Desfecho

Escrevo essa carta por enigmas enquanto sobriamente minha alma grita por dentro não de dor, mas bebe em um tom de sarcasmo para o desabafo inevitável. Sei que futuramente tal texto dificilmente será entendido até por mim, mas mesmo assim é uma daquelas coisas dignas de se tomar nota.  Digo que o mesmo frio que gela a pele e causa tremores no corpo também queima a alma. Eis o constante motivo de meus pontuais silêncios enquanto meu espírito recita poesias e bebe vinho. Continue lendo “Desfecho”

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O imigrante da imaginação

Existe uma amarga estrada fria, muito grande e tortuosa que separa visivelmente nossa realidade ideal da que vivemos. E para não ficar sonhando acordado é melhor tentar buscar alcançar o ideal ou viver melancólico de tanto contar sonhos perdidos para as pessoas, mas frustrações não enchem barriga de ninguém e pesa muito a cabeça antes de dormir… E esse caminho não é calmo, ele é barulhento e cheio de curvas esburacadas, e pra piorar está caindo uma tempestade que tapa o para-brisa e os retrovisores. Podemos errar o destino ou bater esse carro em uma arvore ou até mesmo dar uma de iluminado diferentão e fingir que não estamos nessa pista enquanto as multas se acumulam todos os dias. Estar nas nuvens? Viver só de sonhos faz mal, nós nos tornamos demasiadamente platônicos e desligados do atual presente. Não quero ser um reclamão de tudo o que tenho vivido e de tudo que me cerca, pois gotas de gratidão em uma garganta seca vale-se muito. Tem até um autor que diz que para cada coisa ruim que se passa conosco devemos pensar em duas coisas boas que vivemos. E o que aconteceu antigamente não dá mais pra mudar. Continue lendo “O imigrante da imaginação”

A beleza consola o mundo

Se não fosse a contemplação das coisas belas tudo estaria terminado em um absurdo de vazio e sofrimento, tudo estaria acabado antes mesmo de começar. Nossos dias se tornariam ainda mais sem sentido e sem graça pois o infinito cinza não teria valor algum em si mesmo. As almas com pouca autoconsciência não sentiriam tanta dor assim, já que repetem dormentes como máquinas de vagões as multidões inquietas… Continue lendo “A beleza consola o mundo”

Esse momento

É na noite que surgem minhas poesias, como se o frio do vento rompesse cada pedaço dessa capa que me impede de expressar meus sentimentos românticos, quaisquer que sejam. Como se a noite estrelada iluminasse o coração desse poeta amador. O silêncio se faz lá fora, pois aqui dentro minha alma grita de amor. A noite é como o beijo da mulher amada com gosto de café…

Escrevo, amo, descrevo!

Sinto-me vivo, completamente vivo e intenso…  São esses pequenos momentos que fazem me sentir completamente humano e por-me em um estado de contemplação…

Que nada apague sua doce lembrança, seus sentidos, seu agora…

Não sabem eles que esse cara feio e rude carrega dentro de si a mais pura paixão, não sabem eles que tudo é passageiro e que nada dura pra sempre, não sabem eles de meus escritos e nem saberão! Eis que a máscara não grudou a minha cara, posso tira-la as vezes a noite.. Escrevo agora não como um personagem mas como o próprio autor que se confunde com sua obra…

 

Papéis

Se tens meu amor, algo a dizer?

O intenso gosto de teu beijo responde,

Levo-te comigo em um abraço forte,

E teu cheiro me consome!

 

Amo-te com um inteiro amor livre,

Que se louva em ter resposta,

Amo-te como diz Vinicius,

Como amiga e como amante!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Clarim

Pássaro que cantas no clarim do vento,

Inflama, contai a dor ou sofrimento?

Dizei-me a clareira, oh misterioso enigma,

É crepúsculo de tomento que dizes?

O fogo de teus olhos ferve, lembra-me que sou mortal,

A quimera fria de tua voz estoica anuncia,

Recebo trémulo vossa resposta que a tanto tempo tenho pedido!

Tu que gritas na noite, na mente e na morte,

Aflito? As florestas para sempre cantam,

Pressinto vossas poesias de inverno,

Serenos frios de doces lembranças.

 

 

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