Me enxerga

Já se decepcionou com si mesma a ponto de querer sumir? Já se sentiu inútil? Já quis viver isolada em uma ilha deserta? Já teve medo de não ser boa o suficiente? Já teve medo de não ser da forma que te imaginam? Vez ou outra chegam essas perguntas. Me faz refletir sobre muita coisa. Sobre os rumos que estou dando à minha vida…

Eu já quis / quero tanta coisa. Mas falta coragem, sabe? Falta coragem e sobra medo. Eu fico aqui paralisada enquanto o tempo vai passando. Eu fico aqui presa em mim mesma enquanto lá fora a roda gira. Eu fico aqui querendo tudo e não fazendo nada. Eu fico presa no olhar do outro e esqueço de me enxergar – do meu jeito, entende? -, de me ver pelas lentes dos meus olhos e não pelas de quem me cerca.

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Instantes

Hoje esperando o ônibus me deparei com uma senhora. Uma senhora alegre. E eu me perguntava porquê ela demonstrava de forma tão sutil tanta felicidade. Sua altivez me impressionou. No decorrer da conversa ela me contou que teve câncer, tirou a mama e está fazendo outros exames, pois desconfia-se que ela possa ter outro câncer. Da forma que ela me contou nem parecia algo triste, sabe? Foi sutil.

Confesso que por alguns minutos eu senti vergonha de mim. Eu sei que não devemos comparar nossos sofrimentos, mas aquela senhora de 78 anos me fez repensar algumas coisas. E nós falávamos dessas coisas de que as pessoas estão cada vez mais desanimadas e ela me disse que sempre busca manter o ânimo, procura fazer outras coisas, coisas que a fazem se sentir bem. Ela dizia que o país está uma nojeira e que não se pode abaixar a cabeça e deixar que certas coisas nos roube de nós mesmos. Continue lendo “Instantes”

Eu tô tentando

Passamos a infância toda querendo ser adultos e quando nos tornamos adultos queremos voltar a ser crianças. Como não podemos voltar, vamos tentando fugir de todas as maneiras. Colocamos aquelas músicas “antigonas” pra tocar e esperamos esquecer as merdas que fazemos no presente relembrando as boas coisas do passado. Quem somos nós?

Hoje foi um dos piores dias da minha vida. Queria fugir, desaparecer, ser sugada pela terra ou qualquer outra coisa. Como nem tudo que quero acontece. A única maneira de “fugir” foi me refugiando em umas músicas das antigas. Porra, impressionante como o tempo passa rápido.

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Sobre ter amigos…

É difícil, não é? Confiar em alguém. Encontrar um colo pra desabar naqueles momentos complicados. Triste, você tem andado triste. Teu sorriso já não brilha mais. É difícil enfrentar a tristeza sozinha.

Nunca fui muito de demonstrar sentimentos, nunca fui muito de me abrir com qualquer um. Sou alguém de raríssimos amigão. Sempre acreditei que seria capaz de enfrentar qualquer barra sozinha. Sempre acreditei que poderia guardar tudo só pra mim, mas percebo que não é assim. A gente precisa de ombro, de colo. A gente precisa ter alguém com quem conversar. Alguém pra compartilhar as coisas boas e ruins.

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Rebeldes sem Causa

Existe um traço em comum entre os ateus, monges e mestres de diversas religiões ao redor do mundo. O mesmo ponto de consciência abordado por perspectivas diferentes que possuem em si a mesma essência. Falo da noção de efemeridade da vida; tudo é pó, tudo é vão, tudo é vaidade. Crendo em Deus, esse fato é enxergado pelo prisma da graça, donde o maior dever de todos nós, seres humanos, é evoluir a própria compreensão do que é a gratidão – se somos um átomo perdido numa vastidão infinita, então no mínimo deveríamos agradecer pela dádiva de existirmos, ainda mais se somos tão pequenos e rúpteis. Essa é a melhor das interpretações teológicas, torna as pessoas mais sensíveis e cientes de que, se a vida não possui sentido, então nosso dever primário é construir um sentido para ela.

Esquecendo os sábios e intelectuais, temos de sobra o povo. Bilhões de pessoas que não possuem muito tempo para refletir sobre esses assuntos, mas que também são seres humanos, logo, também estão condenados navegar pelo mesmo deserto existencial debatido pelos mestres, sofrendo as consequências disso. Ainda que enganem a si próprios com miragens durante o decorrer do deserto. Dentre as camadas do povo, temos uma juventude inerte que sempre anda surfando nas ideias insignificantes apresentadas pela mídia geral. Uma juventude que quando começa a sentir o gosto das perversidades no mundo, das influências gerais que penetram o cérebro como katanas japonesas. Do desamor global, dos excessos de expectativas num futuro completamente incerto, das infidelidades e dos mais variados problemas sociais e familiares precoces, eles se rebelam! E assumem a indisciplina como identidade, mas ironicamente (ou inocentemente), praticam o ódio fazendo exatamente tudo aquilo que a vida vã espera deles, ou seja: dando fim a própria existência. O suicídio sela essa incoerência com louvor.

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