Venenosa

Eu compus, poetizei, filosofei, mas falhei.

Falhei, reclamei e gaguejei.

Gaguejei até ela se vestir, chorar, sair.

Então falhei, gaguejei, reclamei e a perdi.

Todos sabem que tentei,

Tentei aquietar o jeito dela,

Meio efusiva,

Meio menina,

Meio noturna,

Meio perdida.

Só não dei conta,

Inferno! Ninguém dá conta.

Ela não faz o tipo que dá conta.

Ela é livre! Porra, como ela é livre!

Pra partir, pra sambar, fumar, esfumaçar,

Pra voltar, pra montar, beijar, cavalgar.

Ela não foi feita pra ser controlada,

Nem por ninguém,

Nem por si mesma.

Ela rir dos homens que tentam,

Sinto pena dos homens que tentam.

Eu deixo ela vir,

Eu deixo ela beber,

Eu deixo me seduzir,

Eu deixo me enlouquecer.

Ela sorri, ela se vai.

E minhas músicas não a prendem,

E minhas poesias não a prendem,

E minhas filosofias não a prendem,

E minhas reclamações não a prendem.

Quando minto que já não aguento mais,

Ela vem e ouve e dança e lê e questiona e acata.

Todos os outros homens retribuem a pena,

Ao costurar o meu respeito e sugar da minha paz,

Recompõe o próprio mito, desaparece, me envenena.

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2 comentários em “Venenosa

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