cama e sua companhia

Te quero de volta, morena

Que se dane blocos

pessoas

folia

I Guess That’s Why They Call It The Blues

As flechas surgem nos momentos de fragilidade. As dores aparecem mediante ao temor. Os golpes atestam a traição, o desespero conclui a infelicidade. Nem as trevas noturnas são tão deprimentes quanto os dias mais cinzas. A solidão da noite não é nada quando comparada ao conjunto de horas esperando uma solução, aguardando pelo pior, encarando problemas cada vez mais inimagináveis, intensos, infinitos.

Minhas antigas carcaças se acumulam no quarto. São os rascunhos de cada um dos fracassos, comprovantes de décadas tentando, mudando, recomeçando, se adaptando, se ajustando. Lendo a bula do remédio, ouvindo a fala do psicólogo, fazendo a simpatia da semana, devorando as propagandas do rádio. Uma pena que nada adiantou, nada nunca adianta. Meu corte de cabelo é novo, mas os dias continuam cinzas.

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Pra cá das memórias, pra lá de você

Hoje eu voltei a sonhar com você e, pela primeira vez, ficamos juntos. Foi complicado, não nego; até nos confins do meu subconsciente, você é difícil de se conquistar. Mas eu consegui, depois de muito papear e muito demonstrar que valia a pena. Quando ganhei seu primeiro beijo, tive uma sensação única. Sensação da qual, muita das vezes, nem a realidade me proporcionou. Sensação de entrar em uma nave alienígena e não ter ideia da tecnologia disponível ao redor. Entretanto ao ligar um ou dois cabos aleatórios, surpreende-se ao ver tudo acendendo, tudo funcionando, tudo girando e passando a emitir mensagens, certezas, alertas e cores. O seu beijo foi uma ligação direta na programação original do meu destino. De repente tudo ao meu redor passou a fazer sentido, desde as coisas mais tolas, até as mais significativas. Senti que pela primeira vez em muitos anos, estava de fato vivendo a minha vida. Sentia-me completo, por ter você ao lado.

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Veraneio Malogro

 

Cá estou! Tristonho, suponho.

Convicto das dores que colecionei com o tempo,

Desfalcado encaro, um cotidiano sem sabor,

Pois sem você, é claro, tudo que tenho é efêmero.

Cá estou! Tristonho, suponho.

Observando as rosas dançando na chuva,

Com as mãos calejadas desfaço as lágrimas,

Molhadas memórias, amargas entre as unhas.

Cá estou! Tristonho, suponho.

Condenado ao castanho dos seus olhos apáticos.

Reflexos que espelham meus medos e devaneios,

Emendas de dias, decepções em retalhos.

E cá estou! Tristonho, pressuponho.

Na insólita ilusão de vê-la retornar,

Padeço largado em débito com os medos,

Vitimado pelo funesto erro, de um dia lhe amar.

O depoimento de um ex ególatra

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“Me partiram em dois, e procuro agora o que é minha metade” – Sete cidades : Legião Urbana 

 

Eu achei que meu amor era perfeito. Não por hipérbole, não por arrogância,  mas por não dar conta do que estava andando no meu peito. “Isso é grande demais pra ser meu“, achava. Afinal, nunca alimentei expectativas e nem mesmo trabalhei com sentimentos. Mesmo assim, o amor surgiu! Lindo, impactante e de lugar nenhum. Deu-me forças nos momentos imprevisíveis e necessários, não tive escolha a não ser me render e endeusa-lo.

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