wind

Tempestades em copo d’agua
já foram meu forte
mas não mais
não mais.
Agora tenho gosto apenas pela tempestade
sem copo d’água pra me limitar.
Algo reluz
em minha mente
reluzente consideração
por aquilo tudo que sempre tive:
minha imagem no espelho.

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Ascético

Caras semi-amarradas

movem-se vultosamente entre esquinas.

Cada coração magoado traz a marca

e traga cada nota das buzinas.

 

Em passos pálidos ligeiros,

repreenchem cada vil espaço,

entre roupas e dinheiros,

entre a vida e o cansaço.

 

É quase tanto,

e é tanto nada.

Cada vida sem sentido.

Cada ´´oi“  é quase um grito.

Cada corpo na calçada.

 

 

Rotineiro

futurismo

Palmeiras crescem sobre as coberturas,
as coberturas moram em cima dos prédios,
os prédios cospem as pessoas de manhã,
E as pessoas?
As pessoas caem sobre o chão e dormem,
morrem,
escorrem pelos viadutos,
entopem praças e botequins,
amontoam-se sobre as calçadas,
inchadas de ódio comum,
puro,
um ódio inocente,
um ódio de gente.

A gente passa a noite toda,
morde o travesseiro,
se afoga na almofada quente,
a gente sente,
a gente sente!
A gente mente,
sangra mais uma gota transparente.
E a gente?
a gente se cala,
range os dentes
e vai trabalhar na manhã seguinte

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