Das ervas que restam

É. Lá se vai o terceiro copo de chá.

Dizem que é o tipo de bebida que nos ajuda a refletir e… quer saber? Não importa a quantidade de xícaras. Acho que só o tempo realmente nos ajuda a pensar, pôr as coisas no lugar, recuperar o fôlego e voltar aos eixos. Eu vivi uma maravilhosa e confusa aventura que, em teoria, acabou. Fato delicado e cheio de pontas soltas. O problema é que quando se relembra um fato por inúmeras e inúmeras vezes, os elementos principais se tornam meros detalhes e os meros detalhes passam a protagonizar a porra toda. A vida é vista por um novo ângulo, o passado é narrado sob uma nova perspectiva e as regras são ditadas pelas coisas das quais não fiz questão. Faz sentido, agora, o porquê de você só ter me procurado quando estava mal, quando não tinha ninguém para conversar. Faz sentido, agora, o porquê de você desaparecer quando está feliz, quando as coisas estão bem, quando tudo passa a dar certo. Eu acho que minha amizade foi convertida num escritório virtual de psicologia, tornando-me útil apenas para abraçar o seu lado mais obscuro. Quando esse lado hiberna, não tenho lugar na sua vida. E sou, então, educadamente deixado de lado.
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Na minha cozinha

Mergulho o anelar direito no bolo de chocolate,

Eu não sei: acho que estou sorrindo.

Mas não é qualquer sorriso — distinção que aprendi a fazer.

É o sorriso perfeito. Aquele feito pra você.

Ouço o sino da catedral. A hora é exata e a fala é muda.

As folhas vagueiam lá fora; no tempo, no vento, nas memórias.

Aponto o dedo, você chupa. Transpira. Fecha os olhos. Lambe.

Quente, salaz, tentador, inolvidável, lúbrico, Ual… apetecível!

Trovejou em mim; intrínseco.

Vai chover lá fora; inelutável.

Eu não sei: acho que estou feliz.

Mas não é qualquer felicidade — distinção que aprendi a fazer.

É tê-la de cerne na vida. Coisa que outrora, optei por esquecer.

efusão

 

A confusão borbulha em meu peito
Em efusão — queima,
Quanto mais me movimento,
Mais se espalha este amargo efervescente.
Decidi então, sentar e pensar…
Nunca estive tão aprofundada em subjetividade
Esfriando o peito a sopros
Acalmando o incêndio
E obtendo sucesso.
Finalmente estou sabendo
Viver dentro de mim.

Dois anos!

Hoje completamos dois anos de Prosas e Café. E deste último, meus caros amigos, só Deus sabe a quantidade de xícaras engolidas.

E por isso, venho agradece-los através dessa humilde nota. Simplesmente agradecer. Obrigado pelo carinho, pela força, pelo apoio, pelos comentários e pelas boas vibrações de cada um de vocês, amados leitores. Poucas vezes vi escritores iniciantes sendo tão bem recebidos, ainda mais hoje em dia, existindo apreciadores da boa escrita por todos os cantos da internet, sendo quase impossível acompanhar tantas novidades.

A nossa equipe é formada por jovens de quatro estados diferentes. Ainda não foi possível realizar uma reunião presencial, muito menos dividir a mesma garrafa de café, todavia mantemos o bom contato e buscamos sempre publicar o melhor aos nossos queridos seguidores.

Espero ficar aqui por muitos anos e continuar tocando o lado emocional de vocês de todas as formas possíveis.

Abraços!

 

 

