Eu também seguirei

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Ela separou uma folha qualquer de um caderno e escreveu:

Esses dias vi você caminhando com a sua nova amiga no parque. Estou deduzindo que seja sua amiga porque atualmente estão sempre juntas. E pelo modo como vocês conversavam… Nossa! Você estava tão feliz, tão… cheia de vida. E quer saber de uma coisa: aquilo me incomodou muito.

Em casa, estava tentando tirar aquela cena da minha mente – em vão. Tentei ler um livro, escutar umas músicas, lavar as louças, mas nada me fazia lhe esquecer. E como minha mente é bastante fértil, imaginei até o que poderiam estar conversando. Talvez estivessem falando sobre o seu casamento, e olha que engraçado: você vai casar e não me falou nada?! Já fiquei sabendo por outra pessoa.

Sabe também o que me deu vontade de fazer quando as vi? De chegar nessa sua amiga e dizer: vá embora sua impostora, você está ocupando o meu lugar. Porém, apesar da vontade, eu jamais faria isso, sabe por quê? Porque você trocou a minha amizade e soube seguir o seu caminho, e por mais que isso me entristeça, eu também seguirei o meu. E pensar que era eu quem frequentemente caminhava com você naquele parque, justo naquele parque…

Agradeci bastante a Deus por você não ter me visto, não sei qual seria a minha reação – fingir que não lhe vi (?) chorar (?). A resposta para esses questionamentos sempre será uma incógnita.

Algum dia, quem sabe seja eu quem estará caminhando por aí alegremente com alguém, e você é quem vai estar no meu lugar, sentindo a angústia de me ver feliz. Saiba que eu não sinto prazer nisso, mas é que um choque de realidade faz bem de vez em quando, não acha?!

Novamente, vou tentar fazer alguma coisa pra ver se consigo esquecer aquela cena. Acho que tocar um pouco de violão vai me fazer bem…

Após escrever, ela arrancou a folha do caderno com força. Percebeu ira entrelaçada com tristeza naquele ato. Dirigiu-se ao quintal e ateou fogo naquele papel. Seus olhos cintilavam com o brilho das chamas. “Que mania estúpida essa minha de ficar escrevendo o que me dá vontade de falar ou fazer”…

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Rotina

Rotina

Hoje foi mais um dia daqueles: as mesmas pessoas, as mesmas coisas, os mesmos lugares…, enfim, a mesma rotina insuportável de sempre. Pergunto-me até quando minha vida se resumirá a essa monotonia. E o pior é saber que não sei a resposta para esse questionamento. Alguém saberia me informar, por favor?

Tenho muita inveja dessas pessoas que saem por aí sem destino, se desdobrando em loucas aventuras. Esses “tipinhos” demonstram ser tão felizes, né?! Não estão nem um pouco se importando para as obrigações do dia a dia. Apenas querem aproveitar a vida da melhor maneira possível.

Deve ser maravilhoso viajar a lugares que não estivemos antes, conhecer novas pessoas, provar comidas típicas de outras regiões, contemplar outras culturas… Resumindo, deve ser muito bom respirar novos ares. O modo automático que se encontra o meu viver está me sufocando. Anseio desesperadamente por uma oportunidade de fugir dessa mesmice, mas não tenho encontrado saída. Será que existe alguma saída?

Ultimamente tenho vivido com o pé na realidade e o pensamento vagueando em sonhos. Sonhos tão distantes… Porém, chega um momento que cansamos de sonhar, de imaginar como tudo poderia ter sido diferente. Gostaria muito que minha atual situação sofresse uma reviravolta, e finalmente eu fosse feliz da maneira que eu sempre sonhei. Longe de tudo que não me apraz, longe de tudo que me sufoca, longe de toda essa rotina. Algum dia isso aconteça, quem sabe…

Eclipse

Eclipse

Ele não sabia onde estava. E também não queria saber. Almejava apenas estar a só consigo mesmo, com seus infinitos pensamentos.

Horas antes havia entrado em um ônibus sem atentar para o destino final. No entanto, não sentia que estava perdido, afinal “quem tem boca vai a Roma”, dissera o seu pai há muito tempo, quando ainda moravam no interior.

Estar naquela praça sentado em um dos bancos com um pedaço de papel dobrado na mão lhe fazia refletir. Ficou tentando lembrar em quantas praças havia passado em todas as vezes que lhe ocorrera esses acontecimentos. E chegou a conclusão que foram nove ao todo.

