Caderno de anotações

Ela pegou seu caderno de anotações e pôs-se a escrever:

Hoje me bateu uma vontade enorme de te ligar. Não desejei enviar mensagem, queria mesmo era ouvir o som da sua voz. Faz tanto tempo que não nos falamos. Adoraria saber como você está, o que anda fazendo… Cogitei ligar de um número desconhecido, pois imaginei que não me atenderia caso telefonasse com o meu número. Na verdade eu nem sei se você ainda o tem. [rsrsrsrs]

O que me resta são apenas lembranças de um passado maravilhoso. Bons tempos aqueles! Talvez seja o que hoje possa ser chamado de “a era de ouro”. Fizemos tantas coisas juntas, nos divertimos pra valer – tanta adrenalina, tantas emoções…

É muito estranho a sensação de sermos duas desconhecidas atualmente, como se nunca houvesse acontecido nada entre nós. Diga-me o que faço com essas lembranças? E sabe o que mais me dói: é imaginar que você está muito bem sem a minha companhia. Não que eu deseje que esteja na pior, mas é que sinto que fracassei com a minha amizade, e você soube seguir em frente. Por favor, me diz onde errei! Eu posso tentar consertar?

Bom, algum dia, quem sabe a gente se fale novamente ou se encontre por acaso em algumas dessas ruas da cidade. Algum dia, quem sabe a gente possa reatar a nossa amizade, não é mesmo?!

Ah, e antes que termine, quero que saiba que esse não é o primeiro texto sobre nós. Todas as vezes que penso em ligar para você, eu escrevo em meu caderno de anotações – comprei especialmente para isso -, pois não consigo guardar o que sinto em minha mente – é minúscula demais para tantos pensamentos.

Por fim, saudades amiga, muitas saudades… Espero que esteja bem!

Ela fechou o caderno e guardou na cômoda em seu quarto, bem no fundo da primeira gaveta. E ficou pensando por um tempo. Seu olhar estava distante:

– Promete que nunca vai me abandonar, que nunca vai se afastar de mim?

– Prometo “miga”. Para onde eu for, levarei você comigo!

– Te amo demais minha linda!

– Eu também te amo. Você é a minha melhor…

Ela suspirou forte. Depois retornou ao que estava fazendo, com lágrimas em seus olhos…

Janela

Janela

Ela olhou pela janela. Não havia ninguém em sua porta. Jurara que escutou uma voz a chamar o seu nome. E, mais uma vez, se enganou.

As horas passaram. Já era tarde da noite e ela estava a se debruçar naquela mesma janela. Gostava de estar ali, de sentir o vento fresco soprando em seu rosto, modelando os fios de seu cabelo… Levantou os olhos e observou as estrelas. – Ah, como eu queria estar longe destas luzes para contemplá-las melhor -, sussurrou.

Viu um casal de namorados caminhando abraçados e percebeu que estavam apaixonados. “Como sei disso?”, ficou se perguntando. Outrora lhe bateu uma vontade enorme de vagar pelas ruas daquela cidadezinha, numa dessas altas horas da noite. Mas seu desejo logo se foi, sabia que não tinha disposição para tal coisa.

Fechou a janela e sentou-se numa velha poltrona na sala – e novamente, pôs-se a pensar. Imaginou umas duas ou três pessoas lhe fazendo uma visita inesperada. “Inesperada pra quem, se há tanto tempo eu espero!”. “Como eu reagiria?”, continuou se questionando. “Primeiramente iria falar: – eu não esperava!, com uma expressão de surpresa e emoção no rosto”. “Talvez algumas poucas lágrimas também”, pensou ela. “E por fim, estaríamos reunidos à mesa, comendo, dando altas gargalhadas, recordando acontecimentos”, finalizou.

Como ela gostaria que os seus pensamentos (pelo menos os bons) se tornassem reais. Porém, a realidade é cruel, por isso vivia presa nas suas imaginações.

Ela bocejou. Percebeu que chegara o momento de dormir. “Será que adormecerei rápido?”. E antes que apagasse a última lâmpada, olhou mais uma vez pela janela. Não porque pensou que ouvira alguém lhe chamando, mas porque aquele hábito lhe trazia esperança. Esperança que no dia seguinte alguém lhe visitaria, e depois comeriam, iriam rir, relembrar os velhos tempos… “Talvez amanhã… talvez algum dia, quem sabe”…

Eu te procuro

Eu ainda te procuro, creio não desistir de você facilmente. Sinto por você um sentimento quase que indescritível. Algo que me impulsiona a levantar todos os dias de manhã por mais pesado que o mundo pareça.

É que de ti só trago boas lembranças. São coisas que guardo aqui, e que tenho medo de te falar porque lhe observei ao longe enquanto sentava e desenhava, sentava e escrevia, sentava com os gatos na varanda, levava as plantinhas para tomar sol, deitava sob o sol na grama fresca, falava sobre livros que não lia e roubava livros da biblioteca da sua vizinha. Não se preocupe, ninguém vai saber. O que é seu é só seu, é nosso.

