O orgulho de ser um ninguém [+18]

Quando a música terminou de tocar, olhei ao redor e não vi mais nenhum dos rapazes que vieram comigo. Provavelmente já estavam bêbados demais para lembrarem de mim, ou se deram bem e estão beijando alguém em algum canto do terraço. Pela vidraça notei que, lá fora, o sol já estava pra nascer. As nuvens tomavam uma cor próxima ao púrpura e eu não via mais a lua. Então sai do meio da baderna e andei até a varanda. A música rolava ali também, com direito a balcão de drinks e pessoas se pegando na piscina. Piscina? Caralho, era muita vontade. Deveria estar fazendo pelo menos 2°; um frio de lascar. Aproximei-me do canto mais solitário que achei. Debrucei-me sobre o muro de vidro e acendi um cigarro. Dei um trago bem demorado e depois contemplei a cidade toda lá em baixo. Era prédio que não acabava mais. Por mil demônios, eu deveria estar no trigésimo andar a julgar pelo tamanho dos carros nas avenidas. Ou será que é só a bebida falando mais alto? Ah. Quem se importa? A noite paulistana é maravilhosa. De dia até pode ser depressivo, por vezes infernal. Mas a noite? Puta merda. A noite era a melhor do Brasil! E foda-se quem pensa diferente de mim, não acham que dói para um carioca assumir isso?

Fiquei ali, preso aos meus pensamentos por um bom tempo até a aproximação dessa senhora, uma que eu já conhecia de vista porque também era da empresa, da filial SP. Já trabalhei muito com ela por telefone, mas provavelmente ela não me reconheceria. Ao se aproximar, mexeu na bolsinha que trazia consigo e retirou um maço de cigarros pela metade. Uma marca cara, horrível, mas cara! Devo reconhecer que a mulher tinha classe. Logo após, trocando as pernas, achegou-se a mim;

— Tem fogo? — Perguntou-me.

— É pra já.

Puxei o isqueiro do bolso, acendi.

Ela se debruçou ao meu lado, deu alguns tragos e passou a reparar em mim, olhava-me dos pés à cabeça. Eu continuei na minha até ela puxar assunto.

— Estranho, não te reconheço. Você é da filial SP também?

— Não.

— Minas? Brasília?

— Não senhora.

— Você é da sede?

— Sim.

— Ora vejam só, um carioca! Agora sei porque está aqui sozinho. Nossas baladas são fracas demais pra você, certo?

Eu sorri. Carioca não fala “balada”, nem “vaquejada”, tudo isso sempre soará engraçado.

— Não é isso — disse — eu sou assim mesmo. É que a minha energia para festas dura somente na fase inicial. Rever os amigos, encher a cara, dançar um pouquinho, conversar sobre tudo… Até aí eu tenho gás. Só que depois de umas quatro horas nessa vibe, meu corpo pede sossego e meus ouvidos também. Eu não sou baladeiro, só finjo ser para jogar os dados, participar desse enorme jogo social, sabe?

— Sei. E também para comer alguém de vez em quando né?

— Como? Bom… Quer dizer… — A pergunta desceu mal na garganta. Comecei a tossir.

Ela riu sem parar. Continuou brincando até eu me recompor.

— Tô zoando! Tô só te zoando. Eu também já fui assim, cara. Detestava bagunça, lugar com muita gente… Ui! Só de lembrar… Terrível.

— Bem… não é minha praia. Não mesmo. Acho que tenho uma alma de velho.

— Porra, nem fala em praia. Saudades de uma.

— Nem me diga. Faz um frio fodido aqui e esse sereno… Como vocês resistem a isso?

— Não sendo fresco.

— Beleza. Vou tentar não ser.

— Você se acostuma.

Voltamos a fumar por mais alguns segundos. Aí eu perguntei;

— Quer dizer que você também já foi assim?

— Ah. Infelizmente.

— E o que fez pra mudar?

— Aceitei as regras.

— Como?

— Esse tal “jogo” que você disse. Eu aceitei as regras, simplesmente lanço os dados e dana-se. Acho que me entreguei a ele, de corpo e alma.

— Entendi.

— É foda, cara. Tudo é uma foda. Contudo precisamos nos divertir um pouco, portanto você só precisa, basicamente, deixar a vida te levar pra onde ela quiser, como já dizia o pessoal do Skank. Não é difícil, rapidamente se pega o jeito. É como o sereno que você reclamou, questão de costume.

— Titãs.

— Como?

— Essa canção não é dos titãs?

— Não, Skank.

— Ok, foi mal. Eu deveria saber. Sou fã do Skank.

— Com certeza deveria! Essa música já tocou em todos os lugares, por, tipo, uns trinta anos! Acho que esse cigarro barato está mexendo com seu cérebro.

— Concordo. Só não o culpo. Vai ver é você que está me deixando nervoso — Soltei uma baforada, a fumaça saiu no formato de coração. Truque de adolescência.

Ela gostou.

— Você é um cara engraçado e tem um cabelo mais engraçado ainda. Gostei de você.

— Obrigado, baby. E… Bem, continuando, diz pra mim: desde quando? Quer dizer, desde quando você “aceitou as regras”?

— Acho que desde quando meu marido morreu! Desde então, pouco importa. Quase tudo perdeu o sabor. Então ou eu aproveitava a vida pouco me fodendo para os limites ou me matava de vez. Veja, optei pela primeira opção! E não foi por falta de tentativas da segunda — disse. Logo após, jogou a guimba do cigarro lá de cima. O vento foi desfiando o negócio aos poucos, arrastando-o para o mundo cabuloso abaixo.

Levei aquilo como uma metáfora de alguém que já pensou em se jogar do alto de algum lugar. Eu que planejava fazer uma piada ecológica (caso ela jogasse fora da maneira que acabou jogando), decidi calar a boca. O clima ficou pesado. Era incapaz de imaginar a dor que ela sentiu, ou que ainda sentia. Brincadeira tem hora e as vezes se deve tolerar alguns pecados simples, como jogar uma bituca do topo de um edifício.

— Eu sinto muito! — falei baixinho. Ela se afastou um pouco.

— Vou pegar uma caipirinha, tu quer?

— Não, obrigado.

— Por que? Não bebe?

— Bebi! Digo… Bebo. Já bebi o suficiente por hoje.

— Como é? — ela parou e pôs a mão na cintura — Como você sabe quando é o suficiente?

— Porque eu já estava ficando bêbado.

— E?

— Eu sempre paro quando sinto que estou ficando bêbado.

— Puta que pariu… Quantos anos você tem?

— Vinte e três mais um.

— O que?

— Vinte e quatro.

— Vinte e quatro? Tá me dizendo que nunca ficou bêbado com vinte e quatro anos na cara?

— Isso aí. Algum problema quanto a isso?

— Sim! Você tá vivendo a vida errado! Todo mundo fica bêbado.

— Minha mãe me ensinou a não ser igual a todo mundo.

— Sua mãe estava errada. Você realmente está vivendo a vida do jeito errado.

Dito isto, ela foi rebolando até o balcão e pediu a caipirinha. Pegou duas, planejava trazer a outra para mim, provavelmente. Fiquei reparando seu corpo de longe, ela não era feia, só não fazia meu tipo; era alta demais, prefiro as baixinhas. Isso não quer dizer que eu não vá pra cama com uma mulher alta vez ou outra, quer dizer apenas que, podendo escolher, escolho sempre as baixinhas, elas entendem das coisas. Suas pernas eram enorme, grossas, de alguém que decidiu investir na academia há pouco tempo. O vestido curto, colante, mostrava o caule de uma rosa tatuada na parte de trás da coxa. Não sei onde as pétalas foram desenhadas porque o vestido não permitia ver, entretanto não era difícil imaginar. Ela era gordinha, mas tinha curvas difíceis de esquecer e sua pele era tão branca que um belisco qualquer poderia marcá-la por meses. Seu cabelo era curto, de um loiro platinado. E por mais que eu forçasse, não lembrava o seu nome, apenas sua sigla (já que na empresa, nos identificamos por siglas).

