estreito

As relações estão tão estreitas que mal enxergo o outro lado do corredor. As luzes estão fracas e meu sentimentalismo exacerbado explode grandes montanhas cheias de vento. Vivo sem janelas no quarto, meus pulmões crus respiram incenso e cigarro. Possuo medos quase temporários, visitas planejadas, músicas repetidas e etc. O sol se levanta e não o enxergo, contemplo minha respiração misturada ao ego. As ondas de meus fios Continue lendo “estreito”

Anúncios

Procuro-me

Eu sinto a minha falta. Sinto falta daquela que acredito ser eu e tento encontra-la desesperadamente.

Já não sei quem sou. Não sei quem é aquela que me olha assustada no reflexo do espelho aflita para encontrar algo, tão pouco conheço aquela que sorri despreocupada de coisas sem graça.

Perdi-me em algum lugar. Essa que sou hoje tenho certeza que inventei.

Não sei do que gosto mais, e nem o porquê que venho sendo quem sou. Entreguei-me as correntezas da vida e elas traçaram o meu rumo baseadas no improviso.

Já não sei o que quero. Já não para onde vou. Não sei quem é essa que eu chamo de “eu”, e que eles dizem “você” porque quando a vejo, não me vejo, e quando a sinto eu tenho medo.

Se encaro-me voluntariamente ou acidentalmente, logo quero fugir de mim. Logo busco alternativas para não olhar-me. E não me olho, ignoro-me totalmente. Em uma atitude radical finjo que não me vejo.

Tenho falado a palavra “excelente” e “loucura” excessivamente. Dormido pouco, comido menos. Essa não sou eu.

Certa vez pintei secretamente um auto retrato de quem desconfio ser-me, ainda que seja apenas um esboço, guardei-o como se guarda o mais valioso tesouro. Talvez eu deva enfim torna-lo público para que os outros me ajudem a encontrar-me. Porém não farei isso. Se aquela for realmente quem sou, ela é só minha, e mesmo diante da incerteza, chamei-a Eu e vou guardá-la só para mim. E guardei-a em uma caixinha, não sei exatamente onde, mas foi por ali, dentro de mim.

Já faz um tempo que não abro a caixinha e a olho. Espero que Eu ainda esteja lá.

Súplica

Ilusão, traga-me, ser completo.
Traga-me para perto
de tudo que perfeito há.
Ilusão, faça-me ser perfeito,
mais que perfeito, feito
para contigo estar.
Coração, traga um sorriso aberto,
mais do que aberto, certo,
certo que tudo há.
Solidão, mostra que sou mais um,
mais do que muitos, um,
temo deixar de amar.
24.10.2014

Divergente

sonaminterview_1374835306_600x450

Você e Eu… Nós dois! Pessoas legais com assuntos e histórias dignas de filmes, além de diversos traços e gêneros em comum. Porém nosso relacionamento nunca deu certo, ao menos, não da maneira que desejava e que ainda desejo. Os motivos são diversos… É como se tudo não passasse de um complexo algoritmo cheio de loopings e classes – há argumentos, circunstâncias, padrões e desculpas que você imagina e fala pra todo mundo ouvir, alimentando a cada dia, um pouco mais do tamanho abismo que existe entre nós dois. Abismo este que costuma lhe sedar, ao ponto de não perceber os sinais que entrego a você em meio à multidão que lhe cerca. Abismo que também costuma me engolir, no primeiro indício, na mais fraca tentativa de contato, onde as primas: Distância e Rotina terminam de fazer o serviço destruindo todas as expectativas; Logo as investidas acabam e Eu não consigo você. Só o que sei é que quando a poeira finalmente abaixa, você sai embarcada com seus amigos e Eu fico perdido em tantos planos, porém a verdade é que, mais uma vez, ficamos e estamos sozinhos.

Continue lendo “Divergente”

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: