Triunfo

Oi, boa noite.

Sei que você reparou no vazio do meu olhar quando me viu passando. Um amigo em comum contou sua opinião horas depois. Segundo ele, você disse que foi tudo muito rápido, mas que deu pra notar uma certa indiferença e distração em mim. Perdoe-me pelo que vou dizer, mas suas observações foram muito superficiais, querida. Ao contrário do que presumira a verdade é que, naquela tarde, o “vazio” do meu olhar não tinha nada a ver com a velocidade do seu ônibus, ou da música que tocava no meu fone de ouvido. Eu não estava distraído, pelo contrário: eu também te vi. Não foi um olhar estranho, foi o olhar sincero, quiçá o mais sincero de toda minha vida. Pela primeira vez em tantos meses, pude observa-la sem me envergonhar. Reparei o tamanho real do seu cabelo e das suas unhas, a exata textura da sua pele, a cor dos seus olhos, seu tom de maquiagem e as variantes do seu sorriso. Céus! Pela primeira vez não rolou um aperto no peito, minha garganta não ficou seca, as pernas não bambearam, minha transpiração estava dentro do normal. Não! Não tem a ver com indiferença meu bem, o que você viu é o que sou. Ou melhor: quem sempre deveria ter sido. O contraste entre o antes e o agora é que antes eu estava completamente apaixonado por você. Só que aprendi a te esquecer e gostei quando consegui. E… Acredite! Conseguir não acenar pra você dá rua foi por si só, um ato de felicidade.

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Sobre a sensibilidade

Relicário, 10 de novembro de 2016

 

Querida Abigail,
Escrevo estas poucas linhas para lhe falar um pouco de minhas inquietações. Sabe, a cada dia me convenço mais de que estamos afundando dia a dia em um buraco de egoísmo, orgulho e desumanidade. Lembrei-me esses dias de sua convicção: só a arte pode nos salvar. Bem, não sei se só a arte é o bastante, mas creio que seja um caminho, pois certas coisas que vejo me parecem contraditórias – explicarei porque.

Estou cada vez mais assustada com os acontecimentos que vêm acometendo nossa sociedade – não são novos, mas a frequência tem aumentado. Coisas pequenas que acontecem no dia a dia e me desanimam enquanto ser humano. A dor do outro não nos comove mais, não nos faz pensar ou refletir, só nos afasta (cada vez mais) dos outros e de nós mesmos. Vivemos correndo para alcançar nossos objetivos e atropelando quem estiver na nossa frente sem a mínima consideração – seja porque não pensam igual a nós ou porque podem ser “melhores” do que nós – não aceitamos perder, queremos ser vistos a qualquer custo e por isso tudo se torna competição. Continue lendo “Sobre a sensibilidade”

Carta para Emma

Minha querida Emma,
Há alguns dias não nos vemos. Sinto falta de você, da sua presença e de suas piadas sem graça. Sinto falta das nossas conversas, dos seus desabafos, da sua preocupação para comigo. – parece egoísta, mas não foi a intenção. Agora sou eu quem está preocupada. Você não atende as minhas ligações, não responde minhas mensagens e isso me preocupa. Fico pensando se fiz algo errado, se a culpa do nosso afastamento é minha ou se algo sério está acontecendo com você.

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Eu preciso escrever porque…

Eu preciso escrever porque raramente sai da minha boca aquilo que eu gostaria de dizer. Eu tenho que escrever porque a escrita me dá força pra continuar sonhando. Eu preciso escrever porque escrevendo realizo meus sonhos. Eu tenho que escrever porque a escrita me dá o fôlego que necessito para continuar vivendo.

O que te move? Já se fez essa pergunta? O que te dá fôlego para continuar vivendo? O que você tem feito para alimentar isso que te move? Tenho me afogado nas palavras que não consigo mais colocar no papel. Tenho emudecido porque parece que as palavras têm fugido de mim. Ultimamente não tenho escrito mais nada. Quando paro para escrever, as palavras não tem vindo com a facilidade de antes. Venho me afogando porque o que me dava fôlego tem se escondido de mim. Continue lendo “Eu preciso escrever porque…”

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