Ember Bloom

Oh! Stop doing so,
Why do you smile but hide your teeth?
Your eyes are like flames of fire, girl.
They flash, emphasize, accentuate, sparkle.
Your most impure desires,
Your incandescent soul.

Please don’t hide behind the jokes,
Please don’t divert the attention,
The night is just beginning,
The other guys just talk bullshit.
Provoke who bear up yours dangers,
Do not put any more wood in the fire.

Continue lendo “Ember Bloom”

Metanoia

Sérgio abriu o bolso, catou algumas moedas e pagou a passagem do trem. Rodou a catraca, esbarrou no jovem aprendiz, desceu as escadas e, tonteando, ajoelhou frente a lixeira. Após vomitar um pouco, voltou a ficar de pé. Secou a boca suja na manga do casaco e parou na faixa de espera da estação. O trem veio em seguida. “Porra, que dor de cabeça! Não consigo lembrar de nada! Droga, droga!”, desabafava baixinho. O trem se aproximou lentamente. Era uma manhã tranquila, de um provável dia chuvoso. O frio, a garoa fininha, a cara mal lavada do povo, as toucas, o mal cheiro, a falta de disposição, barulhos de tosse, crianças chorando, latas de cerveja espalhas pelo chão. Ah! Tinha tudo pra ser mais uma morosa segunda-feira. “Não consigo lembrar de nada!”, ele repetia.

Entrou… ou melhor, se apertou no trem lotado. Muita gente desceu na estação de Madureira, onde ele estava, porém uma parcela dobrada entrou novamente no trem junto com ele. Sérgio achou um bom vão entre a fileira de bancos e a porta lado oposto. Em dias assim, aquele espaço minúsculo era como o trono de um rei. A ressaca destruía sua cabeça, ele espirrava e a dor contorcia seu cérebro como uma descarga elétrica. Estava puto, duro, com as costas doloridas e um gosto esquisito na boca. Desconfiava de todos, pensava mil coisas. Seu celular estava desligado, ligou-o e descobriu o motivo: havia apenas 5% de bateria. Decidiu desliga-lo de novo para poupar. O motivo de tanto imbróglio era o de sempre: ele bebeu todas que podia na casa de um velho amigo, o Sidney, na madrugada de domingo para segunda e se esqueceu que precisava estar na reunião geral da empresa as 9hrs. Sua ausência colocaria inclusive, sua permanência em risco. Bem, o relógio arrastava pelas 7:25min. Ele tinha tempo, só não tinha cabeça, espírito, vontade, reminiscência.

Continue lendo “Metanoia”

Ninguém é de ferro

Deixei meu fusca azul no estacionamento do edifício office. Abri a porta e o guarda-chuva logo após. Céus! Como chovia naquela manhã. O mundo estava acabando. Mal dei três passos e já havia encharcado minha bota nova. Não era legítima, era chinesa. Porém comprei pela internet e demorou três meses pra chegar, não estava a fim de perde-la na primeira lama da vida. Desviei de três ou quatro poças d’água até alcançar o saguão. Fechei o guarda-chuva, sacudi a calça, cumprimentei o vigia e fui até o elevador. Apertei o número do meu andar, “18“, dei três pancadas de leve no botão. Era um procedimento padrão, na época achava que quanto mais se aperta um botão de elevador, mais rápido ele vem.

Quando cheguei ao décimo oitavo, puxei as chaves do bolso e abri a porta do escritório. Olhei tudo e não encontrei nenhuma goteira. Aquilo já havia sido uma vitória. Era uma quarta-feira qualquer, de uma semana com poucos clientes. É uma merda ser advogado nesta cidade. Parece que as coisas só funcionam no Brasil para quem é concursado. Minha recepção estava “OK“. Completamente limpa, com as revistas no lugar, com o radinho ligado, com o bebedouro cheio. Espirrei um pouco de aromatizante para criar um clima. “Nada molhado e tudo limpo, duas preocupações a menos“, pensei. Meu gabinete tinha papéis jogados para todos os lados da mesa. Arrumei tudo a moda cacete, estava com uma preguiça sem fim. Sentei na cadeira, ajustei-a. Minha janela ficava nos fundos, atrás da mesa. Fui até ela e abri as persianas. A chuva não perdoava lá fora, olhei ao redor: o trânsito pegando fogo, a estação de trem lotada, o metrô estalava nos trilhos quase submersos pela enxurrada. Ao lado da janela, meu calendário de parede segurava o cordão com meu crucifixo. Senti vontade de fazer uma oração. Em dias assim bate um desejo de de orar, de tocar o outro mundo. Só em dias assim. Quer dizer, quem consegue ser fiel durante o terrível calorão do verão? O sobrenatural já arde na pele.

Continue lendo “Ninguém é de ferro”

Semanalmente

Novamente ele perde o ônibus. Outro deslize de tipo e logo ficará desempregado. Ele não se importa, embora devesse se importar. Ele não está nem ai, embora precise estar. Há anos se sente perdido, ressentido, deslocado, atrapalhado. Pela quinta vez, arrisca tirar a pele do machucado, porém a ferida volta a sangrar, ela sempre volta a sangrar. Não secou, não está pronta ainda. Ele pira! Xinga! E saliva a marca feia no braço. Insiste na cura que não chega. Berra contra o tempo que não passa.

Continue lendo “Semanalmente”

Gipsy

Caminhou do trem para a cidade,

De uma beleza que envergonha até flores,

E de olhos que pluralizam qualidades.

Seu carinho, clandestino, é violeta,

Tens leveza, tens requinte, velados em seda,

Com uma boca que gaba e afaga,

Quem é ela que enfurece as solteiras?

Que desperta o ciúme das casadas?

 

Continue lendo “Gipsy”

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: