Alinhavar

Hoje faz um ano que nos conhecemos. Recordo o dia em que te vi pela primeira vez.  Você usava uma camiseta cinza, uma calça jeans e calçava um all star. Eu não consegui ver qual era o livro que você estava segurando, mas estava a ler uma história para aquelas crianças. A porta entreaberta e os nossos olhares se cruzaram. Eu lembro exatamente como foi.

Sei que quando nossos olhares se cruzaram algo estranho me tomou. Não tenho uma palavra pra definir aquele momento e acho que dicionário nenhum tenha uma palavra que seja capaz de definir aquele momento. E também acho que poeta nenhum seria capaz de inventar palavra pra descrever o que senti. Eu não sabia muito bem o que estava sentindo, mas quando olhei pra você foi como se em um milésimo de segundo eu tivesse sido teletransportada para uma dimensão alternativa e os
poucos segundos que te olhei pareceram durar bem mais que apenas alguns segundos. Sua imagem ficou gravada em minha mente.

Lembro do primeiro dia em que fiquei sem jeito enquanto conversávamos. Você tentou puxar assunto e eu agi como idiota. O nervosismo me assolava quando nos aproximávamos. Nos abraçamos nesse dia e eu desejei fazer do seu abraço minha morada. Nesse mesmo dia, ao nos despedir pensei que nunca mais iria esbarrar em você.

Depois de um tempo passamos a nos falar novamente. Lembro de cada encontro que tivemos. Lembro do que você me disse em todas as vezes em que nos falamos, porque eu sabia que a gente não tinha se esbarrado por acaso. Mas o tempo passou e voltamos a nos distanciar. Por mais que eu quisesse permanecer… eu não conseguia. Nós sabíamos que não funcionaria – ou pelo menos pensávamos saber. Você se tornou distante e eu também. Eu, por medo e, você, até hoje me pergunto o porquê do seu distanciamento. Tentei me reaproximar, lembra?

De qualquer forma, só escrevi porque senti saudades e se eu não disse , precisava dizer o quão bem você me fez. Só precisava dizer porque eu acho que a gente morre de não dizer. Desculpa. Eu tô dando um tempo de tudo. Vou sair por aí e antes de ir eu precisava dizer isso que eu senti por ti. Guardar os sentimentos vai nos matando pouco a pouco, e de uns tempos pra cá tenho dito tudo de bom que as pessoas me fizeram sentir. Não fico mais guardando, entende? Você foi o que de melhor aconteceu na minha vida… De uma beleza incomparável. Um ser humano com tantas qualidades. É impossível descrever em palavras… Te admiro pra caramba e vou sempre lembrar de cada detalhe que me fizeram gostar de você – e acredite, os seus defeitos estão incluídos, mas a sua humanidade faz com que eles sejam minúsculos.

Você não precisa ter medo do “ser fofinho” – sabe do que tô falando -, porque o que você faz tem profundidade, inquieta e é revolucionário à sua maneira. Todo mundo tem medo, mas eu quero que você prometa que não vai deