Riflessione

Minha distração tem nome; acho que ando focado demais na indiferença. Sabe? Aquele “time” entre taças e taças de vinho que acompanham todo rei vencedor após as batalhas. Aquela sensação de que tudo já está feito, que nada mais há para fazer. O perigo de uma praia chamada satisfação, onde os tubarões do tédio nadam na costa.

Estou como um clube que se esforçou, mas acabou no meio do campeonato. Sem disputar o título e sem brigar pra não cair. Esta foi a alma do meu ano, sem sombra de dúvidas. Aliás, egoísmo a parte, diria que este foi o ano de muitos. As vitórias são maravilhosas e as perdas… bem! Elas até que possuem seu valor, todavia o hiato entre uma coisa e outra é de cortar o coração. Puro sentimento de incapacidade. Um olhar triste como o de um ursinho de brinquedo, abandonado na prateleira da loja, após todas as crianças optarem por um robô de natal.

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Sieamisai

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“Seamisai” é uma expressão italiana formada por um conjunto de três palavras. Basicamente, significa: “Se você ama, você sabe“.

Existe uma mensagem, um tom interpretativo, um gesto significante por trás do seu silêncio. Eu te abraço e você retribui. Ficamos calados, observamos… os detalhes e defeitos presentes no corpo um do outro. É incrível como um momento de tamanho simbolismo e amor não precisa, necessariamente, do uso das palavras.

 

E de fato o seu silêncio diz muito sobre você; os sinais do seu corpo sempre falam mais alto. Se tentássemos realizar uma comparação, nenhuma descrição de si mesma venceria a competição de sinceridade –, da tua pele que clama por um beijo, do teu corpo que precisa de calor, tua alma que se desmonta com um cheiro, sua boca que varia de sabor.

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Let it be

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Disse certa vez Chico Buarque: “Nunca somos, sempre estamos“. Se a afirmação dele for mesmo verdadeira, então mais “estamos” do que “somos” no decorrer de todas as fases da vida. Isso deveria surgir como um selo de validade fiscal para quem se define como solitário. Pena que a solidão se divide em camadas, a mais fraca delas está próxima a tristeza, já a mais forte anda de mãos dadas com a depressão. A tristeza é um estado sentimental em sua definição etimológica, foi dessa camada mais fraca que Buarque preencheu as vestes. E como já disse; a mais forte, porém, está ligada a depressão. Ou seja: algo que se vive, se sente, não sendo apenas uma tempestade passageira. Não apenas algo que possa ser mudado com algumas risadas, balões de festas e purpurinas. A depressão não é morta com o excesso de afazeres, se isso fosse possível, psicólogos recomendariam faxinas e lavagens de louça aos seus pacientes, ao invés de tarjas e mais tarjas pretas.

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A febre do novo século

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Eu não sei vocês, mas acho que o mundo está ficando cada vez mais sem graça. Não sei se estou batendo na porta da sabedoria ou da loucura. Contudo repito: ao meu ver, todos os dias, todas as horas, todos os momentos são preenchidos pelo tal do “mais do mesmo”. 

São sempre as mesmas pessoas, as mesmas músicas, os mesmos delírios, os mesmos temas. Não há inovação, empreendedorismo, novidades de vida. Aliás, nos últimos anos, “novidades” são ideias idiotas e recicladas -, Um museu reformado merece ser chamado de novo? Não! Não que Eu saiba. Não adianta reformas externas quando o conteúdo é batido e obsoleto. Minha geração é preta e branca, não cinza, simplesmente preta e branca. Vejo “cinza” como uma constante, tipo o céu nublado nos dias em que o sol está tímido. Dessa vez é diferente: o Sol realmente não deseja comparecer.

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