Dorcrescente

Escrevo dois parágrafos . Risco a página inteira. É tudo pouco. Insignificante. As linhas que escrevo não fazem sentido algum – não que tivessem de fazer. É tudo vazio e a minha escrita tem estado vazia – assim como a vida.

Desescrevo mais algumas linhas. Queria riscar a vida assim como risco esses papéis. A poesia da Matilde me desestrutura em dias como hoje. A poesia da Ana me desestrutura em dias como hoje. A poesia do Manoel me faz querer inventar uma palavra para dias como hoje. Não invento a palavra, não me procuro, não me encontro e não me salvo.

Hoje eu senti medo de viver. Tem um desespero calmo me tomando, você entende? É sempre que me procuro. É sempre que tento viver como todo mundo. Eu faço a vida ser tão pouco. Será que um dia esse não sentido vai fazer algum sentido?! A incerteza faz doer tanto. Eu queria pausar o tempo, a vida. Queria que a minha existência se tornasse inexistência. Disseram que depois da curva a vida maneirava, mas depois da curva a vida ainda pesa e pesa tanto.

Crescer dói. Ser gente dói. Depois de grande as feridas demoram mais para sarar, às vezes nem saram e a gente morre por causa de tão pouco.

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