About passion

Você não se apaixona por uma pessoa, se apaixona por um perfil. Por uma personalidade que, se remodelada, leva sua paixão para o caixão. Segundo o dicionário, uma das definições da palavra perfil é “descrição em traços rápidos: retrato moral de uma pessoa”. Logo, você se apaixona por um retrato moral e não pelo indivíduo em si.

Sustento essa hipótese há alguns anos e o que não me faltam são argumentos para defende-la. O maior deles está no fator arrependimento. Basicamente é o seguinte: todos somos seres mutáveis e enfrentamos diversas transições com o passar dos anos. Na medida que em que a nossa individualidade se altera, novos atributos são somados a nossa personalidade, outros são subtraídos e alguns são modificados. Afinal as mudanças fazem parte da vida. Dentre esses atributos subtraídos, ou seja, descartados, estão os arrependimentos e desgostos das escolhas passadas. Por exemplo: Quem nunca se arrependeu de um relacionamento na adolescência? Quem normalmente se arrepende, possui uma boa justificativa para tal. A maioria diz que se arrepende porque era inexperiente, limitado ou inocente… Ou que não sabia exatamente o que era “o verdadeiro amor” (como se o amor verdadeiro exigisse uma infinitude de experiências fracassadas para funcionar). Os arrependimentos são remorsos adicionados diariamente ao nosso baú do passado. Novas esperanças e estratégias assumem as lacunas deixadas por esses remorsos. Esse processo de troca é semelhante a mudança de pele das serpentes – o que fica pra trás é o nosso modo anterior de ser/agir, totalmente defasado e obsoleto. O que segue adiante é um perfil blindado, com um pouco mais de sabedoria, pronto para novos desafios, evitando a repetição dos mesmos erros.

Continue lendo “About passion”

Cuida de ti

Cuida de ti porque vem por ai dias difíceis, e na maioria deles você estará sozinha escondida entre as paredes do seu próprio eu, tentando organizar a sua bagunça interna, tirando os entulhos que você escondeu no tapete, e lavando a louça suja da visita que já foi embora. Tu tens que cuidar de ti porque você é o seu primeiro ponto de referência, o primeiro mundo que você conheceu, aquele que é sua estadia certa.

“Cuida de ti, está bem?”

Uma colega da faculdade me enviou uma mensagem com o print de uma foto antiga minha, ela me perguntou o porquê que eu não usava o cabelo como na imagem, e completou dizendo que “o pessoal do fundo agradeceria” — além de dois “Ks” adicionais. Eu lhe enviei perguntado de qual jeito que o meu cabelo incomodava mais, e depois que ela demonstrou a sua “preocupação” sobre eu ficar com raiva, ela respondeu que preso “porque ai você joga ele todo para o alto”. Eu lhe disse que passaria usar assim mais vezes, já que não estava afim de agradar.

Meu cabelo não é esse exagero todo, sabe? E sabe de outra coisa? Essas “coisinhas” mexem com a gente que é um beleza… Continue lendo “Cuida de ti”

Ócio

É a segunda quarta-feira do mês. Acordo cedo e fico deitada de olhos fechados com os fones no ouvido. Levanto às 9h30, tomo banho e saio para esperar o ônibus que passa duas ruas depois da minha. Chego ao shopping às 11h e como o filme só começa às 11h40, resolvo tomar um café. Sento-me e peço um expresso pequeno, tiro da bolsa meu cardeninho e minha caneta lilás. Tento escrever algo, mas não vem nada em mente. Fico então a observar as pessoas que passam de um lado para o outro, entram nas lojas e saem sorridentes com suas sacolas. Tento novamente escrever algo, mas não me vem nada em mente. Termino o café e subo para comprar meu ingresso, pois já passam das 11h30. Não demoro muito na fila, compro meu ingresso e vou para a sala três. Escolho a terceira fileira de cima para baixo, uma cadeira que tem a visão central da tela. Sento-me.

Continue lendo “Ócio”

Me enxerga

Já se decepcionou com si mesma a ponto de querer sumir? Já se sentiu inútil? Já quis viver isolada em uma ilha deserta? Já teve medo de não ser boa o suficiente? Já teve medo de não ser da forma que te imaginam? Vez ou outra chegam essas perguntas. Me faz refletir sobre muita coisa. Sobre os rumos que estou dando à minha vida…

Eu já quis / quero tanta coisa. Mas falta coragem, sabe? Falta coragem e sobra medo. Eu fico aqui paralisada enquanto o tempo vai passando. Eu fico aqui presa em mim mesma enquanto lá fora a roda gira. Eu fico aqui querendo tudo e não fazendo nada. Eu fico presa no olhar do outro e esqueço de me enxergar – do meu jeito, entende? -, de me ver pelas lentes dos meus olhos e não pelas de quem me cerca.

Continue lendo “Me enxerga”

Instantes

Hoje esperando o ônibus me deparei com uma senhora. Uma senhora alegre. E eu me perguntava porquê ela demonstrava de forma tão sutil tanta felicidade. Sua altivez me impressionou. No decorrer da conversa ela me contou que teve câncer, tirou a mama e está fazendo outros exames, pois desconfia-se que ela possa ter outro câncer. Da forma que ela me contou nem parecia algo triste, sabe? Foi sutil.

Confesso que por alguns minutos eu senti vergonha de mim. Eu sei que não devemos comparar nossos sofrimentos, mas aquela senhora de 78 anos me fez repensar algumas coisas. E nós falávamos dessas coisas de que as pessoas estão cada vez mais desanimadas e ela me disse que sempre busca manter o ânimo, procura fazer outras coisas, coisas que a fazem se sentir bem. Ela dizia que o país está uma nojeira e que não se pode abaixar a cabeça e deixar que certas coisas nos roube de nós mesmos. Continue lendo “Instantes”

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: