Estupefato

Poesia, velha arte do encanto
E se descer-me o teto escuro
Quem há de iluminar meu canto?

 

Se hoje sou poeta,

O sou pois já amei e tanto

Que as rimas indiscretas

Derramo no papel, de espanto

 

E o susto arrepiado dos meus versos

Faz o som mais predileto

Quando encontra os lábios teus

 

Ruas, coisas tortas de concreto

Onde passo em desconcerto

Procurando os passos, Deus!

 

Mas se acabar meu universo

E eu versar o avesso inverso

Desse verbo que era meu

 

Vivo! Em silabadas no meu peito

Embalando um som perfeito

Meu amor jamais morreu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Prosopopeico

As vezes olho as paredes

E parecem falar comigo

Alguma coisa surda,
Breve, opaca, indissoluta
O no timbre insuportável dos seus versos
Venho ver meu universo,
entre dedos me escorrer
E a cada gota suja da memória
Essa dor é minha história
Não é fácil de esconder
Já inerte
entre as notas frias da parede
Meu chorar, a minha sede
E essa melodia morta
Digo:
sede fortes, homens, sede!
Quem tem dor tudo suporta.

Faça silêncio!

 

Um pouco de papo e as palavras que

palpitam no coração a boca escapa.

 

 

Aquela velha capa…

Aquela velha capa…

 

Esconde o sentimento,

a vela apaga.

Pois tudo jaz cá dentro

e o peito embala

o sonho e o descontento

de quem cala.

 

 

E desse emaranhado,

minha entranha,

nasce este novo verso

que te estranha.

 

Pois é!

A vida está do avesso essa semana,

mas o que fica cá comigo

me acompanha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Você precisa saber de mim.

capa

Eu vivo sem muito  porquê,

meus versos despedem de ti,

os meus passos se esquecem em si.

Onde é  que eu me vou sem você?

 

Não tenho mais rima, confesso.

Eu sei, meu amor, eu não sei.

Ficaram no Rio meus versos

e aquele sorriso que dei.

 

Não quero te assustar assim,

mas tudo parece e é tão triste.

Eu sei que essa dor só existe

porque  estás longe mim.

 

Poesia de cabeça pra baixo

 

 

Copiosamente,

cada boca agoniza o fel que sente.

A pálpebra ojeriza o sol ardente.

São cacos a beijar os pés da gente.

 

Volto ao mesmo mal que é meu de abrigo,

peço pra que a dor deite comigo

e vivo sob o teto do inimigo.

 

Íntimos da dor, do sofrimento.

Ao me encher de culpa, eu que intento

sufocar o bem que jaz cá dentro.

 

Caridosamente,

vi ceder a dor, o mal cadente.

Sucedeu o amor, alegremente.

Hoje verso o avesso em minha mente.

 

 

O tempo não passou aqui.

´´…Não sei, comigo vai tudo azul
Contigo vai tudo em paz…“

 

Aquela canção à Gal Costa

fazendo lembrar de você.

A gente se ama e se  gosta.

A gente que é cego e nem vê.

 

A vida, e a gente, é tão breve.

Pensei em te amar muito mais,

deixar que esse sonho nos leve.

Amor, o meu julho é lilás

 

Lembrei  do sorriso que tive,

olhando o colar que te dei.

Em poesia e amor se cultive

 

a flor, meu azul, hoje eu sei.

Baby, esse amor que inclusive

os versos mais simples te dei.

 

Pétala de julho

O asfalto se abria em plena luz de março

E dele uma brecha nascia uma flor

Da flor o perfume molhara meus olhos

São olhos de julho jurando de amor

 

Nas covinhas rasas das tuas bochechas

A gente sorria e se amava demais

Amores de lírios e flores-cerejas

As luzes de julho luziram lilás

 

 

 

 

 

 

Súplica

Ilusão, traga-me, ser completo.
Traga-me para perto
de tudo que perfeito há.
Ilusão, faça-me ser perfeito,
mais que perfeito, feito
para contigo estar.
Coração, traga um sorriso aberto,
mais do que aberto, certo,
certo que tudo há.
Solidão, mostra que sou mais um,
mais do que muitos, um,
temo deixar de amar.
24.10.2014

Onde?

Estamos quase tristes.

Quase sempre tão felizes,

 

estamos quase sempre,

quase nus,

quase sãos,

quase sadios.

 

Estamos quase vivos,

quase mortos.

Estamos quase todos tortos.

 

Quase todos satisfeitos.

Somos muitos.

Somos tantos.

 

Estamos tão seguros de si mesmos.

Estamos enganados.

Sozinhos.

Estamos quase lá.

Onde?

Turvo

Peças pálidas de roupa,

verbos amassados.

Alguns goles de um silêncio cálido

descendo a minha garganta,

a ferventar agouras e medos passados.

 

Tantos versos errados,

quantos passos sem fim.

De mim, o que mais resta?

Senão esse senso e essa sede de amar.

 

Há tanto a se ver, e tão perto é o fim.

Poupo-me a poucas palavras,

mas versos escorrem de mim.

Raindrops

Num mundo de retas, traçados,
talvez os meus versos borrados
agradem tão poucos sorrisos

Amigos são poucos, Pequena
Me deste um singelo sorriso
Ao vê-lo, chamei de poema
e dei meu amor por abrigo

Tu logo fizeste morada
e fez do meu peito querido
Em mim, teu olhar tão imerso,
ao vê-lo, chamei-o de verso,
senti que tu estavas comigo

Se fez do que antes foi nada
Em nós, esse amor se fazia
Me deste tua boca rosada
Beijei e a chamei de poesia

Ascético

Caras semi-amarradas

movem-se vultosamente entre esquinas.

Cada coração magoado traz a marca

e traga cada nota das buzinas.

 

Em passos pálidos ligeiros,

repreenchem cada vil espaço,

entre roupas e dinheiros,

entre a vida e o cansaço.

 

É quase tanto,

e é tanto nada.

Cada vida sem sentido.

Cada ´´oi“  é quase um grito.

Cada corpo na calçada.

 

 

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