Na mira da coragem

Existe um hiato terrível entre o início eufórico de uma festa e a exaustão do seu término. É um estado emocional que normalmente ocorre após o vigésimo copo de bebida; a cerveja fica um pouco mais amarga na sua boca e você não consegue mais rir das mesmas palhaçadas. Bate um princípio de reflexão, você olha ao redor e nota que as músicas não são lá tão legais assim, as pessoas não são tão interessantes e a coisa toda não parece ter o mesmo brilho que pareceu ter, no decorrer da semana, quando tudo ainda não passava de expectativa. É foda quando acontece. É foda como acontece. É como um despertar da realidade em um momento desnecessário, é como furar o que os budistas chamam de “bolha”, é como ser um testemunha de Jeová durante uma Rave cheia de alucinados, em síntese: é como ter uma ejaculação precoce.

Nesse dia eu fui a bola da vez e acabei herdando a sensação. Beatriz estava em cima da mesa rebolando e girando o casaco, Júlio mandava uns passinhos romanos com outros funkeiros que ele (e eu) nunca viu na vida. Ele não sabia dançar, era um maldito estoquista com a coluna travada. Contudo não sei se posso chamar aquilo de dança. Eu, por outro lado, era o diferentão: estava sentado na cadeira, quieto, puto, entediado, com fome, enjoado, com a bexiga explodindo e com uma cara de diarreia. Meu copo semi cheio estava na mesa, mesa em que a Bia rebolava. Fiquei sacudindo um sachê de açúcar com a mão, sem fazer nada, tentando compreender o sentido filosófico por trás da minha melancolia. Uma amiga nerd me narrou as causas desse efeito uma vez; ela dizia que ficávamos pra baixo após o consumo imoderado do álcool porque um neurotransmissor filho da puta mexia com o nosso sistema Gama, entristecendo as atividades cerebrais. A recomendação dada era o consumo do açúcar, ou o afastamento dele. Eu não sei, eu não lembro. Sempre fui péssimo com biológicas então deixei de entender a explicação dada por ela logo após ouvir o primeiro termo técnico. No entanto, possuo uma opinião diferente da dela. No meu entender essas coisas só acontecem quando o destino sussurra no seu ouvido um breve e curioso aviso: toma cuidado, ou tudo pode acabar dando merda. Pois é. A vida é sempre um risco. E eu estava lá tentando me decidir o que fazer com aquele sachê.

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O enigma dos pastéis

Rio de Janeiro, Junho de 2004.

1

Acendi meu cachimbo e liguei a TV para assistir à final do Flamengo na copa do Brasil. Arrastei uma cadeira da cozinha pra sala e, no caminho, abri a geladeira. Dei uma olhada geral, não tinha o que morder. Pus no colo o último engradado de cerveja e voltei pro jogo. Na sala, não encontrava o controle da TV em lugar algum. Fui obrigado a levantar três vezes para aumentar o volume. Quando ficou legal, sentei, cruzei as pernas, abri a primeira latinha e relaxei. O tempo correu, o jogo estava pra começar. Tudo ia muito bem, até alguém bater na minha porta. Três vezes: rápido, alto, oco. Eu conhecia o tom e já sabia quem era.

Puta que pariu… Logo agora? Droga!

Não adiantava reclamar muito. O som da televisão me entregava. Além disso, já era tarde, ele sabia que eu estava em casa. Levantei novamente e dei um gole. Caminhei até a porta e abri. Gregório estava do outro lado, com sua cara de cínico, seu casaco de 200 anos, seu cabelo branco e sua barba pra fazer.

Jooooonass, meu grande amigo! Quanto tempo! Boa noite rapá.

Ih… Você? Lá vem! – Respondi. Quando ele paparica demais, é porque planeja alguma.

Que isso, meu amigo. Tenho uma quente pra gente. Dinheiro certo! Você não vai se arrepender. Posso entrar? Tô morrendo de sede…

Vai embora, Greg. Tive um dia fodido. Meu aluguel está atrasado, o proprietário está puto e não posso vacilar. Por favor, não enche meu saco e nem cause problemas.

Qual foi, irmão? Não vai nem ouvir o lance? Tô falando pra tu, o negócio é quente… Se funcionar, não precisaremos de outro golpe tão cedo.

Eu não tinha muitas opções. Ele estava parado na minha porta, zoando, sorrindo e falando merda. Um malandro desgraçado nato, qualquer um reconheceria isso. Não há como correr de gente assim, ou eu dava um soco e fechava a porta, ou deixava ele entrar. Deixei. Pelo menos dentro de casa a vizinhança não iria vê-lo. Tranquei a porta logo após e voltamos pra sala.

