Prosopopeico

As vezes olho as paredes

E parecem falar comigo

Alguma coisa surda,
Breve, opaca, indissoluta
O no timbre insuportável dos seus versos
Venho ver meu universo,
entre dedos me escorrer
E a cada gota suja da memória
Essa dor é minha história
Não é fácil de esconder
Já inerte
entre as notas frias da parede
Meu chorar, a minha sede
E essa melodia morta
Digo:
sede fortes, homens, sede!
Quem tem dor tudo suporta.
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Recaída

Era como uma uma tempestade de verão: o dia absurdamente quente, então cai um temporal. Uma calmaria precede a chuva, na terra, as gotas caem abafando a poeira, sobe do solo um cheiro bom… É terra molhada. Está tudo fresco, a chuva depois de um tempo se acalma e pode-se deitar na rede da varanda, mas os tempos não estão sendo fáceis, e talvez no outro dia o calor ainda seja tão forte que seque todas a minúsculas gotinhas que se acomodam nas folhas das  árvores e se desprendem com o vento.

A muita intensidade dentro de mim, e eu não consigo conte-la, algo tão forte e vivo que absorve as minhas forças. E você parece ser a minha tempestade de verão, na minha tristeza as vezes aparece, e é tão forte o seu olhar como um temporal, eu poderia olhar para seu rosto sem perceber o passar horas. Anotaria em um papel metodicamente cada uma das suas características, eu tentaria ler a sua alma, interpretar os seus passos. Eu queria que você me amasse, mas se não me ama, não tem mais graça. Não tem mais significado todas as boas lembranças se o amor de outra pessoa pode ser maior que o meu.

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Desproporcionalmente idênticos

Afinal… Quem é ela? Há tempos a venero.

Ela que sempre deixou claro sua preferência pela paz, mesmo com tanto talento para guiar as guerras. Ela que encanta quando age naturalmente e conquista quando conquistar for seu intento. Mulher de beijos doces e lábios amargos. Palavras lindas e coração pesado.

Ela é fechada, por ser muito aberta. É falsa, por ser sincera. É fria, por brincar de ser quente. Ela desfila, publica, compartilha e viaja… Do futuro namorado ao novo vestido – Todos conhecem sua popularidade.

Pobres tietes, mal sabem… É tudo uma grande ilusão! Tudo miragem!

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Soçobrado Algoz

Olá querida.

Acabei de ler sua última carta, peço perdão pela demora em responde-la.

Eu havia lhe dito que precisava de um tempo para pensar, repensar e… sei lá! Viver um pouco. Acho que consegui. Do meu jeito, mas consegui. E o ato de te escrever causa-me um baita sentimento invulgar. A ideia de tê-la na cabeça, ter de me concentrar na sua imagem para me expressar, faz parecer com que todo esforço que fiz para esquecê-la tenha sido em vão.

É, pois é. Estou confessando de que toda essa distância pouco adiantou. Não tenho medo de imaginar sua reação quanto a isto, já não alimento mais o próprio orgulho com o mesmo frenesi de outrora. Todo esse tempo longe só me fez perceber o quão babaca fui, por nunca ter feito questão de ficar por perto.

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A maldição do Sr. Capital

Sentado no meu trono, saboreio todas as notícias com um olhar esperança ao próximo e ao mundo. Isso não esconde o fato de que lá no fundo, estou mentindo para mim mesmo. Se a existência for um teatro, eu sou o escravo que disfarça a omissão de suas verdadeiras ideias, dos verdadeiros sentimentos.

Aperto suas mãos, lhe presenteio com um sorriso. Digo-lhe palavras bonitas, dou-lhe memórias impactantes. O que não quer dizer que compartilhamos, essencialmente, a mesma felicidade, ou que deverás compartilharemos um dia. Na verdade o que faço, pouco significa. O que sou, talvez, realmente importe, enquanto o ato de “importar” quitar o preço de minha pessoa.

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O último inverno dele

 

A neblina cobre tudo, é tão espessa que acho que posso senti-la, enquanto isso, os seus olhos se dissolvem no tempo, e quase não consigo me lembrar deles.
Parece que foi ontem, como sempre, o tempo passa rápido demais…

O verde musgo cobre tudo, não é possível diferenciar as árvores que nasceram, talvez, onde seus pés já pisaram.

Felizes, por estarem onde queriam, em meio aquela natureza de tons mortos, e perdida entre pedrinhas brancas e quartzo negro.
E ali se desfizeram ou desfazem, onde nasceram e se moldaram, perdidos e agonizados, cheios de medos e ódios ocultos.

Seu ser tão seu, que não se espalhava, como grãos de areia, agora se foi com o vento. Continue lendo “O último inverno dele”

Selene

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Selene, do grego: “Selini” é a deusa da Lua

 

Quantos homens você continuará a magoar até perceber que o problema não está na espécie masculina, está em você?

Quantas estações se passarão, quantas lágrimas cairão e quantas rugas ainda precisam cicatrizar, no seu lindo rosto, para que percebas o óbvio? Tua verdade evidente. Cada nova relação amorosa, carrega a mesma versão, sempre contada por diversas línguas -, todas gritam, numa só voz, que tens um enorme problema capaz de manchar todos os corações que, ingenuamente, se acham habilitados para ajudá-la, quando nem mesmo tu, se preocupas com a cura.

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A febre do novo século

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Eu não sei vocês, mas acho que o mundo está ficando cada vez mais sem graça. Não sei se estou batendo na porta da sabedoria ou da loucura. Contudo repito: ao meu ver, todos os dias, todas as horas, todos os momentos são preenchidos pelo tal do “mais do mesmo”. 

São sempre as mesmas pessoas, as mesmas músicas, os mesmos delírios, os mesmos temas. Não há inovação, empreendedorismo, novidades de vida. Aliás, nos últimos anos, “novidades” são ideias idiotas e recicladas -, Um museu reformado merece ser chamado de novo? Não! Não que Eu saiba. Não adianta reformas externas quando o conteúdo é batido e obsoleto. Minha geração é preta e branca, não cinza, simplesmente preta e branca. Vejo “cinza” como uma constante, tipo o céu nublado nos dias em que o sol está tímido. Dessa vez é diferente: o Sol realmente não deseja comparecer.

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