Acendi outro cigarro e ela voltou.

— Trouxe para você e não diga nada! Apenas beba comigo.

— Well, of course — peguei o copo de caipirinha. Estava bem forte. Dessas que o barman prepara no intuito de rir das meninas bêbadas.

— Onde estávamos?

— Você estava me julgando — disse num tom de deboche. Ela curtiu.

— Eu? Eu não julgo ninguém.

— Jura? Julgou. Por eu não beber até ficar louco.

— Sim. Opa, espera. Exatamente! Acabei de me lembrar: você nunca ficou bêbado! Isso é inaceitável! Você é carioca honre a tradição carnavalesca.

— Detesto carnaval.

— Hã!? Céus!

Dei um longo gole. Ela continuou falando.

— Quero um bom motivo pra isso nunca ter acontecido! — reiterava. E aos poucos foi chegando mais perto, encostando mais em mim.

— Um motivo?

— Sim. Diga apenas um motivo para beber e não ficar bêbado.

— O motivo é que eu não tenho motivos para ficar embriagado.

— O quê?

— Não tenho nenhuma razão para perder a razão.

— Como não tem? Todos temos. E mesmo que não tivesse nenhuma, a vida é uma merda. Isso já é motivo suficiente para entornar todas.

— Não ao meu ver.

— Você não acha que eu estou certa?

— Não.

— Não acha a vida uma merda?

— Acho.

— Então?

— Não é preciso ficar embriagado para saborear bebidas. Você pode beber de tudo até ficar alto e parar. Quanto mais você praticar, mais vai demorar para ficar bêbado.

— Balela. Quero um bom motivo!

— Olha, se eu ficasse bêbado, se perdesse os sentidos, se acordasse em algum lugar desconhecido, seminu e sem dinheiro, então eu estaria assumindo que ela venceu.

— Ela? Ela quem, caralho?

— A vida! A maldita vida. Se eu me entregar, a vida vence. Mesmo que por pouco tempo, ela vence. Ela saberá meu ponto fraco, saberá me controlar. E eu não quero que ela vença. Quero continuar aqui, inatingível. E por mais que ela ofereça de tudo para me derrubar, eu continuarei de pé, insistindo e insistindo, como um vírus, teimando para morrer. Corroendo-a por dentro. Você quer jogar os dados pra sempre? Eu não! Eu quero controlar a porra da mesa de jogo. Quero puxar meu destino pelas rédeas, determinar o rumo de todas as coisas. Não sei como farei isso, mas sei que não conseguirei fazer totalmente alcoolizado.

Alguns colegas de empresa passaram nos encarando, acharam que podia ser uma briga. Disfarcei e voltei a olhar para o céu; o sol estava ensaiando para dar as caras.

— Ual. Que incrível — ela me encarou com os olhos brilhando, como se finalmente tivesse encontrado alguém digno de sentar em cima.

Eu tirei o isqueiro e acendi outro cigarro para ela. A primeira fumaça foi por completo na minha cara. Fiquei puto, de fato detestava aquela marca. Ela gargalhou e virou o resto da caipirinha, depois pegou o meu copo e finalizou também. Estava inegavelmente alta. Bendita sejam as caipirinhas.

— Contando essa, quantas você já tomou? — perguntei.

— Sei lá. Duzentas. Quem se importa? Diz pra mim: qual é mesmo o seu nome?

— Alexandre. Alexandre Varella.

— Varella? Caralho… Sigla: ALVL? Você é do T.I, certo? Puta merda, tu já salvou minha vida N vezes. Não lembra de mim?

— Bom…

— Sou a Isabel! Isabel Cordeiro! ICVB!

— Ah! Claro, como poderia esquecer? Quantos anos você tem, Isabel?

— Trinta e cinco aninhos de puro glamour e experiências loucas.

— Eita.

— Algum problema?

