Let it be

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Disse certa vez Chico Buarque: “Nunca somos, sempre estamos“. Se a afirmação dele for mesmo verdadeira, então mais “estamos” do que “somos” no decorrer de todas as fases da vida. Isso deveria surgir como um selo de validade fiscal para quem se define como solitário. Pena que a solidão se divide em camadas, a mais fraca delas está próxima a tristeza, já a mais forte anda de mãos dadas com a depressão. A tristeza é um estado sentimental em sua definição etimológica, foi dessa camada mais fraca que Buarque preencheu as vestes. E como já disse; a mais forte, porém, está ligada a depressão. Ou seja: algo que se vive, se sente, não sendo apenas uma tempestade passageira. Não apenas algo que possa ser mudado com algumas risadas, balões de festas e purpurinas. A depressão não é morta com o excesso de afazeres, se isso fosse possível, psicólogos recomendariam faxinas e lavagens de louça aos seus pacientes, ao invés de tarjas e mais tarjas pretas.

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