Recaída

Era como uma uma tempestade de verão: o dia absurdamente quente, então cai um temporal. Uma calmaria precede a chuva, na terra, as gotas caem abafando a poeira, sobe do solo um cheiro bom… É terra molhada. Está tudo fresco, a chuva depois de um tempo se acalma e pode-se deitar na rede da varanda, mas os tempos não estão sendo fáceis, e talvez no outro dia o calor ainda seja tão forte que seque todas a minúsculas gotinhas que se acomodam nas folhas das  árvores e se desprendem com o vento.

A muita intensidade dentro de mim, e eu não consigo conte-la, algo tão forte e vivo que absorve as minhas forças. E você parece ser a minha tempestade de verão, na minha tristeza as vezes aparece, e é tão forte o seu olhar como um temporal, eu poderia olhar para seu rosto sem perceber o passar horas. Anotaria em um papel metodicamente cada uma das suas características, eu tentaria ler a sua alma, interpretar os seus passos. Eu queria que você me amasse, mas se não me ama, não tem mais graça. Não tem mais significado todas as boas lembranças se o amor de outra pessoa pode ser maior que o meu.

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[+18] Há tempos

Havia acabado de sair do banho quando notei que o celular estava largado no chão da cozinha. Sou desses que preferem andar com o aparelho no modo vibratório, ou seja, se ele despencou por mais de um metro da bancada ao piso, significa que alguém me ligou de forma incansável. Peguei o aparelho e caminhei pelo corredor no caminho ao quarto. Quando desbloqueei a tela, vi que a quantidade de ligações pertenciam a Clarisse, minha melhor amiga. Desesperada (como aparentava estar), fez questão de chover meu WhatsApp de mensagens, antes mesmo de tentar partir para o contato direto.

Quando procurei saber o porquê de tanto alarde, assustei-me com a última mensagem enviada por ela;

Allan… Está decidido! Vou me matar! Adeus meu amigo, dessa noite eu não passo.

Quando li aquilo, o smartphone encontrou o chão novamente. Não me recordo de ter colocado uma sunga, esqueci-me completamente de onde guardava minhas blusas. Apenas vesti a primeira calça que encontrei jogada na casa e corri em direção ao ponto de ônibus.

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Fútil

 

 

Face, a fronte, em fato, enfático e infante

enfrento  cada  calo e, descarado, avante

quando tempo se negou a ir, eu fui

e foi-se o tempo e o vento,

e de lamento só restou o  instante

 

de face ao front, em frente

a mente se calou de espanto

e calafrios, risos, arrepios

potes de sorvete, loucos pesadelos

tolos, todos ao avesso, inverso

em cada verso um grito

em cada grito amante

em cada gesto  omito

o  meu olhar distante

 

em face e adiante

tragando  dias

devorando hipóteses

teses  e  tesão

tensão

e de destino:

Dante.

 

 

Rotineiro

futurismo

Palmeiras crescem sobre as coberturas,
as coberturas moram em cima dos prédios,
os prédios cospem as pessoas de manhã,
E as pessoas?
As pessoas caem sobre o chão e dormem,
morrem,
escorrem pelos viadutos,
entopem praças e botequins,
amontoam-se sobre as calçadas,
inchadas de ódio comum,
puro,
um ódio inocente,
um ódio de gente.

A gente passa a noite toda,
morde o travesseiro,
se afoga na almofada quente,
a gente sente,
a gente sente!
A gente mente,
sangra mais uma gota transparente.
E a gente?
a gente se cala,
range os dentes
e vai trabalhar na manhã seguinte

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