O amor para a Gurizada

Aos jovens do sexo masculino

 

Ou! Você mesmo. Por que você está mentindo pra si mesmo? Ei, mano. Pare agora! Você é novo demais pra isso, cara. Deixe a hipocrisia pra mais tarde, para a fase adulta, onde você não conseguirá viver um único dia sem ter que esconder quem realmente é. Deixe as aparências para os anos da aposentadoria, onde você poderá refletir sobre os seus erros do passado enquanto lança grãos aos pombos da praça. Vamos lá campeão, você ainda é novo. O seu destino ainda não está traçado. Existem muitas decisões pra se tomar, muitos caminhos para desbravar, muitas coisas boas pra acontecer e — por que não? — diversas falhas pra se cometer.

Feche seus olhos, concentre suas energias e rasgue essa sufocante pelugem da vida social, vaidosa, virtual. Deixe seu eu interior florescer, nem que seja só por um segundo, nem que seja só por essa carta, de modo que você consiga responder a pergunta que farei com toda sinceridade do mundo. Ela é simples, mas demanda empenho e honestidade, ok? Caso já esteja preparado, lá vai:

Olhe para a pessoa que está do seu lado agora, por gentileza. E com “seu lado“, refiro-me àquela que divide a vida contigo, que se relaciona com você. Se essa pessoa não estiver contigo agora, não tem problema, pegue seu celular, vá até a galeria, abra uma foto dela e encare seu sorriso por alguns segundos. Feito isso, responda-me:

Você realmente acha que ela é a pessoa certa pra você?

Se você me responder que SIM, sem muito relutar, então meus parabéns! Esse texto não é pra você. De todas as áreas que compõem a sua vida, nesta você já está realizado. Encerre a leitura agora e procure ler outra coisa que te ajude a evoluir nas demais áreas.

Agora, se você me responder com um NÃO, continue… Vamos refletir um pouco sobre os elos que insistem em manter vocês juntos.

Agora, se você é corajoso suficiente para ao menos arriscar um TALVEZ, pegue um copo de café e vamos discorrer algumas das justificativas.

Antes, precisamos contextualizar. Vamos começar pelo princípio básico: o fato é que a vida é uma merda. Todos sabemos disso. Ela é dolorosa, ela é sem graça, ela é a camisinha embolada, é a segunda-feira de manhã, é o aumento desnecessário de peso. Amar é até muito simples, mas ser correspondido é mais complexo que o mais abstruso de todos os cálculos astrofísicos. Viver sozinho é complicado e ultimamente a solidão tem pegando pesado. Agora ela aparece já preparando o caminho da sua prima mais feia: a depressão. E a depressão, senhores, bate na porta de todas as formas; na dificuldade de criar vínculos, no stress do convívio familiar, na falta de emprego ou no emprego medíocre, nos sorrisos, nas comidas, nos passeios que os outros publicam no Instagram e na dor de cabeça que é arranjar um bom relacionamento, visto que estamos numa era de suruba espiritual, na qual todo mundo quer foder com todo mundo. Salvo a depressão, ainda restam os problemas básicos da modernidade, tais como: o risco constante de insucesso, o medo de escolher a carreira errada, os rumores de guerra, a destruição do meio ambiente, o cheiro de ditadura no ar, a AIDS, o câncer, a ejaculação precoce, o preço do PS4, etc. A maioria dos caras desistem. Eles se cansam de planejar, de esperar, de querer preparar a própria vida para um futuro um tanto incerto. Eles simplesmente abrem os braços e pulam no abismo suburbano, sendo levados pelas ondas e ondas da existência. Por um lado, saem ganhando com o fim dessa inquietante preocupação diária, por outro saem perdendo, pois aniquilam o sentido da vida.

