Coração Templário

 

Abril – 1310

Reims, França

Olá, minha querida.

Escrevo-te esta carta com o propósito de deixar manifesto tudo aquilo que suas suspeitas já sussurravam; sinto lhe dizer, mas estou indo embora.

A mudança de vida também deixa sequelas. Sei que percebestes isso. Acredito que tenha ficado evidente no vazio do meu olhar, no universo entre nossos assuntos. Quem se acostuma a uma vida corrida e dificultosa, demora um pouco a relaxar. Os primeiros dias são de desencaixes notáveis, como um peixe veloz batendo a cabeça no vidro de um jarro, ou como alguém que acabou de ficar rico, mas sofre de insônia a noite com as memórias da labuta.

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Fútil

 

 

Face, a fronte, em fato, enfático e infante

enfrento  cada  calo e, descarado, avante

quando tempo se negou a ir, eu fui

e foi-se o tempo e o vento,

e de lamento só restou o  instante

 

de face ao front, em frente

a mente se calou de espanto

e calafrios, risos, arrepios

potes de sorvete, loucos pesadelos

tolos, todos ao avesso, inverso

em cada verso um grito

em cada grito amante

em cada gesto  omito

o  meu olhar distante

 

em face e adiante

tragando  dias

devorando hipóteses

teses  e  tesão

tensão

e de destino:

Dante.

 

 

Dor de amor…

A noite demorou a passar…
Nem sei quantas vezes despertei e quantas horas depois voltei a dormir.
O certo, é que acordei em um determinado momento e olhei as horas…  Eram 4:00 (me lembro bem).
Sentia algo estranho dentro de mim, eu havia dormido com aquilo, mas agora estava mais forte, mais raivosa…
Uma terrível dor no coração.
Eu não sabia que ela existia… Todas as vezes que eu li nas poesias, nos livros e essas coisas de mais confiança, ou ouvia as pessoas dizerem sobre, pensava ser uma metáfora.
Que “dor no coração” não era algo físico, que doía a alma, mas não o coração propriamente dito.
Aquela “coisa” me doía, o físico, o espirito e a alma!
Eu pensei em chorar, mas assim quebraria a promessa que havia feito a mim mesma de não chorar por ninguém…
Me contive, embora uma lágrima rebelde tenha escorrido pelo meu rosto pálido.
A noite parecia eterna, e acreditem, depois de sentir longas horas de “dor no coração”, eu olhei no relógio e eram 4:05, sim, haviam passado apenas cinco minutos.
Levantei-me, fui beber um pouco de água… Gelada!
Para ver se passava eu tentava dormir, e queria que meu sono curasse minha dor, como o tempo cura a dos outros…
Eu pensava, e quando lembrava eu queria chorar… Mas fui forte!
Bom, eu consigo dormir não sei que horas, mas as 6:00 acordo novamente.
Espero um longo período para chegar as 7:00, para enfim o dia começar, não que isso fosse me trazer felicidade (eu estava longe de dizer “Que belo dia!”).
Mas eu me levantaria, e faria qualquer coisa para curar aquela dor de amor.
Anos depois o tempo passa, e as 6:48 apressadamente me levanto…
Chego na cozinha e penso “Esqueci que não tomo café da manhã!!!”…
Além do mais, eu ainda não calculei o tempo em que voltarei a colocar qualquer alimento na boca, talvez isso levasse anos ou até mesmo décadas…
Desesperada procuro algo para fazer…
Eu nunca havia sentido aquela dor, aquela coisa estranha que dolorosamente apertava e mastigava o meu frágil coração de carne!
Eu queria apenas que aquela dor saísse, e até pensei, como realmente fiz pedir a um pastor ajuda, para ele “dar um jeito” de tirar aquela dor de mim.
Minha adolescência inteira, eu passei ilesa de dor de amor, apaixonei-me… Mas nunca havia sentido dor tormentosa como aquela!
Ligar para minha mãe!
Mamãe de certo sabia uma coisa que tirasse dor no coração… Sei lá um exercício, uma oração…
Qualquer coisa que me livra-se daquilo!
Minha mãe, chocada, não acredita no ocorrido,  e depois de um longo tempo, eu como, uma criança boba pergunto: “Mãe como se faz para tirar a dor do coração?”…
Minha mãe, sorriu e me disse : “Ah filha… Demora, isso demora a passar!”…
Então eu não suportei mais e comecei a chorar, e não chorava mais de paixão, eu chorava de dor no coração!
A minha irmã, que ouviu minha conversa, e sorriu… Veio ao meu encontro me abraçou e me deu uma resposta mais animadora: Pelo tempo, “pelas coisas da vida”, aquela dor no coração passaria em uma semana!
Mas se uma noite durou décadas, uma semana duraria séculos – pensei.
Ela, que havia sofrido dessa síndrome a pouco tempo, me informou que o caso dela era bem mais critico que o meu, e que ela havia emagrecido de tanto chorar!
Bom, nada animador saber que eu poderia chorar tanto, que findaria as lágrimas e começaria a lagrimejar as gorduras corporais, que por sinal não tenho muita, e poderia então chorar outras coisas mais, como o meu próprio sangue…
Meu avô ensinou aos filhos que dor de amor sempre se cura em 15 dias para os casos simples e 30 dias para os mais complicados, como a dos casados.
O certo, é que aquela coisa sairia de mim em uma semana, sendo assim na próxima sexta já estaria curada e poderia ser eu novamente!
Depois eu me deitei novamente, e por um instante ri de mim mesma, sobre como eu havia sido idiota, como eu naquele momento estava agindo de forma infantil e idiota!
Depois de ri do “Mãe, como se cura dor no coração?”, a dor de amor pareceu está mais calminha, mais fininha, mais ainda doía uma dor aguda como se costurassem o meu coração.
Por isso percebi que o coração não quebra, ele rasga, e algo dentro da gente fica costurando nos fazendo senti uma dor não muito forte, pois está nos ajudando, mas como lá dentro não tem anestesia a gente sente os supostos “cirurgiões” nos “arrumando”.
Agora eu sei, que de todas as dores que tem no mundo, a dor mais chata e mais doída é aquela dor, a dor de amor…

