Carta pessimista

 

Faz tempo que chorei, parece que meus olhos se secaram como os desertos, para onde foram minhas lágrimas? Será que o mar dos oceanos as tomou? Se perderam em vão silêncio da noite. Para onde foi minha capacidade de escrever? Rompo o jejum de barreira criativa com esse texto que não vale a pena ninguém ler de tão ruim.

Tornei-me insensível e desgraçado a tal ponto de não saber mais transferir meus problemas para o papel? Como de costume tendo a ser o arquétipo do fracasso, coloco cada vez mais bebida na ferida, e no dia seguinte me sinto mais mal e torço para que na semana seguinte ou talvez a dois dias seguintes fazer de novo. A culpa não é do sistema ou de alguém, mas totalmente minha. Uma revolta que no fundo tem uma causa. Estou me tornando tudo o que eu mais criticava anos atrás, em minha vida mascarada cheia de mentiras e invenções para parecer bonito na foto. Eu transcrevo para mim mesmo, daqui a uns 7 anos encontrar esse maldito texto em um papel escurecido. Já são 3 da manhã e nada do sono vir, e não é café ou inibidores do sono de caminhoneiro, hoje a tristeza não é nada passageira.

No fundo bem sei que a causa de nossas infelicidades está em querer ser extraordinários demais e se esquecer do básico e singular da vida. A felicidade jamais está em ser melhor ou brilhante, e no muito conquistar existe uma carga de enfado e ilusão. O saco de nossas dores lá no fundo são quase todas inventadas para os trouxas carregarem. Por acaso quando morreste os que viram 200 anos depois se lembrará de ti? Somos o personagem de nosso personagem.

Ninguém é capaz de dar a mínima. Essa ineficaz carta soa em silêncios de loucura e desânimo. Tamanho é o sofrimento de quem a escreve. Eu sou confortado por um som que ecoa de fundo em minha cabeça, talvez seja delírio da noite pois estou meio dormente ou realmente alguém lá na casa da porra colocou essa música. Obrigado Renato Russo por poetizar conforto e sonhos.

Temos todo tempo do mundo… Nosso suor sagrado é bem mais belo que este sangue amargo. O frio e o silêncio da noite e a necessidade de ouvir a música que mais amo para me confortar me trouxe a escrever uma carta de desabafo. Mesmo perdendo minha noiva, ter perdido meu trabalho, e tá tomando pau na faculdade por causa do déficit de atenção busco encontrar um sentido, mesmo que pequeno a tudo isso. Somos tão jovens e tão problemáticos. A existência se esvai como areia na ampulheta.

2 comentários em “Carta pessimista

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