Escrever e nada mais!

Certa vez um leitor me disse que estava decepcionado com os escritores atuais sobretudo porque, segundo ele, a maioria deles “perdem muito tempo escrevendo sobre si mesmos e não criam novas histórias, crônicas, poemas, contos e novelas de tirar o fôlego” (sic). Eu entendo a crítica dele e respeito a opinião mas, precisamente sobre ela, gostaria de fazer uma pequena observação;

Não é fácil entender o mundo. Interpretar seus eventos é ainda mais complicado. Catar elementos desse mesmo mundo e criar novidades a partir deles numa era em que tudo parece já ter sido escrito — é uma proeza ainda mais dura. Quem se arrisca só faz porque gosta da coisa e aceita seus desafios e condições e consequências e maldições. Sob este prisma não há erro algum em começar escrevendo sobre si mesmo. Na verdade todo escritor deveria começar escrevendo sobre si mesmo antes de querer dar pitacos sobre o funcionamento do mundo ao seu redor. Se as pessoas buscassem entender, primeiro, a razão de preferirem mulheres a homens, ou frio ao calor, ou o Flamengo ao Vasco, ou a Coca-Cola ao Mate Leão, ou o avião ao navio, ou Nugget a Batata Frita, etc, antes de se aventurarem por aí publicando romances sobre, sei lá, a Turquia na idade média, por exemplo, provavelmente as livrarias não estariam tão cheias de inutilidades.

Qual é o problema em falar sobre si mesmo? Podemos passar o resto da vida tentando desvendar nossas próprias loucuras e chegar ao fim dela sem nenhuma maldita conclusão. Caralho! Posso citar aqui mais de oito autores clássicos que deixaram a terra dos vivos encaixados nesse padrão. E esse trabalho insistente de refletir sobre si e registrar essas reflexões, mesmo que não dê em nada (financeiramente falando), poderá ajudar outras pessoas com conflitos semelhantes a vencer seus respectivos problemas. Tendo em vista que os seres humanos possuem aflições e comportamentos em comum, as experiências narradas são sempre um suporte melhor do que qualquer manualzinho de positividade ou palestras de sucesso profissional.

Portanto no meu entendimento, todo escritor que tem a autorreflexão como seu carro chefe merece ser valorizado. Histórias por histórias, contos por contos, até o mais fraco dos sites de Fanfics terá para oferecer. Com enredos de todos os gostos, qualidades, loucuras, erros de gramática e autores que vão desde gente de renome até adolescentes de classe média alta viciados em antidepressivos. O cara que medita demasiadamente sobre si e compartilha seus aprendizados está ajudando os outros a responder a pergunta mais cara do universo: “Como navegar nos mares dessa vida imbecil sem se machucar mais do que o necessário?”, Eu diria que evitar pisar nos espinhos que os outros já pisaram é um bom começo. Por isso, se você é leitor, tente compreender esses solitários que partilham tudo que vivenciam. E se você for escritor, então ajude também a alimentar esse enorme banco de dados com mais informações. Só Deus sabe o número de vidas que você poderá salvar, estimular e divertir com isso. Ademais, feliz dia do escritor!

Quer um nugget?

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8 comentários em “Escrever e nada mais!

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