Na cara a porta

São passos, calado,

dinheiro contado,

sorrisos sem jeito.

 

São coisas da vida.

A dor é sentida,

gemida no peito.

 

Enquanto escorrega,

o amor que me nega

não vale o esforço.

 

Se pensas querida

que dói tua partida,

só sinto o desgosto.

O “Nós” desfeito

Quando parti pela primeira vez você não imagina a dor que senti. Fiquei me perguntando o que faria com todos aqueles planos que havia criado para nós. Eu não sabia o que fazer com tanto volume, tudo, independente da força gravitacional existente, era pesado demais. E aqui, na gravidade do meu mundo, a sua massa pesa os meus ombros e tira o meu sono.

Nunca iria dar certo, agora entendo bem o porquê.

Todas as vezes foi eu quem foi embora, e enquanto você me ofendia e me lançava mais pesos por isso, eu me perguntava como você não enxergava o mal que me fazia.

Agora eu percebo que você via, mas egocentricamente enquadrava tudo nas leis do teu estado emocional, onde eu sempre era condenada a sua prisão que me fazia acreditar que o erro era eu e que os teus pedidos para voltar eram sinceros. Eu sofria ao te deixar mais por você do que por mim. Tola, perguntava-me se você teria lugar para guardar todo aquele “algo” que te fiz sentir, sem ao menos questionar se esse “algo” um dia existiu.

Nunca iria dar certo. Nunca!

Meu corpo pedia tempo, e eu clamava por um fim que eu não sabia concretizar. Você brincava com o espaço-tempo, e eu continuava sempre no mesmo lugar.

O meu mundo e o seu giravam antagônicos, com isso nunca nos harmonizamos, sempre nos colidimos, jogando estilhaços que se juntavam e formavam um novo planeta: “Nós”.

E esse “Nós” não foi feito para ser, e sim para acabar. E desde o início já estava bem explicito que em algum momento perdido no tempo, um meteoro nos atingiria e um novo Big Bang aconteceria, e dessa vez nos desmontaria irrevogavelmente.

Nunca iria dar certo.

E estou orgulhosa de mim por ter partido, e dessa vez não pensei em você, só em mim. Então não me espere, não me busque. Eu não vou voltar.

Coração Templário

 

Abril – 1310

Reims, França

Olá, minha querida.

Escrevo-te esta carta com o propósito de deixar manifesto tudo aquilo que suas suspeitas já sussurravam; sinto lhe dizer, mas estou indo embora.

A mudança de vida também deixa sequelas. Sei que percebestes isso. Acredito que tenha ficado evidente no vazio do meu olhar, no universo entre nossos assuntos. Quem se acostuma a uma vida corrida e dificultosa, demora um pouco a relaxar. Os primeiros dias são de desencaixes notáveis, como um peixe veloz batendo a cabeça no vidro de um jarro, ou como alguém que acabou de ficar rico, mas sofre de insônia a noite com as memórias da labuta.

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Fútil

 

 

Face, a fronte, em fato, enfático e infante

enfrento  cada  calo e, descarado, avante

quando tempo se negou a ir, eu fui

e foi-se o tempo e o vento,

e de lamento só restou o  instante

 

de face ao front, em frente

a mente se calou de espanto

e calafrios, risos, arrepios

potes de sorvete, loucos pesadelos

tolos, todos ao avesso, inverso

em cada verso um grito

em cada grito amante

em cada gesto  omito

o  meu olhar distante

 

em face e adiante

tragando  dias

devorando hipóteses

teses  e  tesão

tensão

e de destino:

Dante.

 

 