Quando discutia com sua esposa, ele agia dessa forma: saía de casa sem rumo, entrando no primeiro ônibus que encontrasse e descendo em qualquer praça que avistasse. Porém, uma coisa ele tinha certeza: que voltaria para casa e tudo ficaria bem. Ele trabalhava como mecânico, mas o seu sonho sempre foi ser músico. E as discussões com a sua esposa lhe inspirou a compor uma canção. A sua primeira canção.

Eles estavam casados há quase dez anos. E nesse dia em que mais uma vez saiu sem destino, estava se recordando de quando se conheceram – foi no cinema, no qual se sentaram ao lado para assistir um determinado filme dramático. Ela chorava bastante, e ele ficou comovido com aquela pobre moça.

– Senhorita, posso lhe ajudar?

– Ah, obrigada, eu vou ficar bem. Filmes de drama sempre me rasgam o coração.

A partir daquele dia, eles se tornaram amigos.

Entretanto, essa amizade durou pouco tempo, pois logo estavam namorando. Nesse meio termo, compartilhavam sonhos, projeto de casamento, falavam sobre os futuros filhos… Depois do episódio do cinema, seis meses se passaram e eles se casaram com direito a uma linda cerimônia na praia, sendo abençoados pelo pôr do sol no final da tarde.

Todos esses fatos passavam como um filme em sua mente. E, era justamente por causa destes que, apesar das discussões, não deixava de amar a esposa um minuto sequer. Eles haviam superado muitas coisas, e ele entendia que nada, absolutamente nada tinha o direito de destruir o seu relacionamento.

Ele abriu o papel dobrado e pôs-se a ler a canção que compôs especificamente para a sua amada, cujo título era “Eclipse”. O eclipse é um fenômeno astronômico raro, que ocorre de tempos em tempos, com duração de no máximo poucas horas. E ele relacionou as discussões com a esposa a um eclipse, que embora haja momentos de extrema ou parcial escuridão, a lua sempre voltará a brilhar, assim como o amor deles.

Ele sorriu. O sol estava a se pôr, e era o momento de regressar para os braços daquela que um dia lhe dissera SIM. Informou-se com uma pessoa em como voltar para o bairro onde morava, e fez seu trajeto de volta, feliz, sorridente…

Ao chegar em casa, ele a viu de costas – ela estava preparando o jantar. Engraçado que tudo parecia metricamente ensaiado, pois ele sabia que iria encontrá-la dessa forma, e ela sabia que quando ele chegasse, seria abraçada por detrás e os dois se envolveriam em um beijo apaixonante. E foi assim que aconteceu. Afinal, aquele eclipse não foi o primeiro a ocorrer. Eles sabiam perfeitamente que a lua voltaria a resplandecer entre eles.

– Aonde você foi dessa vez? Aposto que estava em uma praça qualquer…

– Acertou – os dois caíram na risada. – Sabia que eu lhe amo muito meu amor?

– Mentira! Eu lhe amo mais.

– Não, eu é que lhe amo muito mais…

Banho de Vida

banho de vida

O chão estava frio. Pareceu que o piso absorvera toda a umidade da noite. No entanto, aquilo não era um empecilho para Laura que se encontrava ali deitada, como uma folha jogada ao léu.

Ela tremia. Suas roupas não estavam ao seu favor. Se alguém a visse naquela situação, diria que estava perdendo a noção. Afinal, quem trocaria o “quentinho” das cobertas pelo piso gélido? Laura trocou. E havia um sentido para estar ali.

Ficar deitada no chão revelava o quanto a sua vida chegara ao lugar mais baixo possível. Se a vida lhe apregoasse mais uma queda, procuraria outro lugar ainda mais baixo. “Dessa vez um poço”, pensou. Era como se tudo aquilo fosse uma preparação para a sua futura morada eterna: a cova. Já decidira que, se a morte chegasse para levá-la, não relutaria. Apenas aceitaria seguir seu destino numa boa.

Porém, naquela noite, ela escutara um som em seu celular, quase como um sussurro longínquo do além. “Alguém me enviando uma mensagem?”, questionou-se. Havia tanto tempo que ninguém se importava em pelo menos lhe dizer um “oi”. Por um instante também imaginou que fosse uma dessas mensagens chatas de operadora, o que a fez permanecer uns minutos a mais no chão. Mas a curiosidade lhe aguçara. Então se levantou, pegou o celular e leu a seguinte mensagem:

“NÃO ESPERE NADA DE NINGUÉM. AS PESSOAS ANDAM MUITO OCUPADAS PARA RESOLVEREM PROBLEMAS ALHEIOS. ENTÃO CORRA EM BUSCA DA SUA FELICIDADE. E SE NÃO TIVER FORÇAS PARA CORRER, RASTEJE-SE, MAS NÃO PARE DE LUTAR. NÃO DESISTA DA SUA VIDA, ELA É PRECIOSA DEMAIS!”

