A letra depois do Z

Ei!

Eu li sua última carta e ainda me surpreende o modo como me conheces tão bem;
Você é dissimulado, porém eu vejo o homem por trás desse olhar vazio. As dores, os conflitos, os problemas, as brigas, as quedas e os traumas da vida, te forçaram a modelar camadas e mais camadas de personalidades que escondem seu verdadeiro Eu“. Ual! isso foi profundo. Provavelmente a coisa mais franca que já li sobre mim mesmo. Eu não sei quantas vezes lhe pedi para darmos um basta nisso; nessa espécie melancólica de amor, onde a gente não transa, mas também não sai da cama. Eu não tenho você e você não tem a mim. E só gastamos o nosso tempo as escondidas um com o outro porque no fundo sabemos que somos feitos um para o outro. Embora seja tão difícil confessar isso sem trazer, junto as palavras, uma avalanche inteira de sentimentos ora arbitrários, ora essenciais. Um problema que, se não existisse, nos tornaria livres para mergulhar naquilo que a literatura chama de felicidade.

Todavia você nunca ouviu os meus pedidos ou, no mínimo, sempre soube que estava mentindo, que nunca te desejei tão longe. Só que o tempo passa numa velocidade assustadora, alimentando cada vez mais a ideia de que jamais seremos um do outro. E quanto mais cresço e obtenho meios para finalmente tê-la em minha vida, mais você se distancia e evolui nos caminhos que decidiu trilhar sem mim. Alguns caminhos, eu sei, foram trilhados porque você não teve escolha, porque eu não estava ai para te abraçar, apoiar, secar suas lágrimas e dizer que tudo ficaria bem. Acredite: isso me corrói por dentro, aumenta meu desespero e me esconde sob novas camadas.

E essa tal ideia, vem crescendo, vem tomando força e aumentando seus tentáculos. Como um câncer, ela destrona todo ânimo que deveria ter para as demais coisas que restaram. Celebrações, viagens, natais, réveillons, almoços de domingo. Droga! Como tudo é sem graça sem a sua opinião, seu cheiro, seu samba, seu sotaque puxado ou suas provocações de timbre tão sexy, que percorriam até o menor dos meus ossos.

É… Pois é. Não tenho tempo para lamentar. Lá se foi mais um carnaval. Tenho que calcular o planejamento do ano. Algo muito grande irá acontecer e você não estará aqui para partilhar isso. Assim como tantas coisas grandiosas acontecem contigo e não sou eu que estou ao seu lado nas fotos.

Você lamenta, eu lamento, os deuses lamentam. O destino galopa com mais intensidade. A ideia rasga o meu peito. As semanas passam, as pretendentes também e uma certeza fica, provavelmente sempre esteve. E ela me diz que: não importa o que você faz ou o que diz, ou com quem se relaciona. Não importa o que faço, o que digo ou com quem eu transo. Uma coisa será eternamente certa: você me ama e eu te amo! Ponto final.  Eu sou o homem da sua vida e você é minha mulher. E não estou afirmando isso sozinho, estou apenas transliterando o que está bem aí, nas entrelinhas do seu olhar. Olhar que, diferente do meu, não precisa se esconder em camadas. Um olhar que diz, que implora, que deixa claro com todo alfabeto (e além dele) que você sonha com meu corpo junto ao seu. Com seus sonhos enlaçados nos meus, e que se exploda o restante desse maldito mundo.

Quem sabe a minha fé, a minha certeza, vença essa ideia aviltada se desenvolvendo aqui dentro. Eu não tenho escolha, é o que preciso acreditar. É o que determinará o meu futuro. É o que poderá me tornar parte da tal literatura. I will still write poetries about our love, my boo. But unfortunately that day has not yet come.

Por isso (e só por isso), sigo em frente.

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4 comentários em “A letra depois do Z

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