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Heterocromia

Adilson sempre teve um fascínio enorme pelo olhar feminino. Se uma garota de olhos claros passasse pela gente, ele logo ficava encantado. Sua mente silenciava, a realidade parecia rodar em câmera lenta como nos filmes. Era horrível quando estávamos juntos e acontecia isso, pois eu era obrigado a repetir tudo que estava dizendo assim que sua cabeça voltasse do mundo da lua. Como usávamos o metrô para ir e voltar do trabalho, era comum vê-lo chegar no departamento falando de alguma guria cotidiana de olhar oceano ou esmeralda. “Estou xonadão, brother!”, dizia, repetia… Enchia o saco. Quando ele vinha assim, com um sorriso abobalhado na cara, tanto eu quanto o restante da equipe já sabíamos do que se tratava. Era uma paixão diferente todas as vezes. Diferente, claro, se ignorarmos o elemento comum entre todas as moças.

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Previsivelmente imprevisível

Depois que largamos o expediente e trancamos a empresa, caminhamos até a esquina da rua e sentamos na mesa de um bar. Era o único bar em três quarteirões, nosso point certo de todas as sextas-feiras. Não ficamos dentro do bar, pegamos uma mesa na calçada. Era a trupe de sempre: eu, Joana, Alexandre, Eduardo, Renato e Erica. Ao sentar o Eduardo (ou Dudu, para os íntimos) quase quebrou a cadeira. “Calma ai cacete! Mal chegamos e tu já quer tirar dinheiro da minha carteira?”, disse Alexandre, nosso patrão. Todos gargalhamos e, em seguida, a Joana pegou o menu. Era uma tarde ensolarada, horário de verão. Estava um pouco abafado, mas corria vento entre as folhas das árvores mais altas. Um pagode dos anos 90 tocava ao fundo, abafava as sirenes presentes em algum lugar ali perto. O Flamengo iria jogar dentro de algumas horas, na mesa ao lado alguém falava mal da Dilma. Num período entre trinta a quarenta segundos após nos ajeitarmos ali, todos juntos começaram a mexer no celular. Uma espécie de hábito ou ritual inconsciente. Joana largou o cardápio, Renato pegou, mas jogou na mesa em seguida. Alexandre abriu o aplicativo da câmera, cutucou Joana (ou Jô, para os íntimos). Eles tiraram uma foto. O celular de Eduardo tocou em seguida, “Ih fudeu! Minha mulher, pessoal. Ela não pode saber que tô aqui. Calma ai, povão; Já volto”, disse. Em seguida se levantou e se afastou do bar, ele gesticulava bastante enquanto falava ao telefone. Eu estava sentado na ponta da mesa, Alexandre na ponta oposta. Erica estava a minha esquerda, Renato a direita. Dudu a direita de Renato e Joana a esquerda de Erica. Eu também cai no vezo de me envolver no celular, estava olhando o Facebook até Erica colocar a mão direita no meu braço. Ela tem uma pegada leve, poderia ser massagista e ganhar muito dinheiro nisso, entretanto se formou em administração e passava o dia organizando documentos do arquivo. Vivemos numa era onde as pessoas são felizes exercendo aquilo que gostam e não aquilo que são geneticamente propensos a fazer. Seria o tipo de atitude passível de banimento nas tribos pré-históricas, talvez. Atualmente é algo bonito de se ver, demonstra liberdade. Todavia no caso dela, em especial, eu realmente acho que ninguém com a mente sã gostaria de trabalhar em meio ao stress dos arquivos. Reparei nos seus dedos, notei que ela estava sem a costumeira aliança. Foi uma sacada rápida, logo subi o olhar e ficamos encarando um ao outro. Ela só queria me passar o cardápio, porém seu corpo estava falando ao meu corpo que aquele ato significava alguma coisa subentendida. Era isso ou, quem sabe, só fui abalado pelo seu dom natural.

Anda! Escolhe ai, Marcus – Ela disse me passando o menu. Peguei a folha plastificada, dei uma leve lobrigada e respondi.

Acho que deveríamos pedir uma porção de gurjão. Aquele maldito molho é delicioso! – Disse olhando para a imagem das iscas de frango.

Porra! Eu te passei pra escolher algo para bebermos. Você só pensa em comer, Marcus. E comer só frango, infelizmente… – Respondeu Erica.

Todo mundo riu e o garçom chegou. Alexandre não deixou ninguém falar, assumiu o lance. Ninguém teve a ousadia de sair pedindo, até porque ele insistiu o dia inteiro que iria pagar a conta. Quem paga a conta exerce também um direito de superioridade moral não esclarecido sobre todos os demais elementos da mesa. Qualquer um que bebe sabe bem disso, um axioma esclarecido. Ninguém assume em português claro porque é desnecessário.

