0800

Um homem não precisa

Se acabar em lágrimas

Para chorar

Não!

No pior dos choros

Não há lágrimas

Chora-se por dentro

Dói mil vezes mais, pois

Enquanto o choro externo alivia

O interno corrói

Enquanto o choro externo

Não trás consequências

O interno destrói

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efusão

 

A confusão borbulha em meu peito
Em efusão — queima,
Quanto mais me movimento,
Mais se espalha este amargo efervescente.
Decidi então, sentar e pensar…
Nunca estive tão aprofundada em subjetividade
Esfriando o peito a sopros
Acalmando o incêndio
E obtendo sucesso.
Finalmente estou sabendo
Viver dentro de mim.

Dois anos!

Hoje completamos dois anos de Prosas e Café. E deste último, meus caros amigos, só Deus sabe a quantidade de xícaras engolidas.

E por isso, venho agradece-los através dessa humilde nota. Simplesmente agradecer. Obrigado pelo carinho, pela força, pelo apoio, pelos comentários e pelas boas vibrações de cada um de vocês, amados leitores. Poucas vezes vi escritores iniciantes sendo tão bem recebidos, ainda mais hoje em dia, existindo apreciadores da boa escrita por todos os cantos da internet, sendo quase impossível acompanhar tantas novidades.

A nossa equipe é formada por jovens de quatro estados diferentes. Ainda não foi possível realizar uma reunião presencial, muito menos dividir a mesma garrafa de café, todavia mantemos o bom contato e buscamos sempre publicar o melhor aos nossos queridos seguidores.

Espero ficar aqui por muitos anos e continuar tocando o lado emocional de vocês de todas as formas possíveis.

Abraços!

 

 

– Leonardo Veiga

Älskar

Vovó costumava dizer que o sofrimento era capaz de marcar a alma humana tanto quanto um machucado marca a pele. “Quando as pessoas são feridas, quando enfrentam uma frustração muito grande, a dor da situação é capaz de dilacerar a alma, de desanimar o espírito“, afirmava. Na época eu entendi bem a analogia, mesmo sem conhecer as figuras de linguagem. “Mas essas feridas são eternas, vovó?“, Respondi na noite em que ouvi essa definição. Ela pregou seus olhos castanhos e fatigados em mim e sorriu sem fazer barulho. “Deite-se Caroline, está na hora de dormir“. Eu deitei, ela esticou o cobertor pelo meu corpo, mas não me deu o beijo na testa como de costume. Pelo contrário, puxou uma cadeira e sentou ao lado da cama. “As feridas não são eternas“, disse. Foi interrompida por uma tosse e logo prosseguiu: “Como falei anteriormente: a tristeza mancha a alma humana tal como uma ferida na pele. As feridas, como bem sabe, também se fecham, criam cascas e finalmente secam. Tudo depende do tempo e de como você irá cuidar. Se for bem tratada a dor passará, a casca também e no fim não restará nenhuma marca. Agora, se for uma ferida muito profunda, então é provável que a cicatriz fique, mesmo depois de curada. Você carregará para sempre a memória daquela dor estampada na alma“. Eu ouvi, entendi e apenas acenei com a cabeça, ela gostou e, em seguida, me deu o beijo na testa diário. Depois se levantou, caminhou até a porta coçando as costas e apagou a luz.

Espera ai vovó! – Chamei já sentando na cama.

Sim, minha cara.

Certa vez você me disse que é capaz de enxergar essas marcas nas almas das pessoas, certo? Como a senhora faz isso? Quando vou aprender?

Ela pôs a mão na boca e segurou um bocejo, eu sabia que ela havia gostado da pergunta pelo modo que me encarou. Parecia ter previsto minha curiosidade, aliás; toda conversa que tivemos durante a noite, antes mesmo de me levar até a cama foi, ao meu ver, o cultivo de uma semente; de uma vontade que ela queria ver brotando em mim. E brotou! Eu ansiava pelo mesmo dom. Vovó voltou, puxou a cadeira novamente e sentou bem devagar. Pegou em minhas mãos, fez um leve carinho… Foi uma visão inesquecível pois a luz da lua que transpassava a janela atrás da minha cama foi refletida na esmeralda que ela carregava no pescoço. Momentos depois, ela respondeu:

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Pescador

Sonhar contigo é horrível!
E vou te dizer o porquê:
As lembranças acabam comigo,
Passo o resto do dia pensando em você.

Não posso te olhar com desejo,
Já decidi que preciso esquecer.
Mas quando os sonhos nascem do vinho,
Naufrago em perigo, não sei o que fazer.

Sonhei com você num barquinho,
Num frenesi de amar e ser amado.
Sonhei do tesão ao carinho,
Na proa, no cais, na rede e no nado.

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