Das agudezas da vida

 

Às vezes eu acho que tudo não passa de sonho. Acho que faço drama pra chamar atenção, mas eu odeio ser o centro das atenções. Eu não queria ser essa confusão, mas eu sou – e não tá tudo bem. Tudo parece tão insignificante.

Tem horas que eu desejo sumir, então leio todos os poemas e textos que já me fizeram chorar um dia. Eu me derramou em lágrimas e esqueço os motivos pelos quais eu queria sumir. Então a vontade de sumir vai embora e surge a vontade de fazer coisas pelas quais tenho vontade de ficar  e ter força e coragem pra não querer sumir – pelo menos por um tempo.

De vez em quando – ultimamente quase sempre – eu me sinto sufocada. Eu não consigo ou escrever ou ler, e tudo é entediante. Às vezes eu me sinto inútil e confusa e triste demais. E é péssimo me sentir caminhando pra trás enquanto todo mundo segue em frente. Eu sei que eu não devia, mas eu me sinto péssima por nunca saber o que quero e por sempre cometer os mesmos erros. Eu me sinto péssima por não sentir vontade de fazer as coisas. Eu me sinto péssima por me sentir péssima.

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About passion

Você não se apaixona por uma pessoa, se apaixona por um perfil. Por uma personalidade que, se remodelada, leva sua paixão para o caixão. Segundo o dicionário, uma das definições da palavra perfil é “descrição em traços rápidos: retrato moral de uma pessoa”. Logo, você se apaixona por um retrato moral e não pelo indivíduo em si.

Sustento essa hipótese há alguns anos e o que não me faltam são argumentos para defende-la. O maior deles está no fator arrependimento. Basicamente é o seguinte: todos somos seres mutáveis e enfrentamos diversas transições com o passar dos anos. Na medida que em que a nossa individualidade se altera, novos atributos são somados a nossa personalidade, outros são subtraídos e alguns são modificados. Afinal as mudanças fazem parte da vida. Dentre esses atributos subtraídos, ou seja, descartados, estão os arrependimentos e desgostos das escolhas passadas. Por exemplo: Quem nunca se arrependeu de um relacionamento na adolescência? Quem normalmente se arrepende, possui uma boa justificativa para tal. A maioria diz que se arrepende porque era inexperiente, limitado ou inocente… Ou que não sabia exatamente o que era “o verdadeiro amor” (como se o amor verdadeiro exigisse uma infinitude de experiências fracassadas para funcionar). Os arrependimentos são remorsos adicionados diariamente ao nosso baú do passado. Novas esperanças e estratégias assumem as lacunas deixadas por esses remorsos. Esse processo de troca é semelhante a mudança de pele das serpentes – o que fica pra trás é o nosso modo anterior de ser/agir, totalmente defasado e obsoleto. O que segue adiante é um perfil blindado, com um pouco mais de sabedoria, pronto para novos desafios, evitando a repetição dos mesmos erros.

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Cuida de ti

Cuida de ti porque vem por ai dias difíceis, e na maioria deles você estará sozinha escondida entre as paredes do seu próprio eu, tentando organizar a sua bagunça interna, tirando os entulhos que você escondeu no tapete, e lavando a louça suja da visita que já foi embora. Tu tens que cuidar de ti porque você é o seu primeiro ponto de referência, o primeiro mundo que você conheceu, aquele que é sua estadia certa.

“Cuida de ti, está bem?”

Uma colega da faculdade me enviou uma mensagem com o print de uma foto antiga minha, ela me perguntou o porquê que eu não usava o cabelo como na imagem, e completou dizendo que “o pessoal do fundo agradeceria” — além de dois “Ks” adicionais. Eu lhe enviei perguntado de qual jeito que o meu cabelo incomodava mais, e depois que ela demonstrou a sua “preocupação” sobre eu ficar com raiva, ela respondeu que preso “porque ai você joga ele todo para o alto”. Eu lhe disse que passaria usar assim mais vezes, já que não estava afim de agradar.

Meu cabelo não é esse exagero todo, sabe? E sabe de outra coisa? Essas “coisinhas” mexem com a gente que é um beleza… Continue lendo “Cuida de ti”

Ócio

É a segunda quarta-feira do mês. Acordo cedo e fico deitada de olhos fechados com os fones no ouvido. Levanto às 9h30, tomo banho e saio para esperar o ônibus que passa duas ruas depois da minha. Chego ao shopping às 11h e como o filme só começa às 11h40, resolvo tomar um café. Sento-me e peço um expresso pequeno, tiro da bolsa meu cardeninho e minha caneta lilás. Tento escrever algo, mas não vem nada em mente. Fico então a observar as pessoas que passam de um lado para o outro, entram nas lojas e saem sorridentes com suas sacolas. Tento novamente escrever algo, mas não me vem nada em mente. Termino o café e subo para comprar meu ingresso, pois já passam das 11h30. Não demoro muito na fila, compro meu ingresso e vou para a sala três. Escolho a terceira fileira de cima para baixo, uma cadeira que tem a visão central da tela. Sento-me.

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Me enxerga

Já se decepcionou com si mesma a ponto de querer sumir? Já se sentiu inútil? Já quis viver isolada em uma ilha deserta? Já teve medo de não ser boa o suficiente? Já teve medo de não ser da forma que te imaginam? Vez ou outra chegam essas perguntas. Me faz refletir sobre muita coisa. Sobre os rumos que estou dando à minha vida…

Eu já quis / quero tanta coisa. Mas falta coragem, sabe? Falta coragem e sobra medo. Eu fico aqui paralisada enquanto o tempo vai passando. Eu fico aqui presa em mim mesma enquanto lá fora a roda gira. Eu fico aqui querendo tudo e não fazendo nada. Eu fico presa no olhar do outro e esqueço de me enxergar – do meu jeito, entende? -, de me ver pelas lentes dos meus olhos e não pelas de quem me cerca.

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