Imodéstia

No latim a palavra vanitas, significa tanto vaidade quanto vazio. Ou seja, quando vivemos pela vaidade, vivemos pelo vazio. A vaidade tem cheiro, tem cor e múltiplos nomes. Está no agir, no pensar, no falar, no criar, no desenvolver. E, como escreveu certa vez o frânces Stendhai, a maior parte dos homens do mundo, por vaidade, por desconfiança, por medo da infelicidade, só se entregam ao amor de uma mulher após a intimidade. Ao meu ver, Stendhai estava certo. Esse talvez seja o motivo pelo qual algumas mulheres acreditam firmemente que podem despertar o amor de um homem apenas com suas habilidades sexuais. Existe um pouco de verdade nisso, existe um pouco de mentira. Para realizarmos a distinção, precisamos compreender dois pontos. Primeiro: “a maior parte dos homens”, não significa todos os homens. E cá entre nós a maior parte dos homens são realmente idiotas, verdade seja dita. Não por cultura, religião ou grau de conhecimento, a idiotice masculina transcende esses detalhes técnicos, ela é quase… quase um padrão genético. Poucos são os homens que ultrapassam esse padrão ou nascem sem ele. Essa minoria corresponde a parcela masculina que fica ofendida não só com as palavras de Stendhai, como também com todos os demais insultos genéricos existentes no mundo. Segundo: quando cito “algumas mulheres”, obviamente descrevo um grupo que não representa a maioria feminina, muito menos sua totalidade.  Simboliza somente uma minoria que se especializa na arte de assegurar a fidelidade masculina através das frações de orgasmos.

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Älskar

Vovó costumava dizer que o sofrimento era capaz de marcar a alma humana tanto quanto um machucado marca a pele. “Quando as pessoas são feridas, quando enfrentam uma frustração muito grande, a dor da situação é capaz de dilacerar a alma, de desanimar o espírito“, afirmava. Na época eu entendi bem a analogia, mesmo sem conhecer as figuras de linguagem. “Mas essas feridas são eternas, vovó?“, Respondi na noite em que ouvi essa definição. Ela pregou seus olhos castanhos e fatigados em mim e sorriu sem fazer barulho. “Deite-se Caroline, está na hora de dormir“. Eu deitei, ela esticou o cobertor pelo meu corpo, mas não me deu o beijo na testa como de costume. Pelo contrário, puxou uma cadeira e sentou ao lado da cama. “As feridas não são eternas“, disse. Foi interrompida por uma tosse e logo prosseguiu: “Como falei anteriormente: a tristeza mancha a alma humana tal como uma ferida na pele. As feridas, como bem sabe, também se fecham, criam cascas e finalmente secam. Tudo depende do tempo e de como você irá cuidar. Se for bem tratada a dor passará, a casca também e no fim não restará nenhuma marca. Agora, se for uma ferida muito profunda, então é provável que a cicatriz fique, mesmo depois de curada. Você carregará para sempre a memória daquela dor estampada na alma“. Eu ouvi, entendi e apenas acenei com a cabeça, ela gostou e, em seguida, me deu o beijo na testa diário. Depois se levantou, caminhou até a porta coçando as costas e apagou a luz.

Espera ai vovó! – Chamei já sentando na cama.

Sim, minha cara.

Certa vez você me disse que é capaz de enxergar essas marcas nas almas das pessoas, certo? Como a senhora faz isso? Quando vou aprender?

Ela pôs a mão na boca e segurou um bocejo, eu sabia que ela havia gostado da pergunta pelo modo que me encarou. Parecia ter previsto minha curiosidade, aliás; toda conversa que tivemos durante a noite, antes mesmo de me levar até a cama foi, ao meu ver, o cultivo de uma semente; de uma vontade que ela queria ver brotando em mim. E brotou! Eu ansiava pelo mesmo dom. Vovó voltou, puxou a cadeira novamente e sentou bem devagar. Pegou em minhas mãos, fez um leve carinho… Foi uma visão inesquecível pois a luz da lua que transpassava a janela atrás da minha cama foi refletida na esmeralda que ela carregava no pescoço. Momentos depois, ela respondeu:

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Lobisomens Juvenis

Ouço o assunto dos homens que estão na academia. Eles malham porque querem chamar atenção das mulheres. Vejo o papo dos rapazes que pretendem tocar violão, eles querem o mundo da música porque ela atrai a companhia das mulheres. Sinto os parceiros de trabalho, eles juntam uma boa grana para invadir as baladas de fim de semana, planejam conhecer garotas novas. Até a galera que estuda para passar nos concursos militares… Quase todos os que sonham em entrar na Marinha, por exemplo, escolhem o Nordeste como destino. O motivo? As nordestinas de plantão. Praticamente todas as coisas que os homens fazem na juventude são para atrair alguém do sexo oposto. Isso está no DNA masculino. O creme de barbear e os filtros do Instagram são as únicas coisas que nos diferem dos pré-históricos.

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“Cá” entre “nós”

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Dizem as más línguas que um homem consegue ficar completamente excitado em míseros quinze segundos. Basta um contato visual, uma palavra, um cheiro, ou até umas “balançadas” extras depois de urinar, que a coisa toda sobe numa explosão, como na decolagem da Apollo 13. As mulheres por outro lado não são tão assim, digamos… simplistas! Pra coisa acontecer, é necessário que se coloque um pouco mais de “lenha” na situação. Por anos questionei o motivo pelo qual Deus fez as coisas dessa forma – enquanto o processo feminino é tão lento e delicado, como cortar árvores com machados, os machos, por outro lado, possuem um disparador de mísseis entre as pernas, capaz de lavar a floresta amazônica inteira.

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Homens e chances

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A brincadeira começou logo após uma pergunta chave, numa roda de amigos. Visto que a maioria do grupo era composta por garotas, um dos rapazes lançou certa questão inocente no ar que, mal sabe ele, utilizei durante muitos anos na lapidação da minha própria personalidade. “Eae, garotas! Quais são os tipos de rapazes que mais atraem vocês? ” –Indagou, “na lata”, como dizem no bom carioquês. Depois de alguns sorrisos e desconversas (típicas de quem nunca pensou no assunto), algumas almas resolveram se manifestar, para o alívio do rapaz que provavelmente se basearia nos arquétipos listados pra transar com alguém, quem sabe na mesma noite. Dos homens no local, só não houve alívio mesmo para a minha mente calculista, visto que nada do que foi dito me agradou de imediato.

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