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Consequências

O cheiro forte de tinta se espalhava por quase todo escritório, a coisa andava complicada assim há semanas. Ainda bem que as obras realizadas nos corredores do prédio estavam acabando, logo a galera do contábil poderia voltar a respirar em paz. O negócio fica num edifício na Presidente Vargas, lá em cima, no vigésimo andar. É uma pequena empresa próspera com o ramo de varejo. Só trabalham sete pessoas no local, entretanto quatro delas faltaram. Não por querer, longe disso! É que o transito carioca foi um caos pela manhã. Os que conseguiram chegar mal sabiam que a volta seria bem pior… Típico de uma sexta-feira no Rio.

Amanda estava guardando algumas documentações na sala do chefe, um dos colaboradores ausentes do dia. Ela era a “patroa” na ausência dele. Brenda e Mathias estavam finalizando uma parte do trabalho na planilha compartilhada. Ele é contador, ela auxiliar administrativa. O escritório tem poucos metros, porém era provável que, com a porta aberta, fosse possível ouvir do corredor a velocidade de digitação do Mathias. Tec,tec,tec,tec,tec,tec… acelerava a edição dos dados sem fim, estava louco pra chegar em casa. Não havia nada de especial esperando por ele além de um engradado de cerveja e, talvez, pornografia. Mas cada latinha de álcool daquelas era seu conforto da solteirice. Era válida a velocidade, seu lado emocional agradecia. Num dado momento, Brenda olhou para o celular e sorriu. Virou para o amigo e soltou uma novidade;

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Infidelidades

Rio de Janeiro

Paulo (ou Paulão para os íntimos) tem 37 anos de idade, é casado e não possui filhos. Ele é negro, alto, forte e anda com uma cara de poucos amigos. Tem uma tosse chata, mas não é fumante. Anda rápido, mas puxa um pouco a perna. Na noite em questão, estava voltando pra casa. Tinha acabado de descer do trem e seguiu caminhando até o fim da estação, fez uma pequena pausa e pôs um dos pés no banco de madeira a fim de amarrar o cadarço. Não me recordo o nome da estação, “Parada de Lucas” talvez. Ele não pertencia as comunidades dali, contudo sua residência ficava num bairro próximo. Após arrumar o tênis, regrediu para a rota padrão de casa. Na escadaria, puxou o celular e deu um toque para a esposa, Maura. Queria saber o que tinha pro jantar. O dia foi puxado, o patrão ficou no cangote e por isso fora obrigado a engolir a quentinha. Também não houve tempo pro café da tarde, fato que ajudou a colaborar com a rebelião da fome em seu corpo. A boca já salivava desde a Central do Brasil, o quadro já estava bem pior quarenta minutos depois. Mal sabia ele que, naquela conversa, Maura estava prestes a lhe dar uma má notícia;

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Congênito

Borboletas no estômago!

Este é o nome! Li por ai!

Sim. É isso o que eu sinto…

Toda vez que sou obrigada a te encarar,

Minha barriga gela, corrompe meus instintos.

Sinto-me lançada entre as ondas do mar,

Sensação estranha no umbigo.

 

Cara, eu não posso nem vê-lo passar,

Se der margem teremos problemas,

Mó vontade de te agarrar, guri!

Uma pena, uma pena…

Você não nasceu pra ser esquema.

Você é amigo!

Com amigos, remediam-se os instintos.

Mas sim! Dá vontade de te agarrar!

Sempre que vejo teu lindo sorriso.

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Efêmera

Hoje eu tive aquele mesmo desejo de quando conversamos semanas atrás, ou melhor dizendo: o velho desejo que me acompanha desde a noite em que te conheci. Falo da vontade que dá de catar sua atenção, sempre que a saudade bate, ou sempre que a química entra novamente em sincronia.

As vezes penso em enviar uma boa música. Convenhamos e concordamos: não há nada melhor do que assuntos sustentados sobre uma bela composição. Noutras vezes penso em abordar o tema de um novo livro. Enredos e loucuras literárias são sempre bem-vindas, afinal de contas até mesmo a nossa amizade caberia nas páginas de uma.

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[+18] Há tempos

Havia acabado de sair do banho quando notei que o celular estava largado no chão da cozinha. Sou desses que preferem andar com o aparelho no modo vibratório, ou seja, se ele despencou por mais de um metro da bancada ao piso, significa que alguém me ligou de forma incansável. Peguei o aparelho e caminhei pelo corredor no caminho ao quarto. Quando desbloqueei a tela, vi que a quantidade de ligações pertenciam a Clarisse, minha melhor amiga. Desesperada (como aparentava estar), fez questão de chover meu WhatsApp de mensagens, antes mesmo de tentar partir para o contato direto.

