I Guess That’s Why They Call It The Blues

As flechas surgem nos momentos de fragilidade. As dores aparecem mediante ao temor. Os golpes atestam a traição, o desespero conclui a infelicidade. Nem as trevas noturnas são tão deprimentes quanto os dias mais cinzas. A solidão da noite não é nada quando comparada ao conjunto de horas esperando uma solução, aguardando pelo pior, encarando problemas cada vez mais inimagináveis, intensos, infinitos.

Minhas antigas carcaças se acumulam no quarto. São os rascunhos de cada um dos fracassos, comprovantes de décadas tentando, mudando, recomeçando, se adaptando, se ajustando. Lendo a bula do remédio, ouvindo a fala do psicólogo, fazendo a simpatia da semana, devorando as propagandas do rádio. Uma pena que nada adiantou, nada nunca adianta. Meu corte de cabelo é novo, mas os dias continuam cinzas.

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Novembros e lembranças

É começo de novembro, as chuvas tomam violentamente os sertões, os céus se vestem de raios intangíveis, a vegetação já acorda do sono noturno, na mente apenas lembranças de um findar, como se o sol escolhesse não alumiar mais os mortais. A parecer os ventos fortes a saudade se recusa a partir, e junto a mim apenas um disco de Vital Farias e um chimarrão para me aquecer nesse feriado chuvoso… Veja bem, não posso chorar pois sou estóico! Pensamentos e histórias passeiam em minha mente, do que me lembro agora? De Andrea Doria, a música de Legião que não me faz mentir… leitor, não dê crédito a essas insensatas palavras, pois nelas só há tristeza e melancolia, não há final feliz como nos filmes. Minha vida é marcada por novembros, desde então tais tem sido minha sina.Uma combinação de situações sem sentido que tem marcado minha passagem por aqui, lembranças de um antigo amor que vagam a me encontrar. O que posso fazer perante tudo isso? Há apenas dois caminhos nessa aporia, um deles é permanecer firme como um legionário romano suportando tudo internamente e não dar sinais qualquer do que estou sentido. A segunda escolha é eternizar em versos, poemas e lamentos tudo isso, mesmo que não venha a resolver, mas o rio em seus circuitos precisa encontrar-se com o mar inevitavelmente. E estou eu aqui, por palavras soltas lhe contanto uma dessas coisas que surge em nossas vidas para nos machucar e quebrar-nos por inteiro. Faz parte da vida também o sofrer…

(Acontecimento real com um amigo meu) Continue lendo “Novembros e lembranças”

Imodéstia

No latim a palavra vanitas, significa tanto vaidade quanto vazio. Ou seja, quando vivemos pela vaidade, vivemos pelo vazio. A vaidade tem cheiro, tem cor e múltiplos nomes. Está no agir, no pensar, no falar, no criar, no desenvolver. E, como escreveu certa vez o frânces Stendhai, a maior parte dos homens do mundo, por vaidade, por desconfiança, por medo da infelicidade, só se entregam ao amor de uma mulher após a intimidade. Ao meu ver, Stendhai estava certo. Esse talvez seja o motivo pelo qual algumas mulheres acreditam firmemente que podem despertar o amor de um homem apenas com suas habilidades sexuais. Existe um pouco de verdade nisso, existe um pouco de mentira. Para realizarmos a distinção, precisamos compreender dois pontos. Primeiro: “a maior parte dos homens”, não significa todos os homens. E cá entre nós a maior parte dos homens são realmente idiotas, verdade seja dita. Não por cultura, religião ou grau de conhecimento, a idiotice masculina transcende esses detalhes técnicos, ela é quase… quase um padrão genético. Poucos são os homens que ultrapassam esse padrão ou nascem sem ele. Essa minoria corresponde a parcela masculina que fica ofendida não só com as palavras de Stendhai, como também com todos os demais insultos genéricos existentes no mundo. Segundo: quando cito “algumas mulheres”, obviamente descrevo um grupo que não representa a maioria feminina, muito menos sua totalidade.  Simboliza somente uma minoria que se especializa na arte de assegurar a fidelidade masculina através das frações de orgasmos.

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