Na minha cozinha

Mergulho o anelar direito no bolo de chocolate,

Eu não sei: acho que estou sorrindo.

Mas não é qualquer sorriso — distinção que aprendi a fazer.

É o sorriso perfeito. Aquele feito pra você.

Ouço o sino da catedral. A hora é exata e a fala é muda.

As folhas vagueiam lá fora; no tempo, no vento, nas memórias.

Aponto o dedo, você chupa. Transpira. Fecha os olhos. Lambe.

Quente, salaz, tentador, inolvidável, lúbrico, Ual… apetecível!

Trovejou em mim; intrínseco.

Vai chover lá fora; inelutável.

Eu não sei: acho que estou feliz.

Mas não é qualquer felicidade — distinção que aprendi a fazer.

É tê-la de cerne na vida. Coisa que outrora, optei por esquecer.

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Innermost

Try to unravel my persona, my work, my World. However, never try to unravel my heart. My heart is an attic locked, sealed, hidden and protected. Guarded in the confines of the basin of souls and defended by the most powerful spirits.

It’s in him, about him and inside him, that all magicians, sages, poets, lovers, fairies and angels deposit their ideas, their sorrows, their projects of glory, their interpretations of the world and their unfinished desires. My job is to give birth to all of this.

There are, within that attic, pieces of the most varied riches. Alone, it is nothing and, together, are the best things that could come from the hands of a man.

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piso frio do meu peito

andando descalça no piso frio do meu peito, tiro as roupas, estico-me em frente ao espelho. danço achando que tenho jeito, viro pros lados, estremeço, finjo que não existe mais nada. questiono-me quem sou mesmo que viva apenas o instante, dói não saber dizer nada… se sou pedaços do agora ou do passado, não entendo os pedaços que perdi no piso frio do meu peito. não dá pra achar culpado, tudo está aqui emaranhado e agarrado ao meu cabelo, a verdade intrínseca de ser eu, com medo de não ser mais nada. Continue lendo “piso frio do meu peito”

Carnevale

Droga!

Maldito tempo de festa

Tórridos dias de ódio

Ferventes noites de prazer

Composição dos quatro episódios

Dessa série que não tem você

Poxa!

Por que me deixou aqui sozinho?

Não danço, não canto e nem vibro

A letra do meu samba só leva saudade

Solitário, sem ritmo e perdido

Só vejo desvantagens nessa tal liberdade

Então!

Já aprendi a pensar na segurança

O Rio tá chato, sem confiança

Elejo uma cama e sua companhia

Te quero de volta, morena

Que se dane blocos

pessoas

folia

Pescador

Sonhar contigo é horrível!
E vou te dizer o porquê:
As lembranças acabam comigo,
Passo o resto do dia pensando em você.

Não posso te olhar com desejo,
Já decidi que preciso esquecer.
Mas quando os sonhos nascem do vinho,
Naufrago em perigo, não sei o que fazer.

Sonhei com você num barquinho,
Num frenesi de amar e ser amado.
Sonhei do tesão ao carinho,
Na proa, no cais, na rede e no nado.

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Congênito

Borboletas no estômago!

Este é o nome! Li por ai!

Sim. É isso o que eu sinto…

Toda vez que sou obrigada a te encarar,

Minha barriga gela, corrompe meus instintos.

Sinto-me lançada entre as ondas do mar,

Sensação estranha no umbigo.

 

Cara, eu não posso nem vê-lo passar,

Se der margem teremos problemas,

Mó vontade de te agarrar, guri!

Uma pena, uma pena…

Você não nasceu pra ser esquema.

Você é amigo!

Com amigos, remediam-se os instintos.

Mas sim! Dá vontade de te agarrar!

Sempre que vejo teu lindo sorriso.

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Charlie tinha razão

Tão certo quanto a falha,

Quanto a amarga falha da previsão do tempo.

Tão fracassadas foram as palavras dela,

Compactadas num término, sem razão ou sentimentos.

 

Mas eu conheço a semente que planto,

E no coração dela irei semear;

Charlie Brown estava certo!

Um dia ela vai voltar.

 

Tão certo que por vezes, belo.

De um verde musgo tal como o mar,

Oceano de pupilas cansadas da disritmia,

Amadas, perfumadas, amarguradas… andas sozinha.

 

Mas eu conheço a semente que plano, mano

E ela sabe o lugar na qual deve pousar,

Charlie, Charlie estava certo!

Um dia ela vai voltar.

 

Tão certo que desatento esqueço,

Lembro do nosso fim, cansou-se de mim; ó desatento!

Perdido no implexo dos perfumes-bilhetes,

Ficamos na dívida de um beijo a mais, um abraço a menos.

 

Mas eu conheço a semente que planto,

Não havia razão para me abandonar,

Charlie, o mestre, cantarolava mais do que certo;

Um dia ela há de voltar.

___

 

Ela vai voltar“, é a sexta música do álbum: “Imunidade musical”, da banda Charlie Brown Jr.

Antes das seis

Semanalmente me arrasto! E cansado encaro, um novo dia que se inicia.

Matinalmente absorvo abobado, nossas trocas de olhares, no lugar do “bom dia“.

Diariamente espiono seu caminhar (e como não amar?), cheio de beleza e ternura.

Momentaneamente disfarço que reparo, mas escondo o fato, de que já gabaritei tua rua.

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Veraneio Malogro

 

Cá estou! Tristonho, suponho.

Convicto das dores que colecionei com o tempo,

Desfalcado encaro, um cotidiano sem sabor,

Pois sem você, é claro, tudo que tenho é efêmero.

Cá estou! Tristonho, suponho.

Observando as rosas dançando na chuva,

Com as mãos calejadas desfaço as lágrimas,

Molhadas memórias, amargas entre as unhas.

Cá estou! Tristonho, suponho.

Condenado ao castanho dos seus olhos apáticos.

Reflexos que espelham meus medos e devaneios,

Emendas de dias, decepções em retalhos.

E cá estou! Tristonho, pressuponho.

Na insólita ilusão de vê-la retornar,

Padeço largado em débito com os medos,

Vitimado pelo funesto erro, de um dia lhe amar.

Sieamisai

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“Seamisai” é uma expressão italiana formada por um conjunto de três palavras. Basicamente, significa: “Se você ama, você sabe“.

Existe uma mensagem, um tom interpretativo, um gesto significante por trás do seu silêncio. Eu te abraço e você retribui. Ficamos calados, observamos… os detalhes e defeitos presentes no corpo um do outro. É incrível como um momento de tamanho simbolismo e amor não precisa, necessariamente, do uso das palavras.

 

E de fato o seu silêncio diz muito sobre você; os sinais do seu corpo sempre falam mais alto. Se tentássemos realizar uma comparação, nenhuma descrição de si mesma venceria a competição de sinceridade –, da tua pele que clama por um beijo, do teu corpo que precisa de calor, tua alma que se desmonta com um cheiro, sua boca que varia de sabor.

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Selene

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Selene, do grego: “Selini” é a deusa da Lua

 

Quantos homens você continuará a magoar até perceber que o problema não está na espécie masculina, está em você?

Quantas estações se passarão, quantas lágrimas cairão e quantas rugas ainda precisam cicatrizar, no seu lindo rosto, para que percebas o óbvio? Tua verdade evidente. Cada nova relação amorosa, carrega a mesma versão, sempre contada por diversas línguas -, todas gritam, numa só voz, que tens um enorme problema capaz de manchar todos os corações que, ingenuamente, se acham habilitados para ajudá-la, quando nem mesmo tu, se preocupas com a cura.

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