Eu que amava

Toda sexta feira eu gosto de beber um pouco de vinho e tomar cerveja pra dar uma relaxada. Eu não faço nenhum tipo de marketing dos excessos ou dos vícios, e respondo por mim sobre meu controle, odeio fugir do eixo racional e não uso nada exterior a mim como válvula de escape. Eu saio, dou uma volta pela cidade com meu melhor amigo pra conhecer novas pessoas e contextos, e começo conversar sobre aleatoriedades da vida e papos “cabeça”, em contrapartida, qualquer nível de stress e apreensão é eliminado por esse diálogo eufórico. Eu faço assuntos difíceis e pesados se tornarem engraçados e simples sob efeito do álcool. De segunda a sexta eu sou movido a cafeína e outras paradas, mas sexta meus caros… Ah sexta, o dia de tomar umas pra relaxar e divertir um pouco… Continue lendo “Eu que amava”

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Lição

Depois da embriaguez? Amargura,

Depois da euforia insana? lucidez,

Das noites terríveis a clareza,

Do fim de paixões vãs a tristeza.

É como o café amargo que alerta,

A a escuridão que precede,

Desperto do sono animal,

O fim de sua ilusão chegou!

Já dizia os poetas: Há mal que vem pra bem.

Hoje provo desse fel que acorda,

Dos acordes cíclicos de melancolia,

Que se põe em um sorriso torto,

Das dores que o disfarce esconde…

 

Nas Nuvens

Eu sou o puro oceano de mar próprio,

Que navego intenso por inteiro,

Viajo nessas águas azuis de mim mesmo,

Nesse navio voador sem marinheiro.

O céu beija o oceano, saudades da terra!

Quando retornarei a Marselha nesse brigue catalão?

Antes que venha o vento forte de um tufão.

E a cada noite perco-me enquanto procuro-me,

Acho-me distraído suspensos nos ares,

Por isso que exploro os mares da solidão.

 

 

 

Desfecho

Escrevo essa carta por enigmas enquanto sobriamente minha alma grita por dentro não de dor, mas bebe em um tom de sarcasmo para o desabafo inevitável. Sei que futuramente tal texto dificilmente será entendido até por mim, mas mesmo assim é uma daquelas coisas dignas de se tomar nota.  Digo que o mesmo frio que gela a pele e causa tremores no corpo também queima a alma. Eis o constante motivo de meus pontuais silêncios enquanto meu espírito recita poesias e bebe vinho. Continue lendo “Desfecho”

O imigrante da imaginação

Existe uma amarga estrada fria, muito grande e tortuosa que separa visivelmente nossa realidade ideal da que vivemos. E para não ficar sonhando acordado é melhor tentar buscar alcançar o ideal ou viver melancólico de tanto contar sonhos perdidos para as pessoas, mas frustrações não enchem barriga de ninguém e pesa muito a cabeça antes de dormir… E esse caminho não é calmo, ele é barulhento e cheio de curvas esburacadas, e pra piorar está caindo uma tempestade que tapa o para-brisa e os retrovisores. Podemos errar o destino ou bater esse carro em uma arvore ou até mesmo dar uma de iluminado diferentão e fingir que não estamos nessa pista enquanto as multas se acumulam todos os dias. Estar nas nuvens? Viver só de sonhos faz mal, nós nos tornamos demasiadamente platônicos e desligados do atual presente. Não quero ser um reclamão de tudo o que tenho vivido e de tudo que me cerca, pois gotas de gratidão em uma garganta seca vale-se muito. Tem até um autor que diz que para cada coisa ruim que se passa conosco devemos pensar em duas coisas boas que vivemos. E o que aconteceu antigamente não dá mais pra mudar. Continue lendo “O imigrante da imaginação”

A beleza consola o mundo

Se não fosse a contemplação das coisas belas tudo estaria terminado em um absurdo de vazio e sofrimento, tudo estaria acabado antes mesmo de começar. Nossos dias se tornariam ainda mais sem sentido e sem graça pois o infinito cinza não teria valor algum em si mesmo. As almas com pouca autoconsciência não sentiriam tanta dor assim, já que repetem dormentes como máquinas de vagões as multidões inquietas… Continue lendo “A beleza consola o mundo”

Esse momento

É na noite que surgem minhas poesias, como se o frio do vento rompesse cada pedaço dessa capa que me impede de expressar meus sentimentos românticos, quaisquer que sejam. Como se a noite estrelada iluminasse o coração desse poeta amador. O silêncio se faz lá fora, pois aqui dentro minha alma grita de amor. A noite é como o beijo da mulher amada com gosto de café…

Escrevo, amo, descrevo!

Sinto-me vivo, completamente vivo e intenso…  São esses pequenos momentos que fazem me sentir completamente humano e por-me em um estado de contemplação…

Que nada apague sua doce lembrança, seus sentidos, seu agora…

Não sabem eles que esse cara feio e rude carrega dentro de si a mais pura paixão, não sabem eles que tudo é passageiro e que nada dura pra sempre, não sabem eles de meus escritos e nem saberão! Eis que a máscara não grudou a minha cara, posso tira-la as vezes a noite.. Escrevo agora não como um personagem mas como o próprio autor que se confunde com sua obra…

 

Papéis

Se tens meu amor, algo a dizer?

O intenso gosto de teu beijo responde,

Levo-te comigo em um abraço forte,

E teu cheiro me consome!

 

Amo-te com um inteiro amor livre,

Que se louva em ter resposta,

Amo-te como diz Vinicius,

Como amiga e como amante!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Clarim

Pássaro que cantas no clarim do vento,

Inflama, contai a dor ou sofrimento?

Dizei-me a clareira, oh misterioso enigma,

É crepúsculo de tomento que dizes?

O fogo de teus olhos ferve, lembra-me que sou mortal,

A quimera fria de tua voz estoica anuncia,

Recebo trémulo vossa resposta que a tanto tempo tenho pedido!

Tu que gritas na noite, na mente e na morte,

Aflito? As florestas para sempre cantam,

Pressinto vossas poesias de inverno,

Serenos frios de doces lembranças.

 

 

Que pensas mulher que dói tua partida.

Ei Emile,

Resolvo responder a tua carta, pela última vez… São quase nove horas da noite, uma noite fria atípica de março, são as águas de março, mas sem promessas ou esperanças. Nas ruas não há nada inspirador, tudo passa o ar de feiura e utilitarismo que não é capaz de dar respostas para ninguém. Continue lendo “Que pensas mulher que dói tua partida.”

Te digo a história desses dias anormais

Campos do Jordão, 2019

 

De imediato o doce frio de junho toma a minha pele parda quando abro parcialmente a porta, suspiro lentamente como um beijo suave a brisa que vem sobre mim enquanto a fumaça de meu café amargo desenha sombras engraçadas no ar. É tudo momento, é tudo um instante, viver é perceber: não podemos fugir do agora, esse é o pensamento que canta em minha cabeça a alguns dias quando começo ficar pensando demais em coisas que não tenho domínio, o presente sempre será perene em qualquer momento de nossas vidas. Até as lembranças tomam vida e cor quando a temos novamente, as emoções fazem com que sentimos o gostinho outra vez, seja ele azeda como o limão ou doce como mel, tome cuidado!! Continue lendo “Te digo a história desses dias anormais”

Goles e tragos

Me dói mais que um tiro,

Uma facada, fere, mas não mata,

Não tiro a máscara, que esconde a cara.

Me corta tanto,

Perfura a alma,

No fundo vejo sombras, delírios, minha agonia,

Perdi meu sono a quatro dias.

Tento escrever, mas não demonstro,

Um pesadelo, virei um monstro?

O poeta é bonito para quem ver de fora,

Porque se me olhar por dentro você chora,

Desgraçada, veio e roubou minha paz.

Então me recomponho, componho esses versos

Não confiando mais em ninguém,

Me confinando com minha máscara,

Um grande ator, tamanha farsa,

Descarrego tudo na escrita, somente,

Maldita, apesar de ser bonita.

 

Café

 

Tu que vens nos dias frios e ferve,

Que estais em minha cabeça domina

A minha boca que te toca quente,

Suspira, minha alma te pede.

 

De teu gosto emana vida,

Dádiva minha mente ilumina,

O teu cheiro em mim resplandece,

És verdadeira alegria.

 

Tu gritas quando tudo é cinza,

Teu sabor forte e intenso,

Vibra tuas cores amor.

 

A nada te compararei,

Não te prendes mil poemas,

Nem sequer a dor da saudade.

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