– Leonardo Veiga

Älskar

Vovó costumava dizer que o sofrimento era capaz de marcar a alma humana tanto quanto um machucado marca a pele. “Quando as pessoas são feridas, quando enfrentam uma frustração muito grande, a dor da situação é capaz de dilacerar a alma, de desanimar o espírito“, afirmava. Na época eu entendi bem a analogia, mesmo sem conhecer as figuras de linguagem. “Mas essas feridas são eternas, vovó?“, Respondi na noite em que ouvi essa definição. Ela pregou seus olhos castanhos e fatigados em mim e sorriu sem fazer barulho. “Deite-se Caroline, está na hora de dormir“. Eu deitei, ela esticou o cobertor pelo meu corpo, mas não me deu o beijo na testa como de costume. Pelo contrário, puxou uma cadeira e sentou ao lado da cama. “As feridas não são eternas“, disse. Foi interrompida por uma tosse e logo prosseguiu: “Como falei anteriormente: a tristeza mancha a alma humana tal como uma ferida na pele. As feridas, como bem sabe, também se fecham, criam cascas e finalmente secam. Tudo depende do tempo e de como você irá cuidar. Se for bem tratada a dor passará, a casca também e no fim não restará nenhuma marca. Agora, se for uma ferida muito profunda, então é provável que a cicatriz fique, mesmo depois de curada. Você carregará para sempre a memória daquela dor estampada na alma“. Eu ouvi, entendi e apenas acenei com a cabeça, ela gostou e, em seguida, me deu o beijo na testa diário. Depois se levantou, caminhou até a porta coçando as costas e apagou a luz.

Espera ai vovó! – Chamei já sentando na cama.

Sim, minha cara.

Certa vez você me disse que é capaz de enxergar essas marcas nas almas das pessoas, certo? Como a senhora faz isso? Quando vou aprender?

Ela pôs a mão na boca e segurou um bocejo, eu sabia que ela havia gostado da pergunta pelo modo que me encarou. Parecia ter previsto minha curiosidade, aliás; toda conversa que tivemos durante a noite, antes mesmo de me levar até a cama foi, ao meu ver, o cultivo de uma semente; de uma vontade que ela queria ver brotando em mim. E brotou! Eu ansiava pelo mesmo dom. Vovó voltou, puxou a cadeira novamente e sentou bem devagar. Pegou em minhas mãos, fez um leve carinho… Foi uma visão inesquecível pois a luz da lua que transpassava a janela atrás da minha cama foi refletida na esmeralda que ela carregava no pescoço. Momentos depois, ela respondeu:

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Pescador

Sonhar contigo é horrível!
E vou te dizer o porquê:
As lembranças acabam comigo,
Passo o resto do dia pensando em você.

Não posso te olhar com desejo,
Já decidi que preciso esquecer.
Mas quando os sonhos nascem do vinho,
Naufrago em perigo, não sei o que fazer.

Sonhei com você num barquinho,
Num frenesi de amar e ser amado.
Sonhei do tesão ao carinho,
Na proa, no cais, na rede e no nado.

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Pétala de julho

O asfalto se abria em plena luz de março

E dele uma brecha nascia uma flor

Da flor o perfume molhara meus olhos

São olhos de julho jurando de amor

 

Nas covinhas rasas das tuas bochechas

A gente sorria e se amava demais

Amores de lírios e flores-cerejas

As luzes de julho luziram lilás

 

 

 

 

 

 

“She’s online”.

Ok! Eu sei que normalmente não se ama alguém de primeira, meus pais me ensinaram isso! A TV também… As músicas, os livros, os professores, enfim: cada pedaço da vida. Eu também sei que não se promete, nem se declara todo seu amor pra alguém que você nunca viu, nunca sentiu e muito menos teve ao lado. Pra alguém na qual os únicos registros presentes são as fotografias e áudios. Pra alguém que me tornou um expert na arte de interpretar o que há por trás de cada olhar e o que se esconde nos intervalos da voz, sim! Eu uso essa artimanha… Fazer o quê, né? Foi necessário… Só assim fui capaz de interpreta-la tão bem; observando o que todos os outros normalmente ignoram. E por falar dos “outros”, vocês querem saber de uma coisa? Eu sei muito bem como as relações devem funcionar, sou um cidadão moderno e bem disciplinado, todavia resolvi ignorar tudo isso, resolvi ignorar o script padrão de como viver uma juventude saudável e me entreguei a contramão geral dos relacionamentos, contra a guia cultural de nutrição de sentimentos. Não fiz isso para me destacar, ou para demonstrar o quão superiores somos de todos os demais, pelo contrário: vacilamos tanto como todos os outros. A diferença é que não nos entregamos a corações diferentes por noite, por esquina. Somos oposição porque não optamos pelas opções mais fáceis, escolhemos/queremos/desejamos/sonhamos e planejamos a opção mais difícil de todas! A união de dois mundos apartados pelo destino, de duas almas enraizadas em pontos distintos do planeta.

