Eu te procuro

Eu ainda te procuro, creio não desistir de você facilmente. Sinto por você um sentimento quase que indescritível. Algo que me impulsiona a levantar todos os dias de manhã por mais pesado que o mundo pareça.

É que de ti só trago boas lembranças. São coisas que guardo aqui, e que tenho medo de te falar porque lhe observei ao longe enquanto sentava e desenhava, sentava e escrevia, sentava com os gatos na varanda, levava as plantinhas para tomar sol, deitava sob o sol na grama fresca, falava sobre livros que não lia e roubava livros da biblioteca da sua vizinha. Não se preocupe, ninguém vai saber. O que é seu é só seu, é nosso.

Eu sinto muito por tudo que te fiz passar, e juro que choro as vezes por isso. A culpa foi minha quando em algum momento te deixei para trás, te escondi, te camuflei em mim, mas foi na ingênua intenção de te proteger. Agora, porém, não encontro você. E não sei quem és. E esse “conhecer” é muito mais profundo do que saber sobre você não gostar de café, gostar de gatos, de chocolate, da lua, ou sei lá…

É sobre os porquês que não se preenchem, sobre os porquês de si, de ser. É sobre os “comos” incabíveis, os gostos inventados, os rótulos agora implantados, as caixinhas que outrora julgava não entrar agora serem a sua moradia.

Diga-me: “sorte minha ter-te” — Porque por você eu faço qualquer coisa. Eu me desfaço e refaço mil vezes, se preciso for, só para te encontrar, só para ler de novo o “Caixa Postal 1989” se eu julgar que você mora lá, ou quem sabe perdida em uma página de outro livro lido, na letra de uma música, na fala de um filme.

Sorte sua, meu amor, que eu existo, e de ti não desisto. É que quando te olho sinto que o mundo inteiro parece vão, e devo dar a minha total atenção só para você, e gastar todas a as minhas forças para te proteger, e comprar um planeta inteiro só para viver ao seu lado, e te encontrar.

É o amor que sinto que é maior do que qualquer outro tipo de amor, é autoamor. Aquele que corta a garganta quando olho no espelho e os seus olhos parecem chorar. É aquele amor que diz: “faça alguma coisa”, quando o seu coração parece pesar mais do o seu corpo. É aquele que fica quando todos parecem te abandonar.

E eu sempre fico. Por mais que tu digas “não te cabe aqui”, eu arranjo um espaço e me encaixo.

Eu te amo, e se um dia tudo que possuir for o meu reflexo te olhando do espelho com os mesmos olhos que me olhas, meu amor, você estará bem.

Eu sou tudo que você precisa.

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