Sem norte

Nesse porto muitos chegam, mas todos vão

Na solidão o marinheiro controla o navio

Deixando-se à deriva

E em perigo

 

Nesse porto não há abrigo

Quem chega sempre está perdido

E como uma aparição

Vai-se embora

Deixando ao relento o marinheiro

Que acostumou-se a navegar no vão

E sempre voltar ao porto sem arrimo

 

O marinheiro é o próprio ermo

Lugar desabitado

O diferente que encanta

E que o costume desencanta

O amor que é despedido

Quando um novo amor é empregado

 

O marinheiro não tem câmera para fotografar os golfinhos

Não tem norte

Não tem sorte

Ao olhar a agua tão límpida do mar

Ele sente vontade de se entregar

Afogar-se no azul anil cor de horizonte distante

No verde cor de trevo de quatro folhas

No infinito finito

E por fim ao seu destino improvisado

Que ele acredita nunca ter começado

 

 

 

 

 

 

wind

Tempestades em copo d’agua
já foram meu forte
mas não mais
não mais.
Agora tenho gosto apenas pela tempestade
sem copo d’água pra me limitar.
Algo reluz
em minha mente
reluzente consideração
por aquilo tudo que sempre tive:
minha imagem no espelho.

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Infinita

tinha horas em que
queria ser infinita
…de repente
queria nem existir

sofria de
engasgamentos sentimentais

queria viver tudo que sentia
mas era tudo muito
coisa demais

queria ser infinita
mas o mundo em que vivia
a queria pequena, diminuta

sofria de
engasgamentos sentimentais

queria dizer tudo que a afligia
mas sufocava-se em palavras

um dia um engasgo profundo
tirou do mundo
alguém que tinha tudo

pra ser infinita

e ela que nem sabia
mas foi infinita
nos textos que escrevia

nos papéis que deixou
as palavras engasgadas
flutuavam

e assim
foi infinita aquela que

sofria de
engasgamentos sentimentais

 

 

Me enxerga

Já se decepcionou com si mesma a ponto de querer sumir? Já se sentiu inútil? Já quis viver isolada em uma ilha deserta? Já teve medo de não ser boa o suficiente? Já teve medo de não ser da forma que te imaginam? Vez ou outra chegam essas perguntas. Me faz refletir sobre muita coisa. Sobre os rumos que estou dando à minha vida…

Eu já quis / quero tanta coisa. Mas falta coragem, sabe? Falta coragem e sobra medo. Eu fico aqui paralisada enquanto o tempo vai passando. Eu fico aqui presa em mim mesma enquanto lá fora a roda gira. Eu fico aqui querendo tudo e não fazendo nada. Eu fico presa no olhar do outro e esqueço de me enxergar – do meu jeito, entende? -, de me ver pelas lentes dos meus olhos e não pelas de quem me cerca.

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