Caro amigo confidente

Caro amigo,
Ainda hoje lembrei-me de você, ontem não me lembrei porque ontem ainda erámos amigos.
Sinto sua falta, mas sei que nada será como antes. Você conhecia todos os meus planos, tudo aquilo que eu era você sabia e desenhava com os dedos cada uma de minhas falhas. Era a minha carta de culpa perante o tribunal, meu ego e meu mundo.
Poderia mergulhar em você  imaginando-me no oceano, mas eu sabia que eu me afogaria a cada vez que olhasse para sua face.
Ainda ontem erámos amigos, mas esse ontem meio distante já fez alguns anos, quem mudou primeiro: Eu ou você?
Ou tudo se fez ou desfez depois que seus olhos começaram a me acusar?
Quantos foram os nossos passos em falso, as promessas que não foram cumpridas e que foram justificadas com a outra promessa não cumprida de cumprir a promessa anterior?
Planejávamos fugas, mas não sabíamos esconder do nosso próprio instinto destruidor. Continue lendo “Caro amigo confidente”

Atualizando o status

pos4

Quando não existe amor, todas as atitudes de um casal são bem previsíveis. Por exemplo, contarei exatamente o que acontece quando duas pessoas magoadas decidem se distanciar:

O homem vai tentar renovar a vida e irá se machucar,
A mulher fará o mesmo, provavelmente depois de ouvir alguns conselhos, e também dará topadas.

Com sorte, o lado mais fraco e azarado voltará a procurar seu antigo par, isto é, se o orgulho permitir.

Só que, num relance simples dos fatos nascerá a prova de que nada mais será como antes. E o tempo vai dando cartadas e mais cartadas até um dos dois parar e perceber que o melhor remédio é zerar tudo e esquecer.

E assim termina uma história. Por falta de motivação, confiança e vontade de fazer diferente, de ser diferente.

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