O orgulho de ser um ninguém [+18]

Quando a música terminou de tocar, olhei ao redor e não vi mais nenhum dos rapazes que vieram comigo. Provavelmente já estavam bêbados demais para lembrarem de mim, ou se deram bem e estão beijando alguém em algum canto do terraço. Pela vidraça notei que, lá fora, o sol já estava pra nascer. As nuvens tomavam uma cor próxima ao púrpura e eu não via mais a lua. Então sai do meio da baderna e andei até a varanda. A música rolava ali também, com direito a balcão de drinks e pessoas se pegando na piscina. Piscina? Caralho, era muita vontade. Deveria estar fazendo pelo menos 2°; um frio de lascar. Aproximei-me do canto mais solitário que achei. Debrucei-me sobre o muro de vidro e acendi um cigarro. Dei um trago bem demorado e depois contemplei a cidade toda lá em baixo. Era prédio que não acabava mais. Por mil demônios, eu deveria estar no trigésimo andar a julgar pelo tamanho dos carros nas avenidas. Ou será que é só a bebida falando mais alto? Ah. Quem se importa? A noite paulistana é maravilhosa. De dia até pode ser depressivo, por vezes infernal. Mas a noite? Puta merda. A noite era a melhor do Brasil! E foda-se quem pensa diferente de mim, não acham que dói para um carioca assumir isso?

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Mancebo

Eu juro que perderei alguns dias buscando entender como a calcinha dela foi parar no ventilador de teto. Ou como minha bermuda jeans terminou rasgada. Ou como chegamos até a minha cama se eu perdi as chaves fazendo uma dancinha ridícula na chuva. Bem, ainda não consigo processar as melhores partes. Acordei sem uma parcela da minha memória, mas com um belo sorriso no rosto. No universo masculino, isso já diz tudo. Preciso ajustar a coluna, porém ela está cochilando sobre a minha barriga. Aprecio com todo carinho do mundo; jamais acordaria um anjo desses. Permaneço como estou por horas, assisto o clarear do dia transpassar a janela, estalo o pescoço, coço os olhos. Tem uma marca de batom no meu calcanhar, meu peito está arranhado e meu bafo cheira a hidratante de pele. Estou confuso, estou feliz. Uma lástima, um paraíso.

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Orgasmos.zip

Um estudo recente mostrou que a atual geração de jovens é a que menos faz sexo desde 1920. Se por alguns minutos esquecermos de todas as opiniões populares e do senso comum que cercam este assunto, a inegável evidência primária mora no fato do quão contraditório parece tal resultado. E digo contraditório pois, todos sabemos, que tanto a geração “7×1”, quanto a “Malhação” são bombardeadas dias e noites pela fofoca de pessoas que acreditam fielmente no contrário, ou seja; que a galerinha de hoje em dia está mesmo disposta a largar a Internet pra fazer filhos por aí.

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Love of sages

 

 

Ela está completamente descabelada! Porém nunca esteve tão feliz. Sentada na cama, tenta prender o tão complicado gancho do sutiã. Do outro lado do quarto, de pé e renovado, ele observa a garota que tanto ama, enquanto gira a colher com açúcar na xícara quente de chá;

Quer uma ajudinha ai cara? – Disse quando percebeu que ela falhara na terceira tentativa.

Não… E cale a boca! – Ela retruca em dois tempos. Ele gostou. Na verdade, o coração dele sempre bate mais forte quando é sovado por essas falsas reações de independência.

Tudo bem então, meu amor. Mas quero te pedir uma coisa. – Ele olhava fixamente para o rosto dela, através do reflexo da TV.

O quê? – Respondeu, mas ele não realizou o pedido. Segundos depois, tentou novamente: “O que você quer?”. E ganhou um sorriso mudo.

Ele então se aproximou da cama, sentou-se por trás dela e tratou de prender o tão abusado sutiã. Ela sentiu o cheiro do chá, sabia que ele detestava chás, todavia não ousou questionar.

Tome. Preparei para ti – Disse, oferecendo a xícara a ela.

Obrigada… Duas vezes! Já imaginava que seria pra mim. Mas… me diga! O que você quer?

É simples, não vá embora agora, amor. Passe o dia comigo.

Não posso, você sabe que tenho aula. Eu preciso estudar… – Mentira! A aula era o de menos, ela pretendia ser convencida de que valeria a pena ficar ali e, talvez, repetir toda a dose da noite anterior. Só que o rapaz era bom na arte do convencimento e tudo então, aconteceu;

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“Cá” entre “nós”

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Dizem as más línguas que um homem consegue ficar completamente excitado em míseros quinze segundos. Basta um contato visual, uma palavra, um cheiro, ou até umas “balançadas” extras depois de urinar, que a coisa toda sobe numa explosão, como na decolagem da Apollo 13. As mulheres por outro lado não são tão assim, digamos… simplistas! Pra coisa acontecer, é necessário que se coloque um pouco mais de “lenha” na situação. Por anos questionei o motivo pelo qual Deus fez as coisas dessa forma – enquanto o processo feminino é tão lento e delicado, como cortar árvores com machados, os machos, por outro lado, possuem um disparador de mísseis entre as pernas, capaz de lavar a floresta amazônica inteira.

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Louco por você

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Todo homem precisa de uma mulher pra ficar louco. Isso porque a realidade é séria e totalmente sã. A sanidade, quando em excesso, passa a ser chata. Pois desde sempre criamos perfis de seriedade: na escola, no trabalho, na igreja, na cantada, em respeito aos pais, aos vizinhos, aos parentes e até quando damos informações na rua. Uma dose de loucura não mata ninguém, assim como um pouco de pimenta não acaba com o prazer de saborear um acarajé.
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Entre calças e cachaças

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Há prazeres que vivificam dias monótonos. Dias dos quais o sol se esconde e até o céu deseja dormir:

O prazer de estar na cama e aguçar os sentidos na tentativa de sentir a chuva caindo lá fora, carregando todos os segundos em gotas, como se Mundo estivesse sendo lavado dos próprios pecados.
O prazer de – ainda na mesma cama – poder olhar para a sacada e ouvi-la reclamar da semana que está pra nascer, comendo seu bombom favorito, enquanto perambula nua pela casa, de cômodo em cômodo, atrás do livro de espanhol da faculdade.
O prazer de observar sua pele no tom do cinza pardo, apaixonada, sorridente, manchada pelo nuance nublado, que pelo preto no branco, deixa um pouco a mais de desejo exalando; Uma mordida no doce para tudo aquilo que planeja, um salto de volta a cama, para aquilo que se anseia.

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