2049

Na primeira vez que a encontrei não pude ver seu rosto. Uma bolha de sabão entrou nos meus olhos no exato momento em que eles se preparavam para capta-la. As crianças fazem bolhas de sabão na praça, é gostoso… as bolhas combinam com o clima ensolarado e com as músicas matinais de domingo. Ao recuperar a visão, assisti quando as amigas a levantaram e jogaram no chafariz. Ela parecia não se importar… O vestido branco deixava escapar a cor de sua calcinha, porém ela não estava nem ai! Chegara a carta de aprovação na universidade. Não era preciso ser muito esperto pra perceber que aquela notícia entraria no hall de conquistas da sua vida, não era preciso ser muito esperto pra perceber que eu já estava apaixonado. Vi seu lindo sorriso, combinava com as bochechas rosadas. Jamais me esqueceria daquele rosto, daquelas sardas, ou daquele cabelo molhado. Graças a bolha, minha vista estava vermelha e pulsava. Mas não tanto quanto meu coração.

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CineLove

O que será que você achou de mim?

Eu sei que a resposta está aí, em algum lugar, no intervalo entre o sorriso e a próxima pipoca.

Não imagina o quão tolo fui, nos anos que perdi pagando de sábio. Repetição dos mesmos erros; “admirável novo choro”. Bancando o certo enquanto estava todo errado, fingindo evolução mesmo nadando ao contrário.

Peço perdão pelo tempo em que estavas aqui e eu não “vi” você. Reflexões fazem um homem cair na real e a minha realidade anda pulsando num coração pesado. Coração que demorou, mas se tocou, tardiamente, que o seu status é grande demais pra se manter na amizade.

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Charlie tinha razão

Tão certo quanto a falha,

Quanto a amarga falha da previsão do tempo.

Tão fracassadas foram as palavras dela,

Compactadas num término, sem razão ou sentimentos.

 

Mas eu conheço a semente que planto,

E no coração dela irei semear;

Charlie Brown estava certo!

Um dia ela vai voltar.

 

Tão certo que por vezes, belo.

De um verde musgo tal como o mar,

Oceano de pupilas cansadas da disritmia,

Amadas, perfumadas, amarguradas… andas sozinha.

 

Mas eu conheço a semente que plano, mano

E ela sabe o lugar na qual deve pousar,

Charlie, Charlie estava certo!

Um dia ela vai voltar.

 

Tão certo que desatento esqueço,

Lembro do nosso fim, cansou-se de mim; ó desatento!

Perdido no implexo dos perfumes-bilhetes,

Ficamos na dívida de um beijo a mais, um abraço a menos.

 

Mas eu conheço a semente que planto,

Não havia razão para me abandonar,

Charlie, o mestre, cantarolava mais do que certo;

Um dia ela há de voltar.

___

 

Ela vai voltar“, é a sexta música do álbum: “Imunidade musical”, da banda Charlie Brown Jr.

The last letter

 

Olá.

Não foi fácil voltar a lhe escrever, então peço que apenas leia essa carta quando de fato estiver com tempo disponível para ela. Mas… caso tenha concluído que as minhas palavras não possuem mais relevância, por favor, não perca seu tempo! Lance tudo ao fogo, na primeira chance que vier.
De qualquer modo, precisarei desabafar sobre algumas coisas e deixar atestado o máximo de sinceridade que ainda resta na minha memória. Não importa se os frutos disso terminarão na sua mente ou no calor das chamas. Atualmente, vejo pouca diferença.

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Dia dos namorados

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Esqueça as desculpas pessimistas de que tudo isso não passa de uma data comercial. Comerciais podem ser feitos com qualquer coisa, até com simples aniversários. Dê três informações sobre sua vida, uma bela quantia em dinheiro e uma revista de horóscopos ao dono da casa de telemensagens e lhe garanto que haverá um mega comercial sobre você no portão, mesmo que jamais mereças tanto.

Por mais que a infelicidade esteja na moda atualmente, junto a todas as brincadeiras que se fazem na internet com a solidão e a melancolia, não existe vontade nem orgulho de se estar solteiro que dê dentro com o poder do amor.

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