Eu sinto muito por tudo que te fiz passar, e juro que choro as vezes por isso. A culpa foi minha quando em algum momento te deixei para trás, te escondi, te camuflei em mim, mas foi na ingênua intenção de te proteger. Agora, porém, não encontro você. E não sei quem és. E esse “conhecer” é muito mais profundo do que saber sobre você não gostar de café, gostar de gatos, de chocolate, da lua, ou sei lá…

É sobre os porquês que não se preenchem, sobre os porquês de si, de ser. É sobre os “comos” incabíveis, os gostos inventados, os rótulos agora implantados, as caixinhas que outrora julgava não entrar agora serem a sua moradia.

Diga-me: “sorte minha ter-te” — Porque por você eu faço qualquer coisa. Eu me desfaço e refaço mil vezes, se preciso for, só para te encontrar, só para ler de novo o “Caixa Postal 1989” se eu julgar que você mora lá, ou quem sabe perdida em uma página de outro livro lido, na letra de uma música, na fala de um filme.

Sorte sua, meu amor, que eu existo, e de ti não desisto. É que quando te olho sinto que o mundo inteiro parece vão, e devo dar a minha total atenção só para você, e gastar todas a as minhas forças para te proteger, e comprar um planeta inteiro só para viver ao seu lado, e te encontrar.

É o amor que sinto que é maior do que qualquer outro tipo de amor, é autoamor. Aquele que corta a garganta quando olho no espelho e os seus olhos parecem chorar. É aquele amor que diz: “faça alguma coisa”, quando o seu coração parece pesar mais do o seu corpo. É aquele que fica quando todos parecem te abandonar.

E eu sempre fico. Por mais que tu digas “não te cabe aqui”, eu arranjo um espaço e me encaixo.

Eu te amo, e se um dia tudo que possuir for o meu reflexo te olhando do espelho com os mesmos olhos que me olhas, meu amor, você estará bem.

Eu sou tudo que você precisa.

O “Nós” desfeito

Quando parti pela primeira vez você não imagina a dor que senti. Fiquei me perguntando o que faria com todos aqueles planos que havia criado para nós. Eu não sabia o que fazer com tanto volume, tudo, independente da força gravitacional existente, era pesado demais. E aqui, na gravidade do meu mundo, a sua massa pesa os meus ombros e tira o meu sono.

Nunca iria dar certo, agora entendo bem o porquê.

Todas as vezes foi eu quem foi embora, e enquanto você me ofendia e me lançava mais pesos por isso, eu me perguntava como você não enxergava o mal que me fazia.

Agora eu percebo que você via, mas egocentricamente enquadrava tudo nas leis do teu estado emocional, onde eu sempre era condenada a sua prisão que me fazia acreditar que o erro era eu e que os teus pedidos para voltar eram sinceros. Eu sofria ao te deixar mais por você do que por mim. Tola, perguntava-me se você teria lugar para guardar todo aquele “algo” que te fiz sentir, sem ao menos questionar se esse “algo” um dia existiu.

Nunca iria dar certo. Nunca!

Meu corpo pedia tempo, e eu clamava por um fim que eu não sabia concretizar. Você brincava com o espaço-tempo, e eu continuava sempre no mesmo lugar.

O meu mundo e o seu giravam antagônicos, com isso nunca nos harmonizamos, sempre nos colidimos, jogando estilhaços que se juntavam e formavam um novo planeta: “Nós”.

E esse “Nós” não foi feito para ser, e sim para acabar. E desde o início já estava bem explicito que em algum momento perdido no tempo, um meteoro nos atingiria e um novo Big Bang aconteceria, e dessa vez nos desmontaria irrevogavelmente.

Nunca iria dar certo.

E estou orgulhosa de mim por ter partido, e dessa vez não pensei em você, só em mim. Então não me espere, não me busque. Eu não vou voltar.

Das agudezas da vida

 

Às vezes eu acho que tudo não passa de sonho. Acho que faço drama pra chamar atenção, mas eu odeio ser o centro das atenções. Eu não queria ser essa confusão, mas eu sou – e não tá tudo bem. Tudo parece tão insignificante.

Tem horas que eu desejo sumir, então leio todos os poemas e textos que já me fizeram chorar um dia. Eu me derramou em lágrimas e esqueço os motivos pelos quais eu queria sumir. Então a vontade de sumir vai embora e surge a vontade de fazer coisas pelas quais tenho vontade de ficar  e ter força e coragem pra não querer sumir – pelo menos por um tempo.

De vez em quando – ultimamente quase sempre – eu me sinto sufocada. Eu não consigo ou escrever ou ler, e tudo é entediante. Às vezes eu me sinto inútil e confusa e triste demais. E é péssimo me sentir caminhando pra trás enquanto todo mundo segue em frente. Eu sei que eu não devia, mas eu me sinto péssima por nunca saber o que quero e por sempre cometer os mesmos erros. Eu me sinto péssima por não sentir vontade de fazer as coisas. Eu me sinto péssima por me sentir péssima.

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