Que pensas mulher que dói tua partida.

Ei Emile,

Resolvo responder a tua carta, pela última vez… São quase nove horas da noite, uma noite fria atípica de março, são as águas de março, mas sem promessas ou esperanças. Nas ruas não há nada inspirador, tudo passa o ar de feiura e utilitarismo que não é capaz de dar respostas para ninguém.

Eu te amei? Talvez, profundamente e intensamente, que em versos ou poesias expressariam, mas morreu indiferente em uma xícara amarga de café o gosto suave dessa perene maldição, é tudo tão cinza e indiferente. O que vale mais? Amar ou ser amado?

Tu escolheste antes querida, quebrar minha armadura de fingimento de insensibilidade e deixar-me sangrando ao invés de ter-me forte para ti. E partes como se nada tivesse acontecido e as vezes me escreve… Quê queres mulher, ver-me sem controle outra vez? Ou provar de meu beijo com gosto de café amargo?

Se pensas mulher que me dói não te tê-la, só sinto desprezo. Hoje pela manhã tentei lembrar de ti, e cada dia que passa as memórias são apagadas como as folhas secas. E nesse mundo líquido agiste como uma qualquer, além de mim tu fingiste amor para mais quem? Sete semanas separaram teu Eu te amo por tua hipocrisia. Sabes que sei detalhadamente tua farsa e me culpo por ter sido permissivo demais…. Não sinto raiva de ti, porém, queria te ver confessar olhando nos meus olhos teu teatro…

E por falar em farsas gostei de ti primeiramente por ter o mesmo nome que minha primeira mulher e parecer um pouco com ela, foi um jogo de puro individualismo para ambos. Escrevo para ti ouvindo Hotel Califórnia, lembrando da primeira e a segunda vez que a gente saiu, saibas que irei eliminar também isso de minha memória. Ah, teus belos cabelos e teu olhar intenso, desgraçada! Os seis minutos da música parecem ser eternos, estou inteiramente no momento enquanto escrevo nesse papel amarelo…

Oh querida, que guardes para ti que corações gentis pertencem aos guerreiros, jamais aos homens fracos. Essas letras borradas não te dão respostas ou expressam amor ou ódio. É tudo tão passageiro que não lembremos mais disso. Rasgue esse papel e finjas bem vossa indiferença…. Sabe, não me arrependo de nada que aconteceu ano passado. O papel chega ao fim e estou no fundo cansado.

Que simetria e arte possui vossa alma fingida, dissimulada como o frio da noite…

Adeus?

 

 

 

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