28 de julho

Querida Ellie,

São 23:35 de um sábado tedioso de uma vida monótona. A chuva cessou depois do longo e belo temporal. Há de se discutir em uma outra carta se são belos mesmo os temporais. Há de se levar em conta que de determinado ponto de vista sejam tristes e medonhos.

Me desfiz em lágrimas esta manhã – não há motivo específico ou talvez haja, mas não me é claro. Abri a última garrafa de vinho barato que havia na dispensa. Chorei mais um bocado e caí na cama. As “ruas” andam tristonhas. As paredes estão cinzas, as pessoas estão cinzas.Percebe o quanto de cores perdemos nos últimos tempos?

Ah! o cansaço me toma. Há de haver ainda esperança que se sustente numa alma tão despedaçada quanto a minha? Há de haver ainda?

Há de se considerar que com esperanças ou não. Felizes ou não. Despedaçados ou não. A vida há de continuar. Eu, de certo modo, me deixei paralisar, mas a vida tem cobrado. Hei de desabar ainda inúmeras vezes. A sensação é de que numa dessas não levante novamente. Sabes aquela história de estar tão perto de alcançar algo, mas numca alcançar de fato – não falo da utopia. A sensação de estar tão perto de algo e de repente se desfaz e tudo volta a parecer distante. Sabes o que é sempre que se está a um passo do objetivo voltar dez passos assim de repente?! Continue lendo “28 de julho”

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Faça silêncio!

 

Um pouco de papo e as palavras que

palpitam no coração a boca escapa.

 

 

Aquela velha capa…

Aquela velha capa…

 

Esconde o sentimento,

a vela apaga.

Pois tudo jaz cá dentro

e o peito embala

o sonho e o descontento

de quem cala.

 

 

E desse emaranhado,

minha entranha,

nasce este novo verso

que te estranha.

 

Pois é!

A vida está do avesso essa semana,

mas o que fica cá comigo

me acompanha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dia frio

Querida,

        Desculpe eu ter me ausentado um pouco de nossas correspondências. Tenho andado sem ânimo e me distanciado um pouco de tudo. Aos poucos tenho voltado mais para mim – e consequentemente para os outros.

        Amanhã eu volto para casa. Estava a passar um tempo no sítio de uma amiga – por isso também de ter parado com as cartas. Acho que o período aqui foi bom para mim. Espero que a calmaria que se instaurou permaneça, e que a antiga rotina não volte a me enlouquecer.

        Faz frio aqui. Gosto do frio, gosto da chuva porque… Desculpa, me perdi nos pensamentos e agora tô aqui sentada tentando voltar ao raciocínio.

        Tive que parar a escrita ontem, pois uma dor de cabeça terrível me tomou. Adiei minha volta para a cidade. Talvez retorne amanhã ou depois, não sei ao certo. Eu meio que fugi de tudo e agora está sendo difícil retornar. Sei que tenho de voltar – tenho (?) -, mas essa ideia não me atrai. Sei também que já estou bem crescida para tá fazendo birra, porém não consigo evitar – sempre fui assim. Talvez amanhã tudo isso passe e eu nem lembre mais dessa ideia de permanecer fugitiva (risos).

        Sabe, eu sempre fui mais de escrever – por sempre ter tido dificuldades de falar e agir. Nunca soube me expressar direito, sempre faltou algo; nunca gostei muito de lidar com gente, as pessoas são complicadas demais, por isso sempre que podia evitava o contato humano – a escrita foi meio que minha salvação. Antes eu vivia querendo que tudo fosse diferente – eu queria gostar de me relacionar com as pessoas, mas sempre tive preguiça -, mas ainda bem que as coisas são como são… Nem sei porque entrei nesse assunto; acho que esse tempo aqui me fez refletir, enxergar as coisas de forma ampliada. Tenho medo de voltar e esquecer tudo que aprendi nesse tempo de solitude. Acho que só não quero ver tudo da forma engessada de antes.

        Me escreve, aguardo ansiosa por notícias.

Com amor,

M.

Onde?

Estamos quase tristes.

Quase sempre tão felizes,

 

estamos quase sempre,

quase nus,

quase sãos,

quase sadios.

 

Estamos quase vivos,

quase mortos.

Estamos quase todos tortos.

 

Quase todos satisfeitos.

Somos muitos.

Somos tantos.

 

Estamos tão seguros de si mesmos.

Estamos enganados.

Sozinhos.

Estamos quase lá.

Onde?

Voz da experiência

Se eu posso dar um conselho? Claro que sim! E aproveitem porque é gratuito! O conselho que dou é o seguinte: procure saber qual é a música favorita da pessoa que você gosta. Principalmente se for alguém que começou a se relacionar contigo há pouco tempo. O motivo? Oras, é bem simples: desconfie de todas as pessoas cujo coração gira em torno da tristeza. Ela pode estar sorrindo ao seu lado, mas no fundo possui alguma causa não superada. E o pior! É provável que ela não pretenda superar. Na maioria dos casos com indivíduos desse tipo, as canções tristes servem como uma dose de nostalgia, uma garrafa de vinho servida gelada com momentos do passado gravados na embalagem. Quem (ao contrário de seguir em frente) dá preferência a nostalgias negativas, cuidando e e alimentando um câncer sentimental, seja através de livros, filmes ou músicas, não é digno da sua confiança e possivelmente desconfia até mesmo do amor que você tem pra dá.

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