Everybody’s got to learn sometime

Oi.

Acredito que ao enviar sua última carta, você já não esperava mais nenhuma resposta. Provavelmente achou que meu ódio sobressairia meu desejo quase natural de dar a última palavra na discussão, de ser o último a falar e conceber o ponto final dos dilemas e conflitos. Pois bem, se assim pensou, você estava errada. Mexa com a raiva masculina o quanto quiser, mas nunca, jamais, em hipótese alguma, mexa com o ego. O ego é uma máquina de atitudes previsíveis. O que faz desse texto, dessa carta, mais uma das tantas coisas previsíveis que se poderia esperar de mim. Você não é boba, vai ver ansiava pela minha resposta. É possível? É! É sim. Prefiro acreditar nessa versão da história.

Algumas das coisas que escrevera não são novidades para mim. Entendo sua posição e imagino sua dor. Você declara abertamente que nunca conseguiu amar ninguém, ao menos, não verdadeiramente. Ao ponto de achar que está amaldiçoada. Disse-me também, de forma aberta e tranquila, que não possui seu coração aprisionado a nenhum cara, que tem facilidade pra se envolver, porém não consegue fazer as coisas desabrocharem, acontecerem. E por isso, segundo você, na nossa época, não poderia ficar comigo, pois não se sentia “a altura” do meu sentimento, não conseguia retribuí-lo. Entendo o seu pensamento e, acima de tudo, entendo sua dor, mas, primeiro, pergunto: por que tanto reclamas desse fato? Dessa suposta maldição? Você por acaso já viu o que o amor é capaz de fazer com as pessoas?  As loucuras que elas aprontam em nome desse sentimento? É mil vezes melhor não amar ninguém, do que amar quem não se pode ter. Tal como é mil vezes melhor não possuir hematoma algum do que conviver com dores incuráveis até o fim dos seus dias. Basta observar os rumos que tomamos após o fim. Quem se recuperou mais rápido? Quem sofreu por mais tempo? Pois é, eu tenho um nome.

Por hoje aceito suas desculpas, contudo te peço, de coração, que não se sinta culpada. Eu sabia dos riscos quando começamos. Li cada letrinha minúscula do contrato e mesmo assim, aceitei os termos. Sorrindo! Como uma criança usando a pulseira ilimitada do parque de diversões. Sabia que o sentimento não era mútuo, entretanto do que havia em mim tudo dei. Não por esperança, não por achar que um dia a sorte viraria, e não virou. Dei o que dei, fiz o que fiz, agi como agi, amei como amei, porque queria te mostrar a melhor parte de mim, porque queria demonstrar os efeitos positivos e negativos de estar embriagado por este sentimento que se recusou a viver em você, porque eu adorava encarnar, dia a dia, a responsabilidade de ser o homem da sua vida. Por um encontro, por uma noite, pelos segundos dentro de ti, pelas horas enamorando sua pele. Bastava você estalar os dedos e eu estava lá. Chocolates caros, músicas antigas, broncas do seu pai. Eventos, imagens, pedacinhos do mesmo filme. Detalhes que a sua maldição não te permitia captar, episódios que dão serventia real as pulsações do coração.

Sim eu sei, tu sabes e todos sabemos: relembrar é cansativo, contudo preciso. Ainda mais quando se está prestes a arriscar tamanho salto novamente. Reli sua carta agora pouco, reli seu pedido e… Sim, ok! Prometo que não responderei mais, dana-se o ego! Prometo que lhe darei um tempo. Não escreverei nunca mais se, no entanto, desejares. Fico feliz que esteja saindo com outro cara, fico triste por saber que você o acha legal, mas que também não consegue sentir o mesmo que ele diz sentir. Torço por um novo capítulo da sua vida, um capítulo onde essa maldição se quebre e você seja capaz de enxergar novas cores, aquelas tão vívidas, pouco conhecidas. que tanto insisti em descrever pra você.

Siga em frente, seguirei também. Faça de tudo! Só te peço, por favor, que não estale novamente os dedos…

 

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5 comentários em “Everybody’s got to learn sometime

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  1. Oi amor – em nome do que já dissemos um ao outro, me permito te chamar assim. O fato de você saber que eu ansiava (devo acrescentar que desesperadamente) por uma resposta, revela o quanto me conhece. Você sabe que esse jogo com o ego não é exclusividade sua. Nem minha. Poderia ter sido exclusividade nossa. Aproveito o assunto pra te fazer uma pergunta: os homens não guardam, portanto, mágoas ou raiva dos seus antigos amores? Me disseram isso uma vez, não sei se devo acreditar. Enfim.
    Amor, sobre todas as coisas que eu disse… você sabe, eu falo demais. Como eu, na minha insignificante existência, haveria de saber ou poderia afirmar que não sou capaz de amar alguém. Eu amei você. Talvez o meu amor não tenha os mesmos traços do seu amor. Quantas faces ele tem, afinal? Todo amor do mundo é eterno, até que simplesmente não seja mais. E essa é a beleza, não é mesmo? Cada um dos seus dedos me tocando a pele, e as nossas conversas roucas e abafadas quebrando o silêncio do quarto e também cada um dos segundos em que pude ser observada por você como se realmente fosse digna de ter o seus olhos negros e abrilhantados sobre mim me dão uma ideia muito clara de como o amor funciona. Gostaria que as coisas que te escrevo não soassem como mesquinhas, por isso, peço que leia pensando em como sempre me dirigi a você, como se cada uma das minhas palavtas fossem pequenas gotas do melhor mel que você já provou na vida: o amor pra mim é o prazer de ser amada. Você sempre soube que eu era mesmo muito egoísta. Mas eu nunca admiti que eu que eu amo é o olhar atento sobre os meus gestos, como você há muito fazia. Me olhava. Isso não é muito justo com você, penso. Mas deixo que você decida.

    Honestamente, acredito que você me queira estalando os dedos novamente…

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  2. Ual, ual… Não, com força: U-A-L!!! Como te amo guria… ❤ Isso é muito mais que um comentário, é o outro lado de tudo. A outra face da mesma história, do mesmo sentimento. Uma dualidade separada por quilômetros de rodovias, montanhas, regras, documentações, vidas. Obrigado por isso, obrigado mesmo. Deu-me até uma boa ideia para o futuro, uma série de dois autores talvez, porém não estou nem um pouco disposto a abrir mão dessa espontâneidade. Pois bem, de volta a carta, de volta ao ego, tu sabes como ele funciona; foi descrito como ele funciona. Será difícil não te responder, será difícil não viver com a ilusão de que dei a última palavra. Não terei sossego… Veremos como os fatos se desenrolarão daqui por diante.

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    1. Perdoa os errinhos e não desiste de mim! Huahuahua ❤️❤️❤️❤️
      Foi realmente espontâneo, mas tão necessário pra mim! Eu amei a ideia, quem sabe o que pode sair!? Obrigada por este texto maravilhoso, como todos os seus!

      Amor não é sossego, nem de longe!

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