Faça silêncio!

 

Um pouco de papo e as palavras que

palpitam no coração a boca escapa.

 

 

Aquela velha capa…

Aquela velha capa…

 

Esconde o sentimento,

a vela apaga.

Pois tudo jaz cá dentro

e o peito embala

o sonho e o descontento

de quem cala.

 

 

E desse emaranhado,

minha entranha,

nasce este novo verso

que te estranha.

 

Pois é!

A vida está do avesso essa semana,

mas o que fica cá comigo

me acompanha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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desmanchar

sinto-me inspirada pelo amor que vivo
o pôr do sol em essência
as ruas excêntricas
o sol nascendo em timidez
as árvores em verde escandaloso e exuberante

tudo isso reflete a arte que há no mundo
e como a arte fica mais refinada quando me aqueço o peito com teu amor,
quando penso que existes em qualquer lugar que seja.

tudo que desejo em âmbito amoroso habita em teu peito
os sonhos que possuo flutuando pelo céu
pássaros que cantam no momento que acordo
a natureza recordando-me pelo que vivo.

exatamente a todo momento
lembro de você.
és o que me torna mais apaixonada
por mim mesma
e pelo mundo a minha volta.

prossegues sendo tudo isso
não deixando de se desmanchar em meus braços ao final do dia.

(Arte usada da Kaethe Butcher)

espaço

Os sentimentos intensos
que diariamente perpassam meu corpo
a mente insone
em cores fortes
vibrantes
rápidas
destemidas.
Elas vem e vão sem medo
percorrem um trajeto já traçado
desconexa do que fui
aproximada cada vez mais do que sou
hoje.
Em todos lugares
pelas cores
vibro em companhia do vento.
O gênio forte que me dizem não saber lidar
não me amedronta
sou deveras confortante pra mim mesma.
Em um mundo caótico
vivo meu espaço
não quero me conectar ao que é raso.

wind

Tempestades em copo d’agua
já foram meu forte
mas não mais
não mais.
Agora tenho gosto apenas pela tempestade
sem copo d’água pra me limitar.
Algo reluz
em minha mente
reluzente consideração
por aquilo tudo que sempre tive:
minha imagem no espelho.

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Pétala de julho

O asfalto se abria em plena luz de março

E dele uma brecha nascia uma flor

Da flor o perfume molhara meus olhos

São olhos de julho jurando de amor

 

Nas covinhas rasas das tuas bochechas

A gente sorria e se amava demais

Amores de lírios e flores-cerejas

As luzes de julho luziram lilás

 

 

 

 

 

 

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