Quando procurei saber o porquê de tanto alarde, assustei-me com a última mensagem enviada por ela;

Allan… Está decidido! Vou me matar! Adeus meu amigo, dessa noite eu não passo.

Quando li aquilo, o smartphone encontrou o chão novamente. Não me recordo de ter colocado uma sunga, esqueci-me completamente de onde guardava minhas blusas. Apenas vesti a primeira calça que encontrei jogada na casa e corri em direção ao ponto de ônibus.

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Inerente

Estávamos aproveitando a noite quente de verão para conversar sobre o passado e vislumbrar o futuro, brincadeira de toda gente sã e tranquila. Num dado momento o céu iluminado foi invadido por uma nuvem trovejante que nascia no Norte e aos poucos, foi devorando as estrelas. Subimos novamente a rua de casa e sentamos num dos bancos de concreto de um bar que estava fechado. No caminho, ela comprara um saco de jujubas e dividimos os doces, sem, é claro, perder o foco da situação.

Aryani estava obcecada em defender a tese original da conversa, a questão que motivou o encontro. O teor dos argumentos não deixava dúvidas de que ela estava disposta a morrer cultuando as mesmas ideias;

Todo homem é um babaca! – Ela exclamava. E não parava só por aí. A Ary era dessas que falavam bem, mas não sabiam ouvir.

Você, meu grande amigo, não é nem uma exceção. É um esforçado! Pois faz questão de ir contra a própria natureza – a natureza da canalhice! – Completou.

As ofensas da minha amiga (e falo de ofensas a espécie, pois não levei para o lado pessoal) eram errôneas, claro. Ela estava equivocada. Por um lado, não existem provas biológicas, cientificas, históricas, ou até mesmo teológicas de que todo homem na fase adulta, sem exceção, é um completo babaca. E entenda-se “babaquice”, ao menos, na forma como ela aborda, como uma graduação com ênfase em machucar corações femininos. Existem caras diplomados nisso, outros além de diplomados, são experts, pois dão aulas do assunto. Todavia não são todos os homens que se enquadram ao caso e eu sei que no fundo ela possui consciência disso. Porém a nervosinha não perdoava a razão, pelo contrário: fuzilava a mesma constantemente, com balas e mais balas de generalizações diversas.

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CineLove

O que será que você achou de mim?

Eu sei que a resposta está aí, em algum lugar, no intervalo entre o sorriso e a próxima pipoca.

Não imagina o quão tolo fui, nos anos que perdi pagando de sábio. Repetição dos mesmos erros; “admirável novo choro”. Bancando o certo enquanto estava todo errado, fingindo evolução mesmo nadando ao contrário.

Peço perdão pelo tempo em que estavas aqui e eu não “vi” você. Reflexões fazem um homem cair na real e a minha realidade anda pulsando num coração pesado. Coração que demorou, mas se tocou, tardiamente, que o seu status é grande demais pra se manter na amizade.

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Codinome: Duda

Peço perdão aos pais, professores, livros de autoajuda e aos amigos conselheiros de forma geral, pois, infelizmente, apesar das lindas, confortantes e inteligentes palavras e suas teorias, existem lições da vida que são absorvidas apenas na prática. Às vezes de maneira doce, as vezes salgada. Nesse caso em especial, tive que sentir na pele o que nenhum grau de temperança foi capaz de deter: aprendi, pelo método mais doloroso, que a saudade é um sentimento que por si só já machuca. Contudo costuma doer ainda mais quando se sente a falta daqueles que amamos… aliás, depois de certas experiências vividas, conclui que só existem estilhaços de saudade – no sentido cru da coisa – nos corações em que, outrora, predominou o amor.

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Caro amigo confidente

Caro amigo,
Ainda hoje lembrei-me de você, ontem não me lembrei porque ontem ainda erámos amigos.
Sinto sua falta, mas sei que nada será como antes. Você conhecia todos os meus planos, tudo aquilo que eu era você sabia e desenhava com os dedos cada uma de minhas falhas. Era a minha carta de culpa perante o tribunal, meu ego e meu mundo.
Poderia mergulhar em você  imaginando-me no oceano, mas eu sabia que eu me afogaria a cada vez que olhasse para sua face.
Ainda ontem erámos amigos, mas esse ontem meio distante já fez alguns anos, quem mudou primeiro: Eu ou você?
Ou tudo se fez ou desfez depois que seus olhos começaram a me acusar?
Quantos foram os nossos passos em falso, as promessas que não foram cumpridas e que foram justificadas com a outra promessa não cumprida de cumprir a promessa anterior?
Planejávamos fugas, mas não sabíamos esconder do nosso próprio instinto destruidor. Continue lendo “Caro amigo confidente”

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