Laura nesse momento estava se derramando em lágrimas. Chorava e soluçava fortemente ao ler cada palavra daquele texto. Encontrava-se bastante sensível. Sentia um consolo inexplicável, como se os céus estivessem atentos ao seu sofrimento. Não sabia quem fora o “anjo” que enviara a mensagem, o número lhe era totalmente desconhecido.

Ainda com o celular na mão, a moça estava a pensar. Era como se seus olhos tivessem sido abertos para o mundo. Dirigiu-se em direção ao espelho – sim, o maldito espelho em que podia observar dia após dia o espetáculo de sua derrocada – e ainda trêmula e com lágrimas no rosto, fixou o olhar para si e falou: – amanhã será um novo dia para você Laura! Ela tivera um choque de realidade. Sempre colocara muita expectativa nas pessoas, se importava demais com a opinião alheia, para no fim, todas a abandonarem, deixando-a no “chão”. Mas isso iria mudar. Não mais se conformaria com a situação ao qual estava vivendo. “Chega! É tempo de mudar.”

Na manhã seguinte, acordou cedo. Tomou um enorme copo com suco de laranja e comeu ovos e queijo fritos com pão. Surpreendeu-se consigo mesma, há muitos dias estava sem se alimentar corretamente. Depois, arrumou-se e foi ao seu destino. Seus passos eram firmes, como se cada pisada significasse uma facada na velha Laura que estava ficando pra trás.

Ao chegar ao salão de beleza, ordenou que o cabeleireiro cortasse seus enormes cabelos que alcançavam a cintura. – Por favor, deixe-os na altura dos ombros – disse ela. Embora estivessem mal cuidados, observara minunciosamente cada fio sendo esparramado ao chão. Após quase duas horas, com todo o acabamento realizado, Laura deu uma girada 360º na cadeira e falou em alta voz: ESTOU ME SENTINDO MARAVILHOSA! Agradeceu ao cabeleireiro e saiu sorridente, seguindo em direção ao shopping. Chegando lá, passeou bastante pelas lojas, no qual comprou roupas, calçados, maquiagens e utensílios para o lar. Em seguida almoçou num restaurante no próprio shopping, resultando em um encontro inesperado.

– Laura? – a moça estava boquiaberta. – Nossa! Como… Como você tá mudada. O que aconteceu?
– Oooii… Luana – Laura a encarou surpresa. Não esperava encontrar ninguém do seu passado tão depressa. – Bom, não aconteceu nada demais – respondeu francamente. – Você quer sentar para almoçar?
– Ah, não, obrigada. Acabei de comer. Mas eu ainda tô impressionada com essa sua mudança. Está mais bonita, mais jovem… Há quanto tempo não nos vemos né?
– Aham – assentiu Laura. – BASTANTE tempo mesmo.
– Bom, vamos marcar qualquer dia desses de nos encontrarmos com a galera. Aposto que todos vão ficar pasmos com você amiga.
– Tá ok, quando eu tiver tempo, eu lhe aviso – sorriu prudentemente.
– Tá bom então, a gente se fala depois. Até mais.
– Tchau.

Laura a observou indo embora. Lembrou-se de como Luana a deixara na mão em uma fase difícil de sua vida. “Quer saber quem são seus verdadeiros amigos?” – pensava ela – “Esteja numa pior. A vida é encarregada de revelar quem os são”, concluiu.

Quando terminou, foi para casa. Jogou as sacolas de compras em cima da cama e se olhou no espelho. – É. Talvez você tenha mudado mesmo L-A-U-R-A – finalizou a frase sorrindo freneticamente. Porém, sentia que havia uma coisa a mais para fazer. Algo que há muito tempo não realizara. Ela adorava fazer isso, sentia-se sempre renovada. Então, sem pensar duas vezes, seguiu para o lugar tão esperado.

Passava das 4h da tarde, e Laura se encontrava em frente ao mar, contemplando o horizonte. Seu olhar estava firme em direção ao infinito. Adorava ouvir o barulho das ondas, sentir a brisa do vento, a areia da praia… Tudo aquilo a tranquilizava. Havia chegado poucos minutos antes, mas aguardava o aglomerado de banhistas esvaziar o local. Enfim, quando as pessoas estavam indo embora, fez o que tinha que fazer: correu em direção ao mar e mergulhou intensamente. Se pudesse, abraçaria todo o oceano. Laura pulava e brincava em cada onda que emergira. Ao erguer-se, passou as mãos em seus cabelos, levantou o rosto e falou: – agora sim eu sou uma nova pessoa. Depois de algum tempo, saiu do mar sorridente e sentou-se na areia, feliz com o seu “banho de vida”.

