O tempo não passou aqui.

´´…Não sei, comigo vai tudo azul
Contigo vai tudo em paz…“

 

Aquela canção à Gal Costa

fazendo lembrar de você.

A gente se ama e se  gosta.

A gente que é cego e nem vê.

 

A vida, e a gente, é tão breve.

Pensei em te amar muito mais,

deixar que esse sonho nos leve.

Amor, o meu julho é lilás

 

Lembrei  do sorriso que tive,

olhando o colar que te dei.

Em poesia e amor se cultive

 

a flor, meu azul, hoje eu sei.

Baby, esse amor que inclusive

os versos mais simples te dei.

 

Remidos pela dor

Aproximava-se das 4:40min da manhã, horário de Brasília. Júlia estava saindo de uma boate em Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro. De calçada em calçada, ela trocava passos tonteantes, enquanto discutia com o ex-namorado pelo telefone. Depois de alguns minutos, deixou sua garrafa de vodca cair no chão… Quando isso aconteceu, todos ao redor poderiam jurar com total convicção de que foi possível ouvir, até mesmo para as bandas de Oswaldo Cruz, o tamanho palavrão que ela exclamara. Depois de saltar os cacos de vidro, decidiu desligar o celular, caminhou até o ponto de ônibus e esperou a carruagem de metal que a levaria até o colchão. Local que ela pretendia não deixar pelas próximas nove horas.

Logo que o ônibus chegou, Júlia subiu, pagou, sentou e esticou o vidro da janela. O vento daquela noite fria bagunçava seu cabelo e carregava o suor trabalhado em puro álcool. Dali, ela observava as esquinas… de poste em poste, de luz em luz, até o momento em que alcançou um estado mental de reflexão. Assim aconteceu e assim ela se foi.

Já havia passado das 5hrs da manhã, horário de Brasília. Lucas estava no banheiro de um baile em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Na pia ele esfregava as mãos, passeando sabão liquido entre os dedos. O motivo? Bom… ele havia brigado durante a festa e o sangue do nariz de um desconhecido qualquer resolveu abandonar sua posição original e morar no seu anel. Depois de deixar os amigos para trás, decidiu sair do baile e caminhar sem rumo pelas ruas da cidade, entre esquinas, praças e rodovias. Quando deu por si, tinha chegado a um local que não visitara há anos: uma antiga quadra de futebol da infância. A quadra estava na parte de trás de uma escola pública abandonada. Lucas respirou fundo e jogou fora o cigarro de maconha que mal havia acendido. Passou as mãos no rosto, fixou os olhos e decidiu saltar o muro. E dessa forma fez! Não havia ninguém no lugar e estando ali, sozinho, acabou levando uma surra das próprias lembranças. Percebendo a gravidade da nostalgia presente, decidiu parar, pensar e refletir. Assim aconteceu e assim ele ficou.

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Filhos da geração Y

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Quem já foi ao zoológico assistir a rotina dos chimpanzés que, amuados e longe do habitat ideal, passam o dia matando o tédio imitando as pessoas ao redor, sabe o quão triste e delicada é a situação dos bichinhos. Papagaios também são bons nisso, mas eles perdem a paciência muito rápido. Já os macacos, enquanto receberem petiscos, continuarão copiando as “zoeiras” dos primos humanos, como forma de diversão ou agradecimento.

Agora, por um breve momento, observe a sociedade ao redor utilizando uma certa ótica paragonal ao exemplo acima e veja o quanto nos tornamos mímicos de nós mesmos; imitamos, copiamos, defendemos, exemplificamos conceitos retrógrados – damos a vida por isso. Muitas das vezes sem receber petiscos, ou qualquer outra gratificação em troca.

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In the end

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Olá…

Quer saber? No decorrer da história humana, a tarefa “esquecer” sempre foi meio inútil. Omissão do passado, afogamento das emoções e obstrução dos sentimentos são, dentre outras coisas, táticas venenosas que só pioram ainda mais a situação. Eu não recomendo, não enquanto houver opções melhores.

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Nos muros de um hospício

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Eis me aqui, solo, entre a medicação e o giz. Agora bloqueado pela emanação que alegra o dia, ausente do encanto social estabelecido, sinto uma grande interrogação e o vazio da dúvida que chega a ser denso. A vontade de chorar é grande principalmente quando se tem um coração já encharcado por uma tempestade que molhou antes… Tudo dói no peito e sem motivo, são vinte e quatro horas de momentos incolores e dores que não possuem nomes.

Não é falta de companhia, nem do que fazer, é apenas ter acordado num dia onde tudo o que se mais quer ainda não foi alcançado, é a falta de paciência pra ter que esperar esquentar e tudo ainda permanece gelado. É um dia quando já se acorda cansado. É ter que mudar um pouco de ânimo mesmo que seja para o desânimo. Um dia onde não se tem nada! Só o agora, o presente, pequeno e ínfimo, espremido entre um futuro largo e um passado cada instante mais enorme onde não se existe, só se sabe.

Não se vê a folha murchando, ela está murcha! Não se vê a ruga formando, não se vê o fio crescendo, não se vê a fração do segundo, e o tempo todo tudo acontecendo. O instante mínimo responsável pela transformação que ainda não aconteceu. E a falta de paciência em esperar… Não se é impaciente, mas se está impaciente.

Amanhã tudo voltará ao seu lugar e a crença em um dia feliz, sem a inspiração da preocupação, igualzinho como foi ontem; mas hoje o momento é dedicado à morte da crença, a falta de esperança, a angústia, a ansiedade, a insônia, a desistência do que nunca vigora por mais que se regue. E lá se foi um dia que não combinou com sorrisos nem com lágrimas. Foi apático por sua força advinda da estagnação.

E a vontade de explodir, antes arcada no mais puro sussurro, finda seu transbordar entre a linha tênue existente nas frases que começam do giz e terminam no sangue das minhas mãos, percebo agora, sem cores e (com sorte) pela ultima vez, que “viver” é tudo isso que Eu costumo esquecer.

 

 

 

 -Adaptação de um lindo pensamento que encontrei nos meus arquivos pessoais, contudo apesar de muito pesquisar, não encontrei seu autor.

A ele, todo crédito e admiração.

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