Meio aliterado

Hoje sinto seus lábios.

Cismados, selados,

Alados, enrolados,

Adoçados e nivelados.

De tal modo,

Estatelados, acuados,

Avermelhados, titilados,

Encabulados e aveludados.

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espaço

Os sentimentos intensos
que diariamente perpassam meu corpo
a mente insone
em cores fortes
vibrantes
rápidas
destemidas.
Elas vem e vão sem medo
percorrem um trajeto já traçado
desconexa do que fui
aproximada cada vez mais do que sou
hoje.
Em todos lugares
pelas cores
vibro em companhia do vento.
O gênio forte que me dizem não saber lidar
não me amedronta
sou deveras confortante pra mim mesma.
Em um mundo caótico
vivo meu espaço
não quero me conectar ao que é raso.

Sertão

Você não nasceu pra ser minha assim como não nasci pra ser seu, todavia carregamos uma característica comum: o vazio da alma. Uma sede inconstante que nenhuma alegria sacia, um inconsciente desidratado que se arrasta dia e noite pelo deserto. Sem satisfação, sem remédio, sem descanso. Preenchemos nossos vazios habitando as areias um do outro ocasionalmente. Um fim de semana ali, um feriado acolá. Você é o meu oásis das noites mais difíceis e também uma miragem que se desmonta ao longe, logo que vou embora, carregada pelas tempestades cotidianas.

 

Carrego esse vazio desde garoto, essa alma infrutífera, essa falta de sabe-se lá Deus do quê. Na época sonhava com um tempo de reflorestamento, que no futuro alguém chegaria para semear e trazer a flora necessária. Vidas, alegrias, músicas, cheiros, minúcias… saciação constante. Esse tempo nunca chegou e de tanto procurar, acabei desistindo dele. Até que certa feita, numa tarde qualquer, enquanto exprimia minha desmotivação diária, eu te vi passar. Vi nos seus olhos a mesma decepção natural que carrego desde o berço. E após alguns dias dividindo o café e noites compartilhando vinhos, decidimos que, dali por diante, encontraríamos alento um no outro de quando em quando. Nada como um pouco de tesão para andar mais rápido pela dimensão do sofrimento.

 

Porém eu não carreguei as sementes necessárias para fazer brotar a felicidade no seu coração, você também não possui as minhas. No máximo somos como cactos esporádicos que socorrem um ao outro; pontos verdes que aparecem no meio do nada para assegurar mais alguns dias de vida. Sou seu bom gole d’água e você é o meu. Pra quem já possui o costume de se ferir entre os espinhos, somos iguarias indispensáveis! Semanalmente nos fartamos, à vista disso, partimos.

 

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Desproporcionalmente idênticos

Afinal… Quem é ela? Há tempos a venero.

Ela que sempre deixou claro sua preferência pela paz, mesmo com tanto talento para guiar as guerras. Ela que encanta quando age naturalmente e conquista quando conquistar for seu intento. Mulher de beijos doces e lábios amargos. Palavras lindas e coração pesado.

Ela é fechada, por ser muito aberta. É falsa, por ser sincera. É fria, por brincar de ser quente. Ela desfila, publica, compartilha e viaja… Do futuro namorado ao novo vestido – Todos conhecem sua popularidade.

Pobres tietes, mal sabem… É tudo uma grande ilusão! Tudo miragem!

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Diário de bordo #1

A série: “Diário de bordo“, será uma coleção de rascunhos pessoais que trabalham a angústia.

Dizem que as fagulhas sentimentais são como espinhos que invadem a memória sem pedir permissão. Cacos com barulho de vidro e tão fortes quanto diamantes, que desmoronam a psique enquanto houver por ela qualquer resquício de um doloroso combustível chamado: saudade.

As maiores histórias de vida existentes mundo não são de pessoas ricas ou pobres, são das pessoas que possuem ou possuíam almas gloriosas e espíritos gigantes, independentemente das classes sociais. Gente que sempre deu a cara a tapa, que não se importa em se queimar no sol, se molhar na chuva ou receber uma resposta negativa nos momentos onde foram depositados todas as expectativas possíveis.

Pessoas desse nível deixam muitas marcas, mas também carregam as suas. Marcas que cortam o presente e ficam desenhadas no passado. “Superar” é ter sempre um curativo por trás de cada história/atitude/compromisso e relacionamento vivido.

Num de seus rabiscos mais famosos, Quintana disse que “a saudade é o que faz as coisas pararem no tempo“. É irônico o fato de que as pessoas que possuem mais histórias pra contar, são também as que mais continuam travadas num contexto atemporal. Na linha tênue entre os carnavais e atribulações da vida, assistindo as coisas “parando no tempo“; como espinhos flutuando no ar.

A conclusão é de que a saudade vigente não domina corações. Ela só está ao lado, o tempo todo, aguardando… são memórias pausadas no momento em que se optou pelo “adeus“. As fagulhas sentimentais não invadem a cabeça sem pedir permissão, a velha verdade é que, inconscientemente, pegamos o controle e damos um “play” – libertando da pausa as histórias desenhadas em fragmentos de navalhas que invadem o ser, revirando tudo aquilo que teoricamente já se foi.

A responsabilidade por sentir (saudade) sempre foi pessoal. Tão grande quanto a de construir (saudade). E de todas as verdades afiadas e congeladas no tempo, essa certamente é aquela da qual qualquer um, tendo um espírito nobre ou não, faria de tudo pra esquecer…

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