E bem lá no meio desse bagunça de acontecimentos e probabilidades está você, talvez realizado, talvez totalmente perdido. Mas se TALVEZ for a sua resposta para pergunta que fiz lá em cima, então você não está nesse jogo sozinho, tem alguém ai, dividindo o lanche, a cama e o banho contigo. Né? Alguém que você não sabe afirmar se detém ou não as chaves do seu coração. Por um lado você pensa em arriscar e dedicar o resto da sua vida a ela, por outro você congela e começa a desconfiar que possivelmente esteja enganado, desperdiçando seu tempo e o dela. Se a balança do seu coração pesar mais para a segunda hipótese, então… Por que diabos vocês continuam juntos? Se não souber me responder, interrogue a si mesmo todos os dias até encontrar uma desculpa para a questão.

O meu palpite é que: se você está se relacionando com uma pessoa que você sabe que não é a certa pra ti, então você só pode estar fazendo isso por duas razões. A primeira razão é: por canalhice. Por covardia. Por ser um pilantra que tem prazer em seduzir as pessoas e depois abandona-las (o que espero que não seja seu caso). Quem se enquadra nesse perfil, na maioria das vezes, usa a desculpa de que só está “curtindo”, porém se esquece que para “curtir”, a parceira também precisa querer “só curtir”. Se desde o princípio as intenções não ficaram claras pra ela, então é só canalhice mesmo. A segunda razão é: para suportar a dor do cotidiano. Mal ou bem, uma pessoa no seu quarto, dividindo o lanche, a cama e o banho, afasta a solidão e a depressão, ajuda a dopar os problemas do mundo, do futuro contingente e pra completar ainda te encaixa no time dos “felizes” do Instagram, onde você será invejado ao invés de invejar. Ter um ser humano pra chamar de seu solve boa parte dos problemas contemporâneos que listei ainda há pouco, varrendo-os pra debaixo do tapete.

Pro tapete pois, é claro, nem tudo são flores. Das duas possibilidades que dei no meu palpite, o sujeito que divide a vida com uma mulher que não ama, tendo como base a segunda alternativa, adquire outros problemas com o andar dos dias. Por exemplo, ele não percebe que fingir um amor por muito tempo, definha dentro de si o pouco que há de verdadeiro desse sentimento. Homens com esse diagnóstico, passam a acreditar que o amor não existe. E com o passar dos anos, começam a associa-lo com interesses materiais. A solidão pode não causar mais tanto impacto, todavia o vazio existencial aparece com tudo! Cochichando no ouvido, lembrando ao ator que fez do palco sua vida real, que os bastidores ainda existem e que a realidade não está ali — está lá fora! Depois das cortinas. O TALVEZ que só costumava sair em momentos como o de hoje (ao trabalhar a sinceridade) logo deixará de existir. Tomará o seu lugar afirmativas mentirosas, juras mentirosas, publicações mentirosas, declarações mentirosas, se estendendo por décadas a fio até o fim.

Eu ainda acho que é melhor viver sozinho do que interpretar um falso papel. Se você é do time do TALVEZ, sinto em dizer que as dúvidas são privilégios para ficantes, pra quem está começando, pra quem ainda não sabe onde acaba o gosto e começa a paixão. Quem realmente ama não tem dúvidas do que sente. Quem realmente ama só quer desfrutar as dimensões do próprio sentimento enquanto estiver respirando. Se você sabe o que é isso e deixou a oportunidade passar, sinto por você. Agora, se você não sabe o que é isso, continue procurando. É triste e complicado, eu sei, mas entenda que você já é um amargurado. A felicidade não está com você, ela está com aqueles que não precisaram ler esse texto. Olhe para a garota que está ao seu lado. Pode ser que essa pessoa te ame, pode ser que só esteja mentindo pra si mesma, igual a você, mas faça um favor para ambos: não permita que o tempo iluda os dois, nem que um filho apareça e force a eterna convergência de vossos mundos. Não minta sobre seus sentimentos só para não precisar ficar só. Se fizer isso, pode ser que no futuro sobrem apenas os pombos para te fazer companhia…

 

 

 

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