Remidos pela dor

Aproximava-se das 4:40min da manhã, horário de Brasília. Júlia estava saindo de uma boate em Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro. De calçada em calçada, ela trocava passos tonteantes, enquanto discutia com o ex-namorado pelo telefone. Depois de alguns minutos, deixou sua garrafa de vodca cair no chão… Quando isso aconteceu, todos ao redor poderiam jurar com total convicção de que foi possível ouvir, até mesmo para as bandas de Oswaldo Cruz, o tamanho palavrão que ela exclamara. Depois de saltar os cacos de vidro, decidiu desligar o celular, caminhou até o ponto de ônibus e esperou a carruagem de metal que a levaria até o colchão. Local que ela pretendia não deixar pelas próximas nove horas.

Logo que o ônibus chegou, Júlia subiu, pagou, sentou e esticou o vidro da janela. O vento daquela noite fria bagunçava seu cabelo e carregava o suor trabalhado em puro álcool. Dali, ela observava as esquinas… de poste em poste, de luz em luz, até o momento em que alcançou um estado mental de reflexão. Assim aconteceu e assim ela se foi.

Já havia passado das 5hrs da manhã, horário de Brasília. Lucas estava no banheiro de um baile em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Na pia ele esfregava as mãos, passeando sabão liquido entre os dedos. O motivo? Bom… ele havia brigado durante a festa e o sangue do nariz de um desconhecido qualquer resolveu abandonar sua posição original e morar no seu anel. Depois de deixar os amigos para trás, decidiu sair do baile e caminhar sem rumo pelas ruas da cidade, entre esquinas, praças e rodovias. Quando deu por si, tinha chegado a um local que não visitara há anos: uma antiga quadra de futebol da infância. A quadra estava na parte de trás de uma escola pública abandonada. Lucas respirou fundo e jogou fora o cigarro de maconha que mal havia acendido. Passou as mãos no rosto, fixou os olhos e decidiu saltar o muro. E dessa forma fez! Não havia ninguém no lugar e estando ali, sozinho, acabou levando uma surra das próprias lembranças. Percebendo a gravidade da nostalgia presente, decidiu parar, pensar e refletir. Assim aconteceu e assim ele ficou.

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Bullet Time

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Para alguns azarados a vida é uma sistemática violenta que independe das decisões pessoais para gerar catástrofes. Desde a infância, os problemas surgem automaticamente, sem pedir permissão. Como se fosse um dever pessoal considera-los naturais. E pra variar, por outro lado, as oportunidades de paz, esperança e harmonia precisam ser disputadas na unha, como se fossem uma dádiva, ou um conjunto de momentos e sentimentos nativos de outra espécie.

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Sagrado Coração

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E me disseram: “Este lugar pode estar sempre ao seu lado, é a alegria dentro de você, pois sua vida é luz” – Sagrado Coração, Legião Urbana

 

Das coisas do coração, sempre entendemos muito pouco. Todavia, com uma dose extra de humildade e carinho em todos os atos e pensamentos, seremos capazes de concluir, rapidamente, que as circunstâncias acontecem num jeito confuso de ser e se apresentam de tantas maneiras inexplicáveis, muita das vezes, porque como espécie não somos lá tão capazes de interpretar os diversos nuances apresentados pelo Mundo. Só que na maioria dos casos, não são os fatores externos que estão desencaixados e sim os fatores internos. E… vai por mim, dependendo do modo como as coisas estão sendo guiadas dentro do peito, o planeta inteiro perderá seu verdadeiro sentido sem ninguém ter culpa.

Como óculos escuros que inibem as variadas cores do dia, um coração desalinhado é totalmente incapaz de perceber os incontáveis detalhes da vida. Nesse caso, não adianta bater, brigar ou tentar colorir, artificialmente, os fatos e acasos rotineiros. No final das contas, junto ao travesseiro, tudo volta a doer. As descargas emocionais e o vazio interior, pesam como dores de parto numa mente desqualificada do poder de dar à luz.

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Selene

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Selene, do grego: “Selini” é a deusa da Lua

 

Quantos homens você continuará a magoar até perceber que o problema não está na espécie masculina, está em você?

Quantas estações se passarão, quantas lágrimas cairão e quantas rugas ainda precisam cicatrizar, no seu lindo rosto, para que percebas o óbvio? Tua verdade evidente. Cada nova relação amorosa, carrega a mesma versão, sempre contada por diversas línguas -, todas gritam, numa só voz, que tens um enorme problema capaz de manchar todos os corações que, ingenuamente, se acham habilitados para ajudá-la, quando nem mesmo tu, se preocupas com a cura.

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As estações da tristeza

O quão medíocre pode ser uma vida? A partir de qual ponto as coisas podem começar a mudar? Bianca morou desde os seis anos de idade na mais alta casa da favela da maré. Em frente à janela do seu quarto, a visão das rodovias escondia um famoso outdoor atualizado na passagem das estações. Certa feita de inverno, um dia depois de confessar a família que foi abusada pelo vizinho, ela vira uma propaganda no mesmo outdoor dizendo que o tempo transformava todas as coisas… balela! O tempo não transforma nada. “Tempo“, é só um caderno repleto de folhas vazias. Os dias estão divididos nas páginas e as atitudes, em cada frase. Tomando decisões a vida passa a ter conteúdo, cruzar os braços e não fazer nada é o mesmo que deixar as folhas em branco. Graças a Deus, ela percebera tal verdade aos 16, deste ponto em diante, parou de assistir o destino correr pelos dedos.

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