Nesse momento um rapaz aproximou-se…

– Boa tarde moça! Eu fiquei lhe observando ao longe e vi o quanto você estava alegre quando se banhava. É a sua primeira vez no mar? Ah, desculpas, eu não me apresentei: meu nome é Carlos, e eu sou surfista aqui da região.

Carlos era um tipo daqueles bronzeados, cabelos louros e olhos verdes. Estava despido de camiseta, usava uma bermuda estampada com flores e carregava debaixo dos braços uma prancha azul e branca com um desenho de tubarão.

– Boa tarde Carlos! Eu me chamo Laura. E respondendo a sua pergunta: Não! Não é a primeira vez que venho ao mar. E realmente estou muito alegre, porque hoje eu… – ela olhou para o horizonte e recordou a sua situação até a noite anterior. Olhou-o em seguida e continuou: Porque hoje eu renasci, acordei para a vida, decidi me dar uma nova chance.
– Nossa, que legal! Isso é tão… inspirador. E o que fez você tomar tal atitude? Oh, mais uma vez lhe peço desculpas, não quero ser inconveniente, é que gosto de fazer novas amizades, sabe?!
– Sem problemas. Você já ouviu aquele ditado: “Amigos podem se tornar grandes estranhos e estranhos podem se tornar grandes amigos”?
– Já sim – assentiu Carlos. – E isso agora faz todo sentido. Os amigos que eu tinha – ou pelo menos que achava que tinha – me abandonaram.
– Então eu acho que temos muito em comum – disse Laura esbanjando um sorriso no canto da boca. – Bom, sendo assim, será que você terá paciência de ouvir o quanto tenho a dizer sobre minha pessoa?
– Tenho certeza que vou adorar ouvir um pouco da sua história – falou ele enquanto sentava pacientemente ao lado da moça.

E assim, a conversa fluiu. O som das ondas desfazendo-se na margem era o fundo musical, tendo o sol se deleitando ao ocaso como cúmplice daquelas vidas que, a partir daquele dia, não foram mais as mesmas.

E você, também precisa de um “banho de vida”?

Decepção

Decepção

Eu poderia esperar essa atitude de qualquer pessoa, mas não da sua parte. Você simplesmente destruiu os sonhos que havia em mim, deixando-me no fundo do poço. Meu mundo desabou por sua causa. Tá satisfeito agora?

Foi tudo ilusão. Acreditei em cada palavra proferida. Deixei-me levar por cada gesto de carinho seu. Por que você fez isso comigo? Por que me fez acreditar que seriamos felizes? Queria nunca ter lhe conhecido, sabia?! Só assim não precisaria sofrer com essa decepção.

Sabe qual foi o meu erro? Foi ter colocado muita expectativa em nosso relacionamento. Quebrei a cara! As pessoas podem nos surpreender, tanto para o bem como para o mal, e escolhestes a segunda opção. Poxa, eu me doei ao máximo. Fiz o possível para que tudo ocorresse bem, mas você não colaborou. Aquele ditado “tanto faz como tanto fez” se aplica a sua atitude.

Realmente as aparências enganam, e nesse quesito você se saiu muito bem. Parabéns meu querido, o Oscar de melhor atuação é todo seu. No entanto, vou lhe dizer algo: eu conseguirei dar a volta por cima. Há situações na vida que, por mais difícil que seja superar, um dia se consegue. A ferida que você deixou em meu coração vai cicatrizar, e eu serei feliz novamente. Para cada fim há um novo começo. E a minha vida vai começar outra vez. Sem você…

Os fortes também choram

Os fortes também choram

Para: Alexa

Perdoe-me. Não estou com condições de encarar o dia amanhã. As forças de mim se dispersaram. A verdade é que não encontro forças para lutar há bastante tempo.

Dizem os sábios que o amanhã é sempre um novo dia. Será? Ver as mesmas pessoas, estar nos mesmos lugares, realizando a mesma rotina? Sinto lhe informar, mas os sábios não me convenceram. Pelo menos não ainda.

