About passion

Você não se apaixona por uma pessoa, se apaixona por um perfil. Por uma personalidade que, se remodelada, leva sua paixão para o caixão. Segundo o dicionário, uma das definições da palavra perfil é “descrição em traços rápidos: retrato moral de uma pessoa”. Logo, você se apaixona por um retrato moral e não pelo indivíduo em si.

Sustento essa hipótese há alguns anos e o que não me faltam são argumentos para defende-la. O maior deles está no fator arrependimento. Basicamente é o seguinte: todos somos seres mutáveis e enfrentamos diversas transições com o passar dos anos. Na medida que em que a nossa individualidade se altera, novos atributos são somados a nossa personalidade, outros são subtraídos e alguns são modificados. Afinal as mudanças fazem parte da vida. Dentre esses atributos subtraídos, ou seja, descartados, estão os arrependimentos e desgostos das escolhas passadas. Por exemplo: Quem nunca se arrependeu de um relacionamento na adolescência? Quem normalmente se arrepende, possui uma boa justificativa para tal. A maioria diz que se arrepende porque era inexperiente, limitado ou inocente… Ou que não sabia exatamente o que era “o verdadeiro amor” (como se o amor verdadeiro exigisse uma infinitude de experiências fracassadas para funcionar). Os arrependimentos são remorsos adicionados diariamente ao nosso baú do passado. Novas esperanças e estratégias assumem as lacunas deixadas por esses remorsos. Esse processo de troca é semelhante a mudança de pele das serpentes – o que fica pra trás é o nosso modo anterior de ser/agir, totalmente defasado e obsoleto. O que segue adiante é um perfil blindado, com um pouco mais de sabedoria, pronto para novos desafios, evitando a repetição dos mesmos erros.

Continue lendo “About passion”

Dúbio

Olá, Débora.

Obrigado por escrever e por ainda se preocupar comigo. Estou deixando o hospital, o gesso coça um pouco, mas vou sobreviver.

É gostoso poder parar e elaborar, finalmente, uma resposta decente pra ti. Você me conhece como ninguém, sabes que no que tange ao coração, sempre fui um tanto covarde. E confesso que estando escondido atrás das letras, consigo ser mais claro e sincero sobre o modo como me sinto. A vida continua cansativa, infeliz e dolorosa. Exige muito de tudo o tempo inteiro. Agora, depois do nosso termino, muita gente anda se aproximando e perguntando como me sinto, se superei, se está tudo bem comigo. Dou uma resposta rápida em quase todas as vezes. É aquele esquema; a maior parte das pessoas que se encontram na mesma situação, mentem quando são indagadas, dizem que tudo está muito legal, esticam um sorriso e mudam de assunto. That’s all.

Embromar ao ouvir esse tipo de pergunta é uma atividade notória, já inclusa nas regras do nosso firewall pessoal. Então, quando questionado, também minto que as coisas estão ótimas, quando na verdade me sinto péssimo. Todo mundo sabe que não se deve falar da vida privada a qualquer um, não se deve bancar o maluco depressivo das pracinhas, das igrejas, das filas de banco, ou do elevador. Afinal, nem toda pessoa que deseja saber como estamos está, de fato, interessada no nosso bem. Entretanto você não faz parte dos fofoqueiros que me rodeiam. E já que me escrevera cobrando um desabafo, tentarei ser o mais sincero possível, descrevendo o que existe de mais indescritível no meu ser.

Continue lendo “Dúbio”

Carnevale

Droga!

Maldito tempo de festa

Tórridos dias de ódio

Ferventes noites de prazer

Composição dos quatro episódios

Dessa série que não tem você

Poxa!

Por que me deixou aqui sozinho?

Não danço, não canto e nem vibro

A letra do meu samba só leva saudade

Solitário, sem ritmo e perdido

Só vejo desvantagens nessa tal liberdade

Então!

Já aprendi a pensar na segurança

O Rio tá chato, sem confiança

Elejo uma cama e sua companhia

Te quero de volta, morena

Que se dane blocos

pessoas

folia

Elipse

Eu senti vontade de fazer uma última pergunta e, como não sou muito de enrolar, peguei o celular e mandei uma mensagem. Era de tardinha, estava preparando um café. Meu açúcar havia acabado, decidi adoçar com mel. Não tenho nada contra o mel, ele cumpre sua parte, porém o gosto, é claro, não fica o mesmo. Nunca fica. Tipo esses relacionamentos que nós arranjarmos pra suprir uma carência. A carência não é nada mais, nada menos, que a falta daquele carinho, daquele toque, daquela voz, daquela assistência, que não é exatamente a de qualquer pessoa — é aquela que agrada, que satisfaz, que deixa marcas, que conquista, em gênero, número e grau. Todavia sou um ser humano, meus dias são curtos. E não ficarei sozinho na ausência do substantivo que deveria cumprir esse papel. Se não tenho my sugar, reponho com o mel; se não tenho quem amo, perco algumas temporadas curtindo a companhia de outra pessoa. Com outro alguém, a vida é diferente, mas continua sendo uma vida. Com o mel o sabor do café é diferente, mas, ainda assim, continua sendo café.

Continue lendo “Elipse”

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: