Recaída

Era como uma uma tempestade de verão: o dia absurdamente quente, então cai um temporal. Uma calmaria precede a chuva, na terra, as gotas caem abafando a poeira, sobe do solo um cheiro bom… É terra molhada. Está tudo fresco, a chuva depois de um tempo se acalma e pode-se deitar na rede da varanda, mas os tempos não estão sendo fáceis, e talvez no outro dia o calor ainda seja tão forte que seque todas a minúsculas gotinhas que se acomodam nas folhas das  árvores e se desprendem com o vento.

A muita intensidade dentro de mim, e eu não consigo conte-la, algo tão forte e vivo que absorve as minhas forças. E você parece ser a minha tempestade de verão, na minha tristeza as vezes aparece, e é tão forte o seu olhar como um temporal, eu poderia olhar para seu rosto sem perceber o passar horas. Anotaria em um papel metodicamente cada uma das suas características, eu tentaria ler a sua alma, interpretar os seus passos. Eu queria que você me amasse, mas se não me ama, não tem mais graça. Não tem mais significado todas as boas lembranças se o amor de outra pessoa pode ser maior que o meu.

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Desproporcionalmente idênticos

Afinal… Quem é ela? Há tempos a venero.

Ela que sempre deixou claro sua preferência pela paz, mesmo com tanto talento para guiar as guerras. Ela que encanta quando age naturalmente e conquista quando conquistar for seu intento. Mulher de beijos doces e lábios amargos. Palavras lindas e coração pesado.

Ela é fechada, por ser muito aberta. É falsa, por ser sincera. É fria, por brincar de ser quente. Ela desfila, publica, compartilha e viaja… Do futuro namorado ao novo vestido – Todos conhecem sua popularidade.

Pobres tietes, mal sabem… É tudo uma grande ilusão! Tudo miragem!

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Soçobrado Algoz

Olá querida.

Acabei de ler sua última carta, peço perdão pela demora em responde-la.

Eu havia lhe dito que precisava de um tempo para pensar, repensar e… sei lá! Viver um pouco. Acho que consegui. Do meu jeito, mas consegui. E o ato de te escrever causa-me um baita sentimento invulgar. A ideia de tê-la na cabeça, ter de me concentrar na sua imagem para me expressar, faz parecer com que todo esforço que fiz para esquecê-la tenha sido em vão.

É, pois é. Estou confessando de que toda essa distância pouco adiantou. Não tenho medo de imaginar sua reação quanto a isto, já não alimento mais o próprio orgulho com o mesmo frenesi de outrora. Todo esse tempo longe só me fez perceber o quão babaca fui, por nunca ter feito questão de ficar por perto.

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A maldição do Sr. Capital

Sentado no meu trono, saboreio todas as notícias com um olhar esperança ao próximo e ao mundo. Isso não esconde o fato de que lá no fundo, estou mentindo para mim mesmo. Se a existência for um teatro, eu sou o escravo que disfarça a omissão de suas verdadeiras ideias, dos verdadeiros sentimentos.

Aperto suas mãos, lhe presenteio com um sorriso. Digo-lhe palavras bonitas, dou-lhe memórias impactantes. O que não quer dizer que compartilhamos, essencialmente, a mesma felicidade, ou que deverás compartilharemos um dia. Na verdade o que faço, pouco significa. O que sou, talvez, realmente importe, enquanto o ato de “importar” quitar o preço de minha pessoa.

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O último inverno dele

 

A neblina cobre tudo, é tão espessa que acho que posso senti-la, enquanto isso, os seus olhos se dissolvem no tempo, e quase não consigo me lembrar deles.
Parece que foi ontem, como sempre, o tempo passa rápido demais…

O verde musgo cobre tudo, não é possível diferenciar as árvores que nasceram, talvez, onde seus pés já pisaram.

Felizes, por estarem onde queriam, em meio aquela natureza de tons mortos, e perdida entre pedrinhas brancas e quartzo negro.
E ali se desfizeram ou desfazem, onde nasceram e se moldaram, perdidos e agonizados, cheios de medos e ódios ocultos.

Seu ser tão seu, que não se espalhava, como grãos de areia, agora se foi com o vento. Continue lendo “O último inverno dele”

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