Tenho vivenciado dias difíceis sabe?! Tá sendo muito difícil suportar tudo. Outrora me peguei pensando em uma passagem bíblica que fala dos dois alicerces – uma casa que foi construída sobre a rocha e a outra sobre a areia. É… A casa sou eu. E nessa simulação, edifiquei-me na areia, mesmo sabendo dos riscos. Agora, observo partes de mim se esparramando ao chão. Tenho a terrível sensação que em breve vou desmoronar. Grande será a minha derrocada. Triste fim!

Desculpe-me por não ter sido forte o suficiente para lutar contra mim mesma. Nunca soube lhe dar com a explosão de sentimentos que me acomete. Gostaria de entender certas coisas, mas logo me angustio ao não encontrar respostas. Talvez eu precisasse de soluções palpáveis…

Só lhe peço uma coisa amiga: não diga que estou fazendo drama. Sabes que não gosto de falar dos meus problemas, mas é que chega momentos em que precisamos desabafar, caso contrário, isso pode nos sufocar. Poderia perfeitamente usar aquela linha de maquilagens que ganhei de presente do Armando e sair por ai estampando um belo sorriso. Quantas vezes já não fiz isso?! Porém, me encontro cansada. Alguns dizem que disfarçar os problemas é característica de pessoas fortes. No entanto, os fortes também choram… Os fortes também se cansam… Os fortes também se angustiam… E antes de finalizar esse texto, saiba que já estou chorando.

Como não nos veremos amanhã, estou lhe enviando este e-mail. Qualquer coisa entre em contato comigo.

Se cuida tá! Fica bem.

Um abraço,

Luíza

Destinos…

DESTINOS

Semanas atrás me ocorrera esse pensamento, que não passava de uma mera cogitação. Estava realmente disposto a fazer o que fosse preciso para que tudo em minha vida pudesse dar certo. Mas hoje, especificamente hoje, essa ideia se tornou uma concreta decisão: vou permitir que a própria vida conduza-me os passos. Talvez para você, caro leitor, essa afirmação seja uma grande bobagem, afinal, estamos destinados ao fim que nos espera. Porém, nesse percurso, nego-me a continuar tentando reverter os caminhos que os céus têm para mim traçado. Foram tentativas e mais tentativas… em vão.

Decidi também que não quero mais ser o autor da minha própria história. Esse negócio de ditar os rumos deste enredo é uma grande responsabilidade. Arriscado demais. Foi quando aderi ao trecho que determinada música diz: “deixa a vida me levar”… Apoiei-me somente nessa frase. Sendo assim, permito que a vida me leve para bem longe, se possível…

Logo após, ele fechou o caderno – intitulado “MEU CADERNO DE PENSAMENTOS” -, colocou-o no chão, virou-se para a parede e logo adormeceu, sua cama envolvendo-o como num enlace.
***
Era fim de tarde. Ele caminhava pela areia da praia com as sandálias nas mãos e uma incrível sensação de liberdade. Virou-se e viu que as pegadas haviam sido desfeitas, ora pelas ondas que sugavam a areia, ora pela brisa amena do mar. “All we are is dust in the Wind” (Tudo o que somos é poeira ao vento), pensou.

Depois de mais alguns passos, ele larga as sandálias e observa a sua volta. Não havia ninguém por perto, apenas umas poucas pessoas ao longe nos quais não notariam sua presença. Então, como se por um breve impulso, aquele jovem entra no mar. Podia ouvir as águas agitadas chamando o seu nome. “É um sinal”, pensou. Seguiu andando mar adentro, até que em certo ponto não sentia mais o chão debaixo de seus pés. Isso o deixou um pouco apavorado, mas não podia retroceder. Na verdade não queria. Chega um dia em que tudo precisa ser feito. E assim ele o fez.

Continuou seguindo em direção ao infinito, até que uma enorme onda o sugou para as profundezas, permitindo-lhe desvendar os mistérios que envolvem essa fascinante obra da criação. Passado algum tempo, ele não submergiu. O oceano realmente o abraçara. Não voltou mais. A vida o levou… E desta vez para sempre.

Na manhã seguinte, as sandálias daquele jovem rapaz estavam um pouco submersas na areia. Ali, um mendigo que caminhava as observou ainda distante. Pegou-as, lavou-as no mar e as calçou. Não mais ficaria descalço. Alegrou-se em apenas imaginar que os resíduos terrestres não iriam mais lhe espatifar os pés. Caminhara adiante, a ver se encontrava alguma coisa que lhe fosse útil. Nessa jornada, ele continuou prosseguindo em seu destino, assim como aquele jovem rapaz seguiu o seu…

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