Prosopopeico

As vezes olho as paredes

E parecem falar comigo

Alguma coisa surda,
Breve, opaca, indissoluta
O no timbre insuportável dos seus versos
Venho ver meu universo,
entre dedos me escorrer
E a cada gota suja da memória
Essa dor é minha história
Não é fácil de esconder
Já inerte
entre as notas frias da parede
Meu chorar, a minha sede
E essa melodia morta
Digo:
sede fortes, homens, sede!
Quem tem dor tudo suporta.
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Faça silêncio!

 

Um pouco de papo e as palavras que

palpitam no coração a boca escapa.

 

 

Aquela velha capa…

Aquela velha capa…

 

Esconde o sentimento,

a vela apaga.

Pois tudo jaz cá dentro

e o peito embala

o sonho e o descontento

de quem cala.

 

 

E desse emaranhado,

minha entranha,

nasce este novo verso

que te estranha.

 

Pois é!

A vida está do avesso essa semana,

mas o que fica cá comigo

me acompanha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

desmanchar

sinto-me inspirada pelo amor que vivo
o pôr do sol em essência
as ruas excêntricas
o sol nascendo em timidez
as árvores em verde escandaloso e exuberante

tudo isso reflete a arte que há no mundo
e como a arte fica mais refinada quando me aqueço o peito com teu amor,
quando penso que existes em qualquer lugar que seja.

tudo que desejo em âmbito amoroso habita em teu peito
os sonhos que possuo flutuando pelo céu
pássaros que cantam no momento que acordo
a natureza recordando-me pelo que vivo.

exatamente a todo momento
lembro de você.
és o que me torna mais apaixonada
por mim mesma
e pelo mundo a minha volta.

prossegues sendo tudo isso
não deixando de se desmanchar em meus braços ao final do dia.

(Arte usada da Kaethe Butcher)

espaço

Os sentimentos intensos
que diariamente perpassam meu corpo
a mente insone
em cores fortes
vibrantes
rápidas
destemidas.
Elas vem e vão sem medo
percorrem um trajeto já traçado
desconexa do que fui
aproximada cada vez mais do que sou
hoje.
Em todos lugares
pelas cores
vibro em companhia do vento.
O gênio forte que me dizem não saber lidar
não me amedronta
sou deveras confortante pra mim mesma.
Em um mundo caótico
vivo meu espaço
não quero me conectar ao que é raso.

Pétala de julho

O asfalto se abria em plena luz de março

E dele uma brecha nascia uma flor

Da flor o perfume molhara meus olhos

São olhos de julho jurando de amor

 

Nas covinhas rasas das tuas bochechas

A gente sorria e se amava demais

Amores de lírios e flores-cerejas

As luzes de julho luziram lilás

 

 

 

 

 

 

Raindrops

Num mundo de retas, traçados,
talvez os meus versos borrados
agradem tão poucos sorrisos

Amigos são poucos, Pequena
Me deste um singelo sorriso
Ao vê-lo, chamei de poema
e dei meu amor por abrigo

Tu logo fizeste morada
e fez do meu peito querido
Em mim, teu olhar tão imerso,
ao vê-lo, chamei-o de verso,
senti que tu estavas comigo

Se fez do que antes foi nada
Em nós, esse amor se fazia
Me deste tua boca rosada
Beijei e a chamei de poesia

NAVIO DE ESCRAVOS

[Paulo Henrique Sampaio]

images (3)

Vai passando em estrondos no mar

Agitadas pelo vento,

hordas levadas, iludidas e desconfiadas

querendo  as conquistas de mar adentro

 

São milhares de homens e mulheres

que esperam um salvador do povo

para tirar da miséria

e dar-lhes um mundo novo

 

O herói da revolução

que fará tudo acontecer

Enchendo das hordas o coração

do que jamais poderão ser

 

Mas como vive esse animal político

de querer ser iludido sempre outra vez

é bom que fique escrito

quão bobo o animal se fez.

 

…vai passando em som frugal no mar

A nau dos iludidos, preste a naufragar

Vai passando….

mais uma vez….

Entre os versos

 

Minha poesia é surda,
não escuta os gemidos da cidade,
e se escuta
enojada cospe.

Minha poesia não tem rima,
tão pouco promete.
Minha poesia mente,
pende a todo som que estima,
minha poesia sente,
mais que tudo sente…

e o que sente escarra,
vomita no papel, teclado,
o molha.
Minha poesia chora,
envolve cada lágrima de mim.
Num silêncio mudo, fala.
Cala toda voz.

Minha poesia não se sabe, esconde,
em algum canto escuro,
sob o céu da minha boca,
sobre tudo que jamais senti.

Minha poesia é, e mais que tudo é bela,
debruça no beiral da tua janela,
pra dizer te amo, adeus, quem sabe ou nunca mais.

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