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Raindrops

Num mundo de retas, traçados,
talvez os meus versos borrados
agradem tão poucos sorrisos

Amigos são poucos, Pequena
Me deste um singelo sorriso
Ao vê-lo, chamei de poema
e dei meu amor por abrigo

Tu logo fizeste morada
e fez do meu peito querido
Em mim, teu olhar tão imerso,
ao vê-lo, chamei-o de verso,
senti que tu estavas comigo

Se fez do que antes foi nada
Em nós, esse amor se fazia
Me deste tua boca rosada
Beijei e a chamei de poesia

Efêmera

Hoje eu tive aquele mesmo desejo de quando conversamos semanas atrás, ou melhor dizendo: o velho desejo que me acompanha desde a noite em que te conheci. Falo da vontade que dá de catar sua atenção, sempre que a saudade bate, ou sempre que a química entra novamente em sincronia.

As vezes penso em enviar uma boa música. Convenhamos e concordamos: não há nada melhor do que assuntos sustentados sobre uma bela composição. Noutras vezes penso em abordar o tema de um novo livro. Enredos e loucuras literárias são sempre bem-vindas, afinal de contas até mesmo a nossa amizade caberia nas páginas de uma.

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Abraço anual

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Olá!

Se você está lendo isso, é provável que sejas um dos nossos seguidores diretos. Esse texto nasceu com o único intuito de agradece-lo justamente por isso. Então, por favor, conceda-me alguns minutos do seu dia. O que tenho para falar é importante para nós.

Dias atrás, nosso blog completou um ano de existência. Quando criei o Prosas, não imaginei que a coisa toda vingasse desse jeito. Numa maneira crua de dizer, esse blog nada mais é do que a reunião de pensamentos entre escritores juvenis distintos que estão por ai, espalhados, por todos os cantos do país.

Sim! É isso mesmo. Além de mim, há mais dois cariocas, uma mineira e dois baianos. Nós rapidamente chegamos a um consenso de que, para seguir com o blog, não precisaríamos bolar uma espécie de escritório oficial, distribuindo temas e histórias para cada um, fazendo das publicações uma forma de trabalho.

Optamos pelo mais simples lema… “Vamos escrever, quando a inspiração bater!” – Essa foi a ordem do negócio. O que deu ao Prosas e Café essa cara de diário, é o fato de que ele realmente é um diário; possui essa alma desde o início. E graças a Deus, encontramos um público educado, inteligente e parceiro que nos retribuiu com todo carinho do Mundo no decorrer desse processo.

Para nós, que estamos iniciando nesse mundo agora, confesso que ainda existem muitas coisas disponíveis para serem aprendidas. No WordPress, a quantidade de blogs excelentes é enorme. Verdadeiramente é um mundo de letras bem extenso. Só o tempo nos dará toda cautela, valor, profissionalismo e conhecimento suficientes. Como tudo na vida a primazia chega de forma gradativa, e temos isso em mente.

Durante toda a nossa caminhada, sempre separaremos um momento de agradecimento em memória de todos vocês, colaboradores, por tudo que fizeram e que continuam fazendo.

Nos sentimos abraçados, pra valer! Obrigado pelo carinho. E a melhor forma da equipe do Prosas agradecer é escrever, cada vez mais, textos melhores.

Aos nossos 196 digníssimos seguidores, desejo um bom dia e um ótimo fim de semana!

Até a próxima!

Sieamisai

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“Seamisai” é uma expressão italiana formada por um conjunto de três palavras. Basicamente, significa: “Se você ama, você sabe“.

Existe uma mensagem, um tom interpretativo, um gesto significante por trás do seu silêncio. Eu te abraço e você retribui. Ficamos calados, observamos… os detalhes e defeitos presentes no corpo um do outro. É incrível como um momento de tamanho simbolismo e amor não precisa, necessariamente, do uso das palavras.

 

E de fato o seu silêncio diz muito sobre você; os sinais do seu corpo sempre falam mais alto. Se tentássemos realizar uma comparação, nenhuma descrição de si mesma venceria a competição de sinceridade –, da tua pele que clama por um beijo, do teu corpo que precisa de calor, tua alma que se desmonta com um cheiro, sua boca que varia de sabor.

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