Carta de alguém cercado pela escuridão

 

Oi,
Já passa do meio-dia, mas esse dia nublado, cinzento faz com que pareça ser mais cedo. Como você tem estado? Não precisa me responder, pode responder pra si apenas. Sabe, eu tenho estado meio que sentindo nada e tudo ao mesmo tempo. Hoje amanheci meio que anestesiada, meio que querendo fazer tanta coisa, mas ainda assim me sentindo presa, entende? Não faz mal que não entenda nem eu estou a entender direito.

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Carta de alguém tomado pela tristeza

Oi,

Já faz algum tempo que escrevi… estava ocupada demais cuidando das minhas tristezas. Descobri hoje, nessa tarde “meio assim”, pálida e triste que não tava adiantando muito o tratamento que eu estava a dar para as minhas tristezas. Resolvi escrever e dessa vez não tive preguiça, das outras vezes eu parei pra escrever, mas fiquei apenas a olhar para o papel. Passei um longo período com a caneta na mão e com os olhos fixos no caderno, mas não consegui escrever nada. Estava morrendo aos poucos. Lembrei de algo que li naquele livro do Rilke “Cartas a um jovem poeta”… nele tinha algo que dizia mais ou menos assim “pergunte a si mesmo na hora mais silenciosha de sua madrugada: preciso escrever?…” Eu tentei ficar sem escrever, mas só afundei mais nas minhas tristezas. Agora escrevendo isso aqui, me sinto um pouco melhor. Você já tentou ficar sem escrever? Ou você já tentou parar de fazer algo que de certa forma dá sentido à sua existência?

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Sem destinatário

Oi,

Dias difíceis, não é? Pra mim também tem sido complicado. Correria, dúvidas, um turbilhão de coisas para fazer e coragem nenhuma. Vontade de ficar deitada o dia inteiro com os fones no ouvido e o mundo no mudo, mas não rola… a gente tem que seguir, não é? Por mais longo e difícil que seja o caminho a gente tem que seguir.

A gente tem que aceitar que esses dias ruins vez ou outra vão chegar, mas não podemos nos curvar diante deles para sempre. Esses dias nublados, cinzentos não podem durar eternamente. Sei lá, esses dias sempre passam então não deixa a vida desandar não. Digo por experiência própria, não se entrega não. Vai andar por aí, tomar um café, conversar com alguém, ler alguma coisa, escrever, observar o céu, a lua, as estrelas… qualquer coisa que não te deixe paralisar. Não fica se lamentando pelo que deu errado. Segue em frente. Todos nós temos um pouco de vazio aqui dentro. Não desiste não.

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Triunfo

Oi, boa noite.

Sei que você reparou no vazio do meu olhar quando me viu passando. Um amigo em comum contou sua opinião horas depois. Segundo ele, você disse que foi tudo muito rápido, mas que deu pra notar uma certa indiferença e distração em mim. Perdoe-me pelo que vou dizer, mas suas observações foram muito superficiais, querida. Ao contrário do que presumira a verdade é que, naquela tarde, o “vazio” do meu olhar não tinha nada a ver com a velocidade do seu ônibus, ou da música que tocava no meu fone de ouvido. Eu não estava distraído, pelo contrário: eu também te vi. Não foi um olhar estranho, foi o olhar sincero, quiçá o mais sincero de toda minha vida. Pela primeira vez em tantos meses, pude observa-la sem me envergonhar. Reparei o tamanho real do seu cabelo e das suas unhas, a exata textura da sua pele, a cor dos seus olhos, seu tom de maquiagem e as variantes do seu sorriso. Céus! Pela primeira vez não rolou um aperto no peito, minha garganta não ficou seca, as pernas não bambearam, minha transpiração estava dentro do normal. Não! Não tem a ver com indiferença meu bem, o que você viu é o que sou. Ou melhor: quem sempre deveria ter sido. O contraste entre o antes e o agora é que antes eu estava completamente apaixonado por você. Só que aprendi a te esquecer e gostei quando consegui. E… Acredite! Conseguir não acenar pra você dá rua foi por si só, um ato de felicidade.

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Sobre a sensibilidade

Relicário, 10 de novembro de 2016

 

Querida Abigail,
Escrevo estas poucas linhas para lhe falar um pouco de minhas inquietações. Sabe, a cada dia me convenço mais de que estamos afundando dia a dia em um buraco de egoísmo, orgulho e desumanidade. Lembrei-me esses dias de sua convicção: só a arte pode nos salvar. Bem, não sei se só a arte é o bastante, mas creio que seja um caminho, pois certas coisas que vejo me parecem contraditórias – explicarei porque.

Estou cada vez mais assustada com os acontecimentos que vêm acometendo nossa sociedade – não são novos, mas a frequência tem aumentado. Coisas pequenas que acontecem no dia a dia e me desanimam enquanto ser humano. A dor do outro não nos comove mais, não nos faz pensar ou refletir, só nos afasta (cada vez mais) dos outros e de nós mesmos. Vivemos correndo para alcançar nossos objetivos e atropelando quem estiver na nossa frente sem a mínima consideração – seja porque não pensam igual a nós ou porque podem ser “melhores” do que nós – não aceitamos perder, queremos ser vistos a qualquer custo e por isso tudo se torna competição. Continue lendo “Sobre a sensibilidade”

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