estreito

As relações estão tão estreitas que mal enxergo o outro lado do corredor. As luzes estão fracas e meu sentimentalismo exacerbado explode grandes montanhas cheias de vento. Vivo sem janelas no quarto, meus pulmões crus respiram incenso e cigarro. Possuo medos quase temporários, visitas planejadas, músicas repetidas e etc. O sol se levanta e não o enxergo, contemplo minha respiração misturada ao ego. As ondas de meus fios Continue lendo “estreito”

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About passion

Você não se apaixona por uma pessoa, se apaixona por um perfil. Por uma personalidade que, se remodelada, leva sua paixão para o caixão. Segundo o dicionário, uma das definições da palavra perfil é “descrição em traços rápidos: retrato moral de uma pessoa”. Logo, você se apaixona por um retrato moral e não pelo indivíduo em si.

Sustento essa hipótese há alguns anos e o que não me faltam são argumentos para defende-la. O maior deles está no fator arrependimento. Basicamente é o seguinte: todos somos seres mutáveis e enfrentamos diversas transições com o passar dos anos. Na medida que em que a nossa individualidade se altera, novos atributos são somados a nossa personalidade, outros são subtraídos e alguns são modificados. Afinal as mudanças fazem parte da vida. Dentre esses atributos subtraídos, ou seja, descartados, estão os arrependimentos e desgostos das escolhas passadas. Por exemplo: Quem nunca se arrependeu de um relacionamento na adolescência? Quem normalmente se arrepende, possui uma boa justificativa para tal. A maioria diz que se arrepende porque era inexperiente, limitado ou inocente… Ou que não sabia exatamente o que era “o verdadeiro amor” (como se o amor verdadeiro exigisse uma infinitude de experiências fracassadas para funcionar). Os arrependimentos são remorsos adicionados diariamente ao nosso baú do passado. Novas esperanças e estratégias assumem as lacunas deixadas por esses remorsos. Esse processo de troca é semelhante a mudança de pele das serpentes – o que fica pra trás é o nosso modo anterior de ser/agir, totalmente defasado e obsoleto. O que segue adiante é um perfil blindado, com um pouco mais de sabedoria, pronto para novos desafios, evitando a repetição dos mesmos erros.

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Imodéstia

No latim a palavra vanitas, significa tanto vaidade quanto vazio. Ou seja, quando vivemos pela vaidade, vivemos pelo vazio. A vaidade tem cheiro, tem cor e múltiplos nomes. Está no agir, no pensar, no falar, no criar, no desenvolver. E, como escreveu certa vez o frânces Stendhai, a maior parte dos homens do mundo, por vaidade, por desconfiança, por medo da infelicidade, só se entregam ao amor de uma mulher após a intimidade. Ao meu ver, Stendhai estava certo. Esse talvez seja o motivo pelo qual algumas mulheres acreditam firmemente que podem despertar o amor de um homem apenas com suas habilidades sexuais. Existe um pouco de verdade nisso, existe um pouco de mentira. Para realizarmos a distinção, precisamos compreender dois pontos. Primeiro: “a maior parte dos homens”, não significa todos os homens. E cá entre nós a maior parte dos homens são realmente idiotas, verdade seja dita. Não por cultura, religião ou grau de conhecimento, a idiotice masculina transcende esses detalhes técnicos, ela é quase… quase um padrão genético. Poucos são os homens que ultrapassam esse padrão ou nascem sem ele. Essa minoria corresponde a parcela masculina que fica ofendida não só com as palavras de Stendhai, como também com todos os demais insultos genéricos existentes no mundo. Segundo: quando cito “algumas mulheres”, obviamente descrevo um grupo que não representa a maioria feminina, muito menos sua totalidade.  Simboliza somente uma minoria que se especializa na arte de assegurar a fidelidade masculina através das frações de orgasmos.

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O depoimento de um ex ególatra

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“Me partiram em dois, e procuro agora o que é minha metade” – Sete cidades : Legião Urbana 

 

Eu achei que meu amor era perfeito. Não por hipérbole, não por arrogância,  mas por não dar conta do que estava andando no meu peito. “Isso é grande demais pra ser meu“, achava. Afinal, nunca alimentei expectativas e nem mesmo trabalhei com sentimentos. Mesmo assim, o amor surgiu! Lindo, impactante e de lugar nenhum. Deu-me forças nos momentos imprevisíveis e necessários, não tive escolha a não ser me render e endeusa-lo.

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