Eu preciso escrever porque…

Eu preciso escrever porque raramente sai da minha boca aquilo que eu gostaria de dizer. Eu tenho que escrever porque a escrita me dá força pra continuar sonhando. Eu preciso escrever porque escrevendo realizo meus sonhos. Eu tenho que escrever porque a escrita me dá o fôlego que necessito para continuar vivendo.

O que te move? Já se fez essa pergunta? O que te dá fôlego para continuar vivendo? O que você tem feito para alimentar isso que te move? Tenho me afogado nas palavras que não consigo mais colocar no papel. Tenho emudecido porque parece que as palavras têm fugido de mim. Ultimamente não tenho escrito mais nada. Quando paro para escrever, as palavras não tem vindo com a facilidade de antes. Venho me afogando porque o que me dava fôlego tem se escondido de mim. Continue lendo “Eu preciso escrever porque…”

Flor de cereja

Palavras são palavras, coisas pequenas…

 

Numa fresta acesa, a luz

devorando a mesa

com a tinta, que sabe falar,

escreva!

se choras calada,

que o faça a caneta

e deixe um soluço sereno

tão breve

o chame:

tristeza.

 

Per tutti gli scrittori

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Quando nos tornamos escritores assumimos, obrigatoriamente, a missão de traduzir fatos, costumes, sensações, emotividades, sentimentos, verdades e mentiras. Fazendo o que há milênios foi considerado o papel da filosofia: levar o homem ao pensamento e reflexão, tanto sobre si mesmo quanto ao universo a sua volta. E talvez por isso, não acredito muito na aptidão de escritores que ignoram a Filosofia. Todo este compromisso com as palavras (sim, escritores são compromissados), assim como em qualquer outra missão, acarreta perigos e consequências. A pior delas é o pessimismo e a quase indelicadeza de fazer da sua vida (e do que nela há) utensílios para a construção daquilo que podemos considerar como “espelhos literários”, incorporados nas músicas, nos poemas, nas crônicas, etc.

Entretanto, infelizmente, ao olhar da maioria dos observadores, fazemos o que todo mundo é capaz de fazer e nossas obras sempre estarão abertas ao julgamento público. O senso comum e a falta de sensibilidade tenta passar a impressão de que a humanidade só não é repleta de escritores porque quase todas as pessoas possuem preguiça de se expressar. Além disso, afirmam que se você é escritor, tão somente é porque encontrou tempo suficiente para se dedicar ao ofício, ou que pelo menos teve “saco” para descrever uma realidade tão fria e irracional quanto a nossa.

É Eu sei: Tudo isso não passa de uma opinião vaga, pra não dizermos tola. Não é nada fácil escrever. Poucos sabem o quanto é árduo se dedicar por dias e dias lendo e relendo materiais de diversos autores (de gosto ou não), só para podermos adquirir bases sólidas para a cavalgada de futuros argumentos.

Inepto é quem acredita que o Mundo está sendo regido pela diversidade; há um só acordo, há um grupo seleto de governantes que regem o caos da nossa sociedade. E seja lá qual for à opinião deles, sempre vale relembrar que eles não gostam muito dos pensadores. De pessoas que se expressam, de gente capaz de espremer esperança a civilizações beiradas no caos.

E ao falar de esperança, falo exatamente da tal “elpis” do Grego (permanecer confiante), que pode ser considerada quase uma fé sem precedentes. Para tais “escritores eleitos” desse dom, ser capaz de transmitir a realidade nas letras, sobretudo na tentativa de produzir esperança nas pessoas que tanto criticam nosso trabalho, é também acreditar que nossas obras servirão como sementes para uma transformação futura, assim como a obra dos poetas passados nos concederam energia para trabalhar atualmente.

Partindo deste princípio, podemos concluir que a nossa missão esta inclusa na lista das mais nobres exercidas pela espécie humana. E que, como tudo aquilo que é nobre, sofre também da desvalorização e do esquecimento. Essa afirmativa é tão dura que, por desejo, prefiro acreditar que estou apenas sendo pessimista.

 — Leonardo veiga 29/07/2015

Genética melancólica

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Inicialmente parecerá um tanto estranho o que irei dizer, mas a verdade é que muitos poetas do passado enxergaram beleza na tristeza ou no status da possibilidade de ficar triste. Tornaram a vida pessimista numa sequência de idades românticas. Isso é fato visível e declarável nas melhores obras existentes até hoje: De Salomão a Sêneca, de Sêneca a Schopenhauer, de Schopenhauer a Dostoiévski, de Dostoiévski a Fernando Pessoa e de Pessoa aos músicos lendários do século passado. São alguns dos diversos escritores sócios do “clube eterno do pessimismo”  e que permanecem vivos no coração de qualquer cidadão atual refém da cultura.

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