Duas vezes basta

De novo e de novo
Requer repetição
Requer juntar os cacos depois de cada colisão
Mas resignificando toda a minha ideia sobre tentativas
O seu “para sempre” tinha apenas duas vidas

Plano de fuga

Planejo fugir para uma lugar escuro
E sem volta
Planejo sem pressa
E em secreto
Planejo ir para outro mundo
Deixar para trás esse mundo
E me infiltrar de penetra em novos absurdos
Planejo ir procurar amor
Na calada
Na tocaia
Tornar-me inteira
Deixando-me para trás
Previ:
Andarei em uma ponte sobre um precipício
Meu desequilíbrio me fará cair
Lá no fundo eu não sei o que será de mim

O tempo da covalescença

Eu tive que sair para trabalhar durante duas semanas com uma chuva que não parava, e então um dia eu acordei e estava um sol maravilhoso, eu senti isso mega inspirador e bonito – surpreendentemente – pois nunca amei o sol, meu verdadeiro amor sempre foi a lua. Dessa vez, porém, o sol pareceu-me amigável, oferecendo-me um estranho cavalheirismo, abriu o tempo como quem abre a porta do carro. Foi como se alguém tivesse feito o meu chá, ou me chamado para ver o arco-íris no céu. Foi como viver um cosmo depois de muito caos. Foi um dia bom, depois de vários dias ruins.

Certamente a felicidade inteira não cabe dentro da estiagem, e os dias ruins infelizmente não se resumem em chuva que não passa e muito menos têm a organização das estações do ano. Às vezes o tempo triste fica, e eu que não sei lidar nem com as coisas boas que permanecem, imaginem com as ruins: perco literalmente o controle e andando na corda bamba da vida caio dentro do precipício cheio de lesmas gigantes. Graças a Deus sou salva pelos lagartos de costas vermelhas que devoram as lesmas enquanto eu fujo desesperada pelo infinito coberto de fumaça lilás. Ao menos foi assim no sonho que sonhei dia desses…

Na vida real, porém, continuo presa na tempestade, continuo andando na corda bamba prestando mais atenção nas lemas abaixo dos meus pés, do que no infinito lilás na frente dos meus olhos.

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A lei da vida – Registro histórico

8 de junho de 2015

Eu sempre procurei uma fórmula, uma passagem mágica, ou um caminho escondido que me levasse para onde eu queria…

Com o passar do tempo eu descobri que estas opções não existiam, mas continuei insistindo, pois, esta esperança era tudo o que eu tinha.

Eu acreditei que eu poderia fazer uma ponte de pessoas e que com esta ponte eu atravessaria os mais turbulentos oceanos da minha vida, que as pessoas daquela ponte sempre me sustentariam, que seriam meu apoio e que nunca me deixariam cair. Com o tempo, porém, eu percebi que estas pessoas não existiam, que todas elas não faziam parte de mim, e que em algum dia, ou agora elas me abandonariam.

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Voz da experiência

Se eu posso dar um conselho? Claro que sim! E aproveitem porque é gratuito! O conselho que dou é o seguinte: procure saber qual é a música favorita da pessoa que você gosta. Principalmente se for alguém que começou a se relacionar contigo há pouco tempo. O motivo? Oras, é bem simples: desconfie de todas as pessoas cujo coração gira em torno da tristeza. Ela pode estar sorrindo ao seu lado, mas no fundo possui alguma causa não superada. E o pior! É provável que ela não pretenda superar. Na maioria dos casos com indivíduos desse tipo, as canções tristes servem como uma dose de nostalgia, uma garrafa de vinho servida gelada com momentos do passado gravados na embalagem. Quem (ao contrário de seguir em frente) dá preferência a nostalgias negativas, cuidando e e alimentando um câncer sentimental, seja através de livros, filmes ou músicas, não é digno da sua confiança e possivelmente desconfia até mesmo do amor que você tem pra dá.

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