A beleza consola o mundo

Se não fosse a contemplação das coisas belas tudo estaria terminado em um absurdo de vazio e sofrimento, tudo estaria acabado antes mesmo de começar. Nossos dias se tornariam ainda mais sem sentido e sem graça pois o infinito cinza não teria valor algum em si mesmo. As almas com pouca autoconsciência não sentiriam tanta dor assim, já que repetem dormentes como máquinas de vagões as multidões inquietas… Continue lendo “A beleza consola o mundo”

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Do lado de dentro

 

Pensou ter se livrado de tudo depois de ter perdoado e colocado as lembranças em um lugar profundo da mente. Achou ter perdido a chave daquilo, e enganou-se não fazer mais parte disso. “Estou livre” – iludiu-se. Às vezes ela via aquele curativo frágil, mas ignorava o que ele cobria. Por baixo do esparadrapo, a queimadura ainda ardia, inflamada e dolorida. O lugar se avermelhava e se aquecia, lá, mesmo que ela fingisse não ver, as coisas aconteciam.

Era final de outono, a cidade se lavou de um chuva que ela não viu cair, e se enfeitou de algo que ela não soube descrever, mas até o cheiro forte de incenso da rua, ou o fato de na rua escura está somente ela porque no mundo dela era ela e ela, não pareceu incomodar.

A blusa de inverno a abraçava e aquecia. Em casa ela tirava o casaco, sem ele até a respiração parecia uma ventania. Inspira e expira. Para dentro, para fora. Era o processo natural do vento voluntariamente obrigatório para manter-se viva. Continue lendo “Do lado de dentro”

Na minha cozinha

Mergulho o anelar direito no bolo de chocolate,

Eu não sei: acho que estou sorrindo.

Mas não é qualquer sorriso — distinção que aprendi a fazer.

É o sorriso perfeito. Aquele feito pra você.

Ouço o sino da catedral. A hora é exata e a fala é muda.

As folhas vagueiam lá fora; no tempo, no vento, nas memórias.

Aponto o dedo, você chupa. Transpira. Fecha os olhos. Lambe.

Quente, salaz, tentador, inolvidável, lúbrico, Ual… apetecível!

Trovejou em mim; intrínseco.

Vai chover lá fora; inelutável.

Eu não sei: acho que estou feliz.

Mas não é qualquer felicidade — distinção que aprendi a fazer.

É tê-la de cerne na vida. Coisa que outrora, optei por esquecer.

Hoje não foi um dia lindo

Estava lendo Matilde quando me lembrei de você. Era fim de tarde. Começou chover. Uma chuva tão repentina quanto o nosso encontro naquela tarde. Será que você ainda consegue me ouvir?

Olha, “Yoko” ainda é a minha música favorita. Eu ainda te escuto. Arrumei o quadro que estava torto na parede. Segui aquele negócio que você falou pra usar sempre que fosse colocar algo na parede – não lembro como se chama -, importa é que agora o quadro não está mais torto. Isso é bom, não é? O quadro torto tinha um certo charme, mas ninguém gosta de olhar para uma parede e dar de cara com um quadro torto.

Saí apressada de casa ontem e deixei a chave na porta; não tinha você pra gritar da janela que eu havia esquecido. Lembrei que havia esquecido a chave na fechadura e voltei quando já estava no ponto de ônibus. Saí correndo pra pegar o ônibus. Cheguei atrasada. Tomei chuva na volta e ao chegar em casa ouvi “Terno Rei” até as duas da manhã.
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Innermost

Try to unravel my persona, my work, my World. However, never try to unravel my heart. My heart is an attic locked, sealed, hidden and protected. Guarded in the confines of the basin of souls and defended by the most powerful spirits.

It’s in him, about him and inside him, that all magicians, sages, poets, lovers, fairies and angels deposit their ideas, their sorrows, their projects of glory, their interpretations of the world and their unfinished desires. My job is to give birth to all of this.

There are, within that attic, pieces of the most varied riches. Alone, it is nothing and, together, are the best things that could come from the hands of a man.

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Esse momento

É na noite que surgem minhas poesias, como se o frio do vento rompesse cada pedaço dessa capa que me impede de expressar meus sentimentos românticos, quaisquer que sejam. Como se a noite estrelada iluminasse o coração desse poeta amador. O silêncio se faz lá fora, pois aqui dentro minha alma grita de amor. A noite é como o beijo da mulher amada com gosto de café…

Escrevo, amo, descrevo!

Sinto-me vivo, completamente vivo e intenso…  São esses pequenos momentos que fazem me sentir completamente humano e por-me em um estado de contemplação…

Que nada apague sua doce lembrança, seus sentidos, seu agora…

Não sabem eles que esse cara feio e rude carrega dentro de si a mais pura paixão, não sabem eles que tudo é passageiro e que nada dura pra sempre, não sabem eles de meus escritos e nem saberão! Eis que a máscara não grudou a minha cara, posso tira-la as vezes a noite.. Escrevo agora não como um personagem mas como o próprio autor que se confunde com sua obra…

 

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