O “Nós” desfeito

Quando parti pela primeira vez você não imagina a dor que senti. Fiquei me perguntando o que faria com todos aqueles planos que havia criado para nós. Eu não sabia o que fazer com tanto volume, tudo, independente da força gravitacional existente, era pesado demais. E aqui, na gravidade do meu mundo, a sua massa pesa os meus ombros e tira o meu sono.

Nunca iria dar certo, agora entendo bem o porquê.

Todas as vezes foi eu quem foi embora, e enquanto você me ofendia e me lançava mais pesos por isso, eu me perguntava como você não enxergava o mal que me fazia.

Agora eu percebo que você via, mas egocentricamente enquadrava tudo nas leis do teu estado emocional, onde eu sempre era condenada a sua prisão que me fazia acreditar que o erro era eu e que os teus pedidos para voltar eram sinceros. Eu sofria ao te deixar mais por você do que por mim. Tola, perguntava-me se você teria lugar para guardar todo aquele “algo” que te fiz sentir, sem ao menos questionar se esse “algo” um dia existiu.

Nunca iria dar certo. Nunca!

Meu corpo pedia tempo, e eu clamava por um fim que eu não sabia concretizar. Você brincava com o espaço-tempo, e eu continuava sempre no mesmo lugar.

O meu mundo e o seu giravam antagônicos, com isso nunca nos harmonizamos, sempre nos colidimos, jogando estilhaços que se juntavam e formavam um novo planeta: “Nós”.

E esse “Nós” não foi feito para ser, e sim para acabar. E desde o início já estava bem explicito que em algum momento perdido no tempo, um meteoro nos atingiria e um novo Big Bang aconteceria, e dessa vez nos desmontaria irrevogavelmente.

Nunca iria dar certo.

E estou orgulhosa de mim por ter partido, e dessa vez não pensei em você, só em mim. Então não me espere, não me busque. Eu não vou voltar.

Das agudezas da vida

 

Às vezes eu acho que tudo não passa de sonho. Acho que faço drama pra chamar atenção, mas eu odeio ser o centro das atenções. Eu não queria ser essa confusão, mas eu sou – e não tá tudo bem. Tudo parece tão insignificante.

Tem horas que eu desejo sumir, então leio todos os poemas e textos que já me fizeram chorar um dia. Eu me derramou em lágrimas e esqueço os motivos pelos quais eu queria sumir. Então a vontade de sumir vai embora e surge a vontade de fazer coisas pelas quais tenho vontade de ficar  e ter força e coragem pra não querer sumir – pelo menos por um tempo.

De vez em quando – ultimamente quase sempre – eu me sinto sufocada. Eu não consigo ou escrever ou ler, e tudo é entediante. Às vezes eu me sinto inútil e confusa e triste demais. E é péssimo me sentir caminhando pra trás enquanto todo mundo segue em frente. Eu sei que eu não devia, mas eu me sinto péssima por nunca saber o que quero e por sempre cometer os mesmos erros. Eu me sinto péssima por não sentir vontade de fazer as coisas. Eu me sinto péssima por me sentir péssima.

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About passion

Você não se apaixona por uma pessoa, se apaixona por um perfil. Por uma personalidade que, se remodelada, leva sua paixão para o caixão. Segundo o dicionário, uma das definições da palavra perfil é “descrição em traços rápidos: retrato moral de uma pessoa”. Logo, você se apaixona por um retrato moral e não pelo indivíduo em si.

Sustento essa hipótese há alguns anos e o que não me faltam são argumentos para defende-la. O maior deles está no fator arrependimento. Basicamente é o seguinte: todos somos seres mutáveis e enfrentamos diversas transições com o passar dos anos. Na medida que em que a nossa individualidade se altera, novos atributos são somados a nossa personalidade, outros são subtraídos e alguns são modificados. Afinal as mudanças fazem parte da vida. Dentre esses atributos subtraídos, ou seja, descartados, estão os arrependimentos e desgostos das escolhas passadas. Por exemplo: Quem nunca se arrependeu de um relacionamento na adolescência? Quem normalmente se arrepende, possui uma boa justificativa para tal. A maioria diz que se arrepende porque era inexperiente, limitado ou inocente… Ou que não sabia exatamente o que era “o verdadeiro amor” (como se o amor verdadeiro exigisse uma infinitude de experiências fracassadas para funcionar). Os arrependimentos são remorsos adicionados diariamente ao nosso baú do passado. Novas esperanças e estratégias assumem as lacunas deixadas por esses remorsos. Esse processo de troca é semelhante a mudança de pele das serpentes – o que fica pra trás é o nosso modo anterior de ser/agir, totalmente defasado e obsoleto. O que segue adiante é um perfil blindado, com um pouco mais de sabedoria, pronto para novos desafios, evitando a repetição dos mesmos erros.

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Cuida de ti

Cuida de ti porque vem por ai dias difíceis, e na maioria deles você estará sozinha escondida entre as paredes do seu próprio eu, tentando organizar a sua bagunça interna, tirando os entulhos que você escondeu no tapete, e lavando a louça suja da visita que já foi embora. Tu tens que cuidar de ti porque você é o seu primeiro ponto de referência, o primeiro mundo que você conheceu, aquele que é sua estadia certa.

“Cuida de ti, está bem?”

Uma colega da faculdade me enviou uma mensagem com o print de uma foto antiga minha, ela me perguntou o porquê que eu não usava o cabelo como na imagem, e completou dizendo que “o pessoal do fundo agradeceria” — além de dois “Ks” adicionais. Eu lhe enviei perguntado de qual jeito que o meu cabelo incomodava mais, e depois que ela demonstrou a sua “preocupação” sobre eu ficar com raiva, ela respondeu que preso “porque ai você joga ele todo para o alto”. Eu lhe disse que passaria usar assim mais vezes, já que não estava afim de agradar.

Meu cabelo não é esse exagero todo, sabe? E sabe de outra coisa? Essas “coisinhas” mexem com a gente que é um beleza… Continue lendo “Cuida de ti”

Ócio

É a segunda quarta-feira do mês. Acordo cedo e fico deitada de olhos fechados com os fones no ouvido. Levanto às 9h30, tomo banho e saio para esperar o ônibus que passa duas ruas depois da minha. Chego ao shopping às 11h e como o filme só começa às 11h40, resolvo tomar um café. Sento-me e peço um expresso pequeno, tiro da bolsa meu cardeninho e minha caneta lilás. Tento escrever algo, mas não vem nada em mente. Fico então a observar as pessoas que passam de um lado para o outro, entram nas lojas e saem sorridentes com suas sacolas. Tento novamente escrever algo, mas não me vem nada em mente. Termino o café e subo para comprar meu ingresso, pois já passam das 11h30. Não demoro muito na fila, compro meu ingresso e vou para a sala três. Escolho a terceira fileira de cima para baixo, uma cadeira que tem a visão central da tela. Sento-me.

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