Dor de amor…

A noite demorou a passar…
Nem sei quantas vezes despertei e quantas horas depois voltei a dormir.
O certo, é que acordei em um determinado momento e olhei as horas…  Eram 4:00 (me lembro bem).
Sentia algo estranho dentro de mim, eu havia dormido com aquilo, mas agora estava mais forte, mais raivosa…
Uma terrível dor no coração.
Eu não sabia que ela existia… Todas as vezes que eu li nas poesias, nos livros e essas coisas de mais confiança, ou ouvia as pessoas dizerem sobre, pensava ser uma metáfora.
Que “dor no coração” não era algo físico, que doía a alma, mas não o coração propriamente dito.
Aquela “coisa” me doía, o físico, o espirito e a alma!
Eu pensei em chorar, mas assim quebraria a promessa que havia feito a mim mesma de não chorar por ninguém…
Me contive, embora uma lágrima rebelde tenha escorrido pelo meu rosto pálido.
A noite parecia eterna, e acreditem, depois de sentir longas horas de “dor no coração”, eu olhei no relógio e eram 4:05, sim, haviam passado apenas cinco minutos.
Levantei-me, fui beber um pouco de água… Gelada!
Para ver se passava eu tentava dormir, e queria que meu sono curasse minha dor, como o tempo cura a dos outros…
Eu pensava, e quando lembrava eu queria chorar… Mas fui forte!
Bom, eu consigo dormir não sei que horas, mas as 6:00 acordo novamente.
Espero um longo período para chegar as 7:00, para enfim o dia começar, não que isso fosse me trazer felicidade (eu estava longe de dizer “Que belo dia!”).
Mas eu me levantaria, e faria qualquer coisa para curar aquela dor de amor.
Anos depois o tempo passa, e as 6:48 apressadamente me levanto…
Chego na cozinha e penso “Esqueci que não tomo café da manhã!!!”…
Além do mais, eu ainda não calculei o tempo em que voltarei a colocar qualquer alimento na boca, talvez isso levasse anos ou até mesmo décadas…
Desesperada procuro algo para fazer…
Eu nunca havia sentido aquela dor, aquela coisa estranha que dolorosamente apertava e mastigava o meu frágil coração de carne!
Eu queria apenas que aquela dor saísse, e até pensei, como realmente fiz pedir a um pastor ajuda, para ele “dar um jeito” de tirar aquela dor de mim.
Minha adolescência inteira, eu passei ilesa de dor de amor, apaixonei-me… Mas nunca havia sentido dor tormentosa como aquela!
Ligar para minha mãe!
Mamãe de certo sabia uma coisa que tirasse dor no coração… Sei lá um exercício, uma oração…
Qualquer coisa que me livra-se daquilo!
Minha mãe, chocada, não acredita no ocorrido,  e depois de um longo tempo, eu como, uma criança boba pergunto: “Mãe como se faz para tirar a dor do coração?”…
Minha mãe, sorriu e me disse : “Ah filha… Demora, isso demora a passar!”…
Então eu não suportei mais e comecei a chorar, e não chorava mais de paixão, eu chorava de dor no coração!
A minha irmã, que ouviu minha conversa, e sorriu… Veio ao meu encontro me abraçou e me deu uma resposta mais animadora: Pelo tempo, “pelas coisas da vida”, aquela dor no coração passaria em uma semana!
Mas se uma noite durou décadas, uma semana duraria séculos – pensei.
Ela, que havia sofrido dessa síndrome a pouco tempo, me informou que o caso dela era bem mais critico que o meu, e que ela havia emagrecido de tanto chorar!
Bom, nada animador saber que eu poderia chorar tanto, que findaria as lágrimas e começaria a lagrimejar as gorduras corporais, que por sinal não tenho muita, e poderia então chorar outras coisas mais, como o meu próprio sangue…
Meu avô ensinou aos filhos que dor de amor sempre se cura em 15 dias para os casos simples e 30 dias para os mais complicados, como a dos casados.
O certo, é que aquela coisa sairia de mim em uma semana, sendo assim na próxima sexta já estaria curada e poderia ser eu novamente!
Depois eu me deitei novamente, e por um instante ri de mim mesma, sobre como eu havia sido idiota, como eu naquele momento estava agindo de forma infantil e idiota!
Depois de ri do “Mãe, como se cura dor no coração?”, a dor de amor pareceu está mais calminha, mais fininha, mais ainda doía uma dor aguda como se costurassem o meu coração.
Por isso percebi que o coração não quebra, ele rasga, e algo dentro da gente fica costurando nos fazendo senti uma dor não muito forte, pois está nos ajudando, mas como lá dentro não tem anestesia a gente sente os supostos “cirurgiões” nos “arrumando”.
Agora eu sei, que de todas as dores que tem no mundo, a dor mais chata e mais doída é aquela dor, a dor de amor…

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