I Guess That’s Why They Call It The Blues

As flechas surgem nos momentos de fragilidade. As dores aparecem mediante ao temor. Os golpes atestam a traição, o desespero conclui a infelicidade. Nem as trevas noturnas são tão deprimentes quanto os dias mais cinzas. A solidão da noite não é nada quando comparada ao conjunto de horas esperando uma solução, aguardando pelo pior, encarando problemas cada vez mais inimagináveis, intensos, infinitos.

Minhas antigas carcaças se acumulam no quarto. São os rascunhos de cada um dos fracassos, comprovantes de décadas tentando, mudando, recomeçando, se adaptando, se ajustando. Lendo a bula do remédio, ouvindo a fala do psicólogo, fazendo a simpatia da semana, devorando as propagandas do rádio. Uma pena que nada adiantou, nada nunca adianta. Meu corte de cabelo é novo, mas os dias continuam cinzas.

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Imodéstia

No latim a palavra vanitas, significa tanto vaidade quanto vazio. Ou seja, quando vivemos pela vaidade, vivemos pelo vazio. A vaidade tem cheiro, tem cor e múltiplos nomes. Está no agir, no pensar, no falar, no criar, no desenvolver. E, como escreveu certa vez o frânces Stendhai, a maior parte dos homens do mundo, por vaidade, por desconfiança, por medo da infelicidade, só se entregam ao amor de uma mulher após a intimidade. Ao meu ver, Stendhai estava certo. Esse talvez seja o motivo pelo qual algumas mulheres acreditam firmemente que podem despertar o amor de um homem apenas com suas habilidades sexuais. Existe um pouco de verdade nisso, existe um pouco de mentira. Para realizarmos a distinção, precisamos compreender dois pontos. Primeiro: “a maior parte dos homens”, não significa todos os homens. E cá entre nós a maior parte dos homens são realmente idiotas, verdade seja dita. Não por cultura, religião ou grau de conhecimento, a idiotice masculina transcende esses detalhes técnicos, ela é quase… quase um padrão genético. Poucos são os homens que ultrapassam esse padrão ou nascem sem ele. Essa minoria corresponde a parcela masculina que fica ofendida não só com as palavras de Stendhai, como também com todos os demais insultos genéricos existentes no mundo. Segundo: quando cito “algumas mulheres”, obviamente descrevo um grupo que não representa a maioria feminina, muito menos sua totalidade.  Simboliza somente uma minoria que se especializa na arte de assegurar a fidelidade masculina através das frações de orgasmos.

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Me enxerga

Já se decepcionou com si mesma a ponto de querer sumir? Já se sentiu inútil? Já quis viver isolada em uma ilha deserta? Já teve medo de não ser boa o suficiente? Já teve medo de não ser da forma que te imaginam? Vez ou outra chegam essas perguntas. Me faz refletir sobre muita coisa. Sobre os rumos que estou dando à minha vida…

Eu já quis / quero tanta coisa. Mas falta coragem, sabe? Falta coragem e sobra medo. Eu fico aqui paralisada enquanto o tempo vai passando. Eu fico aqui presa em mim mesma enquanto lá fora a roda gira. Eu fico aqui querendo tudo e não fazendo nada. Eu fico presa no olhar do outro e esqueço de me enxergar – do meu jeito, entende? -, de me ver pelas lentes dos meus olhos e não pelas de quem me cerca.

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Instantes

Hoje esperando o ônibus me deparei com uma senhora. Uma senhora alegre. E eu me perguntava porquê ela demonstrava de forma tão sutil tanta felicidade. Sua altivez me impressionou. No decorrer da conversa ela me contou que teve câncer, tirou a mama e está fazendo outros exames, pois desconfia-se que ela possa ter outro câncer. Da forma que ela me contou nem parecia algo triste, sabe? Foi sutil.

Confesso que por alguns minutos eu senti vergonha de mim. Eu sei que não devemos comparar nossos sofrimentos, mas aquela senhora de 78 anos me fez repensar algumas coisas. E nós falávamos dessas coisas de que as pessoas estão cada vez mais desanimadas e ela me disse que sempre busca manter o ânimo, procura fazer outras coisas, coisas que a fazem se sentir bem. Ela dizia que o país está uma nojeira e que não se pode abaixar a cabeça e deixar que certas coisas nos roube de nós mesmos. Continue lendo “Instantes”

Eu tô tentando

Passamos a infância toda querendo ser adultos e quando nos tornamos adultos queremos voltar a ser crianças. Como não podemos voltar, vamos tentando fugir de todas as maneiras. Colocamos aquelas músicas “antigonas” pra tocar e esperamos esquecer as merdas que fazemos no presente relembrando as boas coisas do passado. Quem somos nós?

Hoje foi um dos piores dias da minha vida. Queria fugir, desaparecer, ser sugada pela terra ou qualquer outra coisa. Como nem tudo que quero acontece. A única maneira de “fugir” foi me refugiando em umas músicas das antigas. Porra, impressionante como o tempo passa rápido.

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