— Nenhum. É até melhor assim.

— Ok! Então vem! Já que você está enjoado daqui, me leve pra casa. Vamos terminar esse papo por lá.

— Desculpa… Não conheço nada dessa cidade.

— Você não precisa. Vou chamar um táxi e ele levará a gente até o hotel em que estou hospedada.

— Hotel? Achei que já morasse aqui na capital.

— Não, não. Moro longe, mas todas as vezes em que a festa anual é aqui em SP, eu alugo um quarto pra ficar. Vem, vamos logo.

— Vamos.

Terminamos as bebidas, abracei-a e caminhamos juntos até o elevador. No caminho, não encontrei nenhum dos meus amigos, então deixei uma mensagem de despedida no nosso grupo de cariocas bebuns. É possível que, naquela altura do negócio, eles também não se importassem com a minha ausência. Isabel era sócia de primeiro nível na empresa, tinha poder para fazer chover lá dentro. Eu deveria estar nervoso por acompanhar alguém desse quilate, mas não estava. Acreditei que era efeito da cidade, do álcool ou do tabaco ruim. Chegamos no térreo e chamei o táxi por um aplicativo, no carro ela cochilou. A corrida durou quinze minutos, vi baladas, pizzarias, diversos bares, pessoas saindo para trabalhar, pessoas voltando do trabalho… a cidade não dormia e a parcela que dormia já estava dando as caras.

— Aqui está! Hotel Mariate. São doze pratas — disse o motorista.

Eu olhei pela janela e o lugar parecia bem mais ou menos para os padrões de uma sócia, Isabel abriu os olhos e deu ao rapaz uma nota de vinte. Abri a porta e saí, peguei-a pelo braço e ela se apoiou no meu ombro. “Pode ficar com o troco”, ela dizia. “Acho que ele já entendeu”, completei. Entramos no lugar. A recepção estava completamente vazia

— Qual é o número do quarto? – Indaguei.

— 512.

— Okay.

O processo inverso do prédio anterior; Pegamos o elevador e subimos. Teve alguma distração no caminho; ela jurava que tinha esquecido a bolsa no carro, porém só havia deixado cair no saguão. Voltei, peguei. Subimos. Graças ao contratempo, errei o andar e fui obrigado a ouvir piadinhas inúteis sobre quem realmente estava bêbado. Voltamos para o quinto, entramos no 512. Sentei na poltrona e respirei fundo. Ela foi até o banheiro.

Ouvi o barulho do chuveiro quente. E temperatura por temperatura, o quarto todo estava fervendo. Tirei o tênis e a jaqueta, vi uma garrafa de whisky largada sobre o armário, era francês, como poderia deixar escapar? Preparei dois copos com gelo, peguei o meu e sentei na cama. Quatro ou cinco minutos passaram e Isabel saiu do banheiro enrolada na toalha. Dei a ela o outro copo da bebida.

— Não batizou isso aqui com nada não, né?

— Nem todo carioca é um canalha.

— Nem mesmo os barmans?

— Nem mesmo BOA PARTE os barmans.

— Ok, mas agora eu quero que você seja só um pouquinho canalha comigo, doutor “rédeas no destino”.

— Podemos negociar isso, gata.

Ela bebeu.

— Tô curioso, até onde vai a sua rosa? — Eu perguntei.

— O quê?

— A tatuagem.

— Ah sim! Por que não vê você mesmo?

Então ela tirou a toalha e a colocou no braço da poltrona, depois deitou na cama de bruços. “SOU TODA SUA!”, sussurrou. Aquela bunda enorme, durinha, bem definida. Como o tatuador conseguiu desenhar tudo isso com tanta perfeição? Como ele não se distraiu? Como não ficou louco? Será que ele também não se embriaga quando bebe? Será que também se questionou sobre a vida enquanto modelava cada uma dessas pétalas sem poder aproveitar a mulher em baixo? Inferno, somos todos humanos!

Fiz um bom passeio com a mão livre por todo aquele delicioso corpo enquanto terminávamos o whisky. Com os apertos vieram os tapas, com os tapas, meus dedos…

— Ahw! Alê… Não para… Tá gostoso.

Peguei os copos e coloquei sobre o criado mudo. Ela ainda estava de costas, sentei atrás, próximo as coxas, com toda aquela bunda só pra mim. Pus uma almofada por baixo dela e aquilo criou um bom ângulo. Como eu desconfiava a rosa tatuada era apenas um detalhe artístico, o essencial estava bem guardado — uma boceta molhadinha e apertada que piscava de tesão.

Entrei com o indicador, bem devagar, com carinho, sem afobação. Esse é o segredo para o sucesso da humanidade: o fim da afobação. Ela estava quentinha, úmida, sedenta. Então criei ritmo, empurrava e tirava cada vez mais rápido e mais rápido e mais rápido, adicionei mais um dedo, depois outro… debrucei-me sobre seu corpo, puxei seu cabelo com a outra mão.

— Ahw! Ahw! — Ela começou a gemer mais alto e a rebolar nos meus dedos. Aquilo me excitava demais, meu jeans explodia. O quarto continuava muito quente.

— Coloca, vai. Tô ficando louca! Fode comigo! — Repetia.

Pus a mão no bolso de trás e peguei uma camisinha, não vi a marca, não vi a validade. Um dos colegas havia me dado no início da noite anterior com o argumento de que era impossível não usá-la após a festa que estava para começar. Era a minha primeira festa anual, não sabia o ritmo da bagaça. Na hora desacreditei, mas peguei o preservativo e agora estou aqui tentando abrir o pacote com a boca. O destino é mesmo hilário. Abri meu zíper e coloquei o pau para fora, dei as três balançadas da sorte e o vesti com a infeliz e gelada proteção. Saí da cama e fiquei de pé, coloquei Isabel de quatro e enfiei. Eu não transava há quatorze meses e vinte dois dias. Só não contava os minutos para não precisar chorar ainda mais. Era bom sentir uma mulher de novo. Dei uma socada apenas até a metade, ela sussurrou palavrões, mordeu os lábios, virou o rosto e me fitou com o olhar mais devasso que eu já tinha visto; galinha! Ela sabia o que estava por vir e eu sabia o que ela estava querendo. Tirei tudo e peguei o pau, desenrolei ainda mais a camisinha e enfiei novamente – dessa vez inteiro. “Isso! Assim! Ai! Ah. Ai!”, Os gemidos só me provocavam. Então soquei pela segunda vez, terceira, quarta, oitava, vigésima… A cada quatro ou cinco socadas, mirava na rosa e lançava um tapa, bem dado, bem cheio. Aquela pele que não aguentava um belisco já estava com a bunda vermelha. A rosa ganhava coloração, o rubro tomava aquele corpo de um metro e oitenta e dois, corando um rostinho que transpirava tesão. Linda! Era a libido em pessoa. Suávamos como adolescentes escondidos no fundo do quintal. Quanto mais forte eu metia, mais gostoso ela rebolava, o efeito vinha em dobro e eu já estava ficando maluco.

— Mais forte! Mais forte! Assim! Vai! Vai! Não para! Não para! — ela gritava cada vez mais alto.

— Ahw! Sua vagabunda gostosa! Ahw — E dá-lhe outro tapa!

E aí então ela deitou na cama novamente, ainda de bruços. Foi repentino! Eu ainda estava dentro e acabei puxado, deitando junto, por cima. Ela pôs uma das mãos pra trás, bem no meu peito e me arranhou com força. Senti sua boceta me apertando cada vez mais, pulsando, molhando. Ela revirava os olhos e mordia a fronha para não acordar a parte do Hotel que ainda não tinha ouvido a nossa brincadeira. Daí, tudo culminou em um sorriso bobo, de orelha a orelha.

— Gozei! Ual, como isso foi bom. Não tenho isso há três anos! Você gozou?

— Ainda não — eu disse.

— Deixa eu te chupar então, estou exausta não vou conseguir continuar de quatro.

— Ok.

Então sai de cima dela e deitei ao lado. Tirei a camisinha, dei um nó e joguei no chão. Abri as pernas e esperei.

— Vem docinho!

Ela fechou o rosto.

— Levanta e joga essa camisinha no lixo! Por favor, eu tenho mania de limpeza.

— Depois eu faço isso, bebê. Chupa esse cacete, vai. Não tô mais aguentando.

— Eu não vou conseguir. Vou olhar para o lado e saber que tem um lixo ali. Por favor, jogue fora.

— Porra. Tudo bem.

— Aproveita e me traz outro cigarro, está na minha bolsa. Adoro fazer um boquete fumando… — disse-me.

Tá aí o tipo de coisa que eu só tinha visto nos filmes: um bom sexo oral acompanhado de um trago. Agora tinha que rolar! Eu queria de todo modo. Sai da cama e peguei a camisinha, fui até o banheiro e a joguei no lixo. Olhei minha cara no espelho, meu peito arranhado e fiquei me perguntando como alguém que não pensa duas vezes antes de jogar a guimba de um cigarro pelo ar pode ter mania de limpeza? Algumas loucuras são realmente universais, nem durante a transa elas perdem sua posição de honra. Joguei uma água no rosto e sequei. Voltei para o quarto e acendi o tal cigarro caro. Deitei na cama novamente e dei um beijo no rosto de Isabel.

— Pegue, meu bem. Mostra pra mim o que você sabe fazer.

Isabel não respondeu.

— Isabel? Isabel?

Nada. Ela não me respondia. Então a virei e vi que ela estava dormindo. Aliás, dormindo era pouco: estava praticamente na fase dos roncos já: terceiro ou quarto grau de sono. Puta merda, como isso foi possível? Eu não fiquei nem dois minutos no banheiro. Aquilo me brochou de tal forma como nunca havia rolado antes. Terminei o cigarro sozinho enquanto os roncos ficavam mais altos. Como poderia culpa-la? Ela perdeu o marido. Quanto tempo estava sem um bom orgasmo? Quanto tempo não tocava numa bebida tão forte quanto a do barman filho da puta? Vai saber. Eu poderia acorda-la? Talvez. Será que ela continuaria de onde paramos? Será que iria detestar? Não sei, não tentei. A vida venceria de novo se eu tentasse e a ideia e não deixá-la vencer. Quando terminei o cigarro, estava tranquilo o bastante para contar os catorze meses e todos os seus minutos e segundos desde a última vez que consegui gozar numa mulher. Como as coisas são difíceis! Só poderia ser maldição de ex.

Levantei, pus de volta a jaqueta e o tênis, saí do quarto, do hotel e voltei para o Rio de janeiro no primeiro voo que encontrei. Na semana seguinte meus amigos perguntaram como foi a noite, disse que fui para cama com uma colaboradora, que a camisinha zoada que eles me deram estourou durante o ato e que fui expulso do quarto dela por isso. Foi piada para o resto do mês. Eles insistiram, ofereceram dinheiro, mas eu não expus Isabel, nunca citei seu nome. Também não contei o que de fato ocorreu. Ela me procurou algumas vezes dizendo que foi a melhor noite da vida dela e que eu estava feito se voltasse a São Paulo. Teria casa, dinheiro e até um cargo melhor na gerência. Não voltei. Qualquer outro no meu lugar faria o contrário, eu sei. No entanto, como já disse, minha mãe me ensinou a não ser como todo mundo. E por isso já se passaram quinze meses, oito dias e trinta e três minutos. Sigo sóbrio, sigo contando…

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10 comentários em “O orgulho de ser um ninguém [+18]

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  1. Se segue a contar e porque ainda pode voltar a SP.
    Eu gostei do conto, embora não seja meu gênero favorito. Achei interessante a idade dos personagens. A mulher parecia bem mais velha que o mencionado. Talvez estivesse a mentir a idade. Comum em damas.
    Bacio

    Curtido por 1 pessoa

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