Eu que amava

Toda sexta feira eu gosto de beber um pouco de vinho e tomar cerveja pra dar uma relaxada. Eu não faço nenhum tipo de marketing dos excessos ou dos vícios, e respondo por mim sobre meu controle, odeio fugir do eixo racional e não uso nada exterior a mim como válvula de escape. Eu saio, dou uma volta pela cidade com meu melhor amigo pra conhecer novas pessoas e contextos, e começo conversar sobre aleatoriedades da vida e papos “cabeça”, em contrapartida, qualquer nível de stress e apreensão é eliminado por esse diálogo eufórico. Eu faço assuntos difíceis e pesados se tornarem engraçados e simples sob efeito do álcool. De segunda a sexta eu sou movido a cafeína e outras paradas, mas sexta meus caros… Ah sexta, o dia de tomar umas pra relaxar e divertir um pouco…

E em um desses vai e vem de assuntos passou pelas nossas conversas: música, psicologia, sedução e amizades e entre outros que nem lembro nas minucias. É sexta feira 13, e mesmo assim nada de ruim aconteceu, o clima está ameno e a cidade movimentada de gente, sentamos em uma praça bastante conhecida em frente a uma faculdade particular e começamos a jogar papo fora, cada um com um vidrinho de 600 mL de uma marca boa de cerveja que não vou fazer propaganda. As luzes da cidade sobrepunha lentamente as arvores com suas flores ainda nascendo..

De repente surge feito um raio em meu cérebro um pensamento enquanto comentava sobre meus últimos relacionamentos, que em outro contexto eu jamais teria. E é por isso que estou escrevendo esse texto aqui. É uma daquelas coisas que não é em vão tomar nota. Vale relembrar que na hoje na aula a tarde eu dei uma viajada e um outro pensamento passou feito um meteoro em minha mente, mas esse não consegui captar, Esqueci! Que pena!

Então, anos atrás, pra ser exato: Um ano e meio atrás! Era eu um romântico nato, um idealista, a realidade para mim era demasiadamente perturbadora, me sentia como se tivesse nascido fora de época. Eu acreditava profundamente que o amor era como nas poesias ou enredos de filmes, que se eu encontrasse uma mulher para me relacionar que somente o amor sustentaria tudo. Eu acreditava na existência de uma alma gêmea. Era uma pessoa inteiramente carente e sentimental que mergulhava facilmente em paixões e depois quebrava a cara vendo caras sem noção mas com um pingo de dominância e conversa mole levar embora as mulheres que eu desejava. Até as mais santinhas de igreja não queriam meio papo comigo, e se encantavam com o primeiro que causasse uma impressão inicial instigante. Eu escrevia cartas e poesias e entregava pra pessoas que hoje nem sequer tenho intimidade pra perguntar se estão bem… Eu basicamente era um homem a moda antiga, no sentido pejorativo da coisa também, acreditava que no relacionamento somente eu deveria ser o provedor de recursos materiais e outras paradas. Seria normal se, eu tivesse nascido em 1950. Ninguém liga se o cara é legal ou romanticozinho cheio de boas intenções, isso por si só não tem significado nenhum.

Por conseguinte, com o andar do tempo, me tornei uma pessoa divergente de quem anteriormente eu era no quesito erótico da coisa, gosto de mulheres que acrescentem muito mais do que sentimentos em minha vida, que construam seus próprios caminhos e que possamos a partir disso ter experiências novas juntos. Eu foco bem mais em uma interação de mentes e uma conexão profunda do que paixão em si. Eu fujo de qualquer idealização a longo prazo de amor eterno, e não superestimo nenhuma mulher que conheço, o único sentimento que me despertam profundamente é o da curiosidade de ir lá e interagir e interagir.  Tenho fetiche por pessoas inteligentes que expandem as possibilidades das coisas da vida. Eu considero o padrão ideal e poético de amor demasiadamente tolo, uma desvantagem perigosa, uma grande mentira conveniente, tudo o que é feito sobe tutela do coração está programado pra dar ruim. Falando dessa forma, nem parece que ainda escrevo poesias. E te falar, a maioria dos poetas são mentirosos ou estão com algum tipo de oscilação emocional quando escrevem, somente isso… Nada mais e nada menos.

Esse ano eu namorei por quatro meses com uma garota que possuía esse mesmo pensamento antigo meu, pensava ela que não era necessário nenhum tipo de esforço para o desenvolvimento de uma relação, e que o mínimo de dificuldade seria sinal de que aquilo não é segundo ela “Amor Verdadeiro”. A narrativa literária de um príncipe e princesa cairia muito bem nesse contexto, mas eu fiz questão de matar esse ideal em mim. Não havia mais em mim nenhum pingo de resquício, e este ideal maldito, deixou de ser parte de mim. Sem um pingo de direcionamento passional quis interagir com ela e tentar mostrar que as coisas não funcionavam bem assim, tive até paciência e empatia, mas acabou não dando certo… Não a culpo, estávamos em frequências diferentes e isso é além do bem e do mal. Ninguém saiu perdendo ou ganhando. Afirmo apenas a pequenez da vida.

A questão que importunou minha mente na noite é a seguinte:

Como pode hoje ela ser pra mim uma pessoa como as outras e que em outra realidade se eu tivesse mantido aquele antigo ideal eu moveria o mundo inteiro pra ficar por ela?

Como pode ela anos atrás se a pessoa perfeita e ideal e hoje não ter nenhum significado importante pra mim?

Como pode? Como pode?

Como é possível eu sentir e entender meu coração, mas não usa-lo pra nenhum tipo de decisão ou comportamento?

Isso só reforça em minha mente o pensamento de que tudo é questão do nível de percepção que temos no momento, e que as coisas podem se alterar drasticamente de uma hora pra outra a partir do tipo de emoção predominante.

E se alguém amo hoje, é porque escolho me dedicar e vejo uma conexão interessante, não porque existe algo metafísico, inexplicável e divino que nos une… No fim das coisas larguei de ser um idiota carente e passei a ver a realidade como ela funciona. Seria engraçado se fosse possível colocar frente a frente a pessoa que eu era com a que me tornei.

A noite que segue, vou aproveitar minha cerveja!!

 

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