Sorte

Hoje de manhã ainda chovia, mas quando abri as janelas percebi que se podia sentir e ver o sol.  Apático. Antipático. Ele continuou lá. Reluzente. Convidando-me a colocar mais do que a cabeça para fora e ir conferir de perto o dia e o tempo novo que se fazia.

Pisei descalça naquele chão molhado e senti a água gelada tocar os meus pés. Observei cada flor intacta e toda pétala caída. Algumas plantas pareciam sorrir, em outras como no Lírio da Paz, claramente se via uma expressão que dizia que a chuva já estava exagerando.

Mais à frente avistei muitas plantinhas de um verde cor de esperança, cor de sorte e também… cor de fantasia. Aproximei-me. Ajoelhei-me. E os meus olhos viram e descobriram pequeninas folhas em formato de coração bem manejadas e articuladas em galhinhos frágeis e finos. Azedinha – pensei – mas não era, era trevo! Continue lendo “Sorte”

Há beleza no caos

As pessoas nem sempre são aquilo que a gente imagina que elas são. Há alguns dias passei por uma experiência que me fez comprovar isso. Já havia passado por outras, mas esta me foi peculiar. Eu nunca gostei de me basear na opinião dos outros para definir as pessoas ou coisas do tipo, mas confesso que às vezes me deixo levar.

Admiro as pessoas inteligentes, as pessoas sensíveis, as pessoas que respeitam diferentes opiniões, as pessoas que estão abertas a conhecer coisas novas. Estamos em constante evolução. Eu não sou a mesma pessoa de um ou dois anos atrás – minha essência continua a mesma, mas muita coisa se passou e isso me impactou, me afetou de alguma forma e eu mudei.

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Sem norte

Nesse porto muitos chegam, mas todos vão

Na solidão o marinheiro controla o navio

Deixando-se à deriva

E em perigo

 

Nesse porto não há abrigo

Quem chega sempre está perdido

E como uma aparição

Vai-se embora

Deixando ao relento o marinheiro

Que acostumou-se a navegar no vão

E sempre voltar ao porto sem arrimo

 

O marinheiro é o próprio ermo

Lugar desabitado

O diferente que encanta

E que o costume desencanta

O amor que é despedido

Quando um novo amor é empregado

 

O marinheiro não tem câmera para fotografar os golfinhos

Não tem norte

Não tem sorte

Ao olhar a agua tão límpida do mar

Ele sente vontade de se entregar

Afogar-se no azul anil cor de horizonte distante

No verde cor de trevo de quatro folhas

No infinito finito

E por fim ao seu destino improvisado

Que ele acredita nunca ter começado

 

 

 

 

 

 

wind

Tempestades em copo d’agua
já foram meu forte
mas não mais
não mais.
Agora tenho gosto apenas pela tempestade
sem copo d’água pra me limitar.
Algo reluz
em minha mente
reluzente consideração
por aquilo tudo que sempre tive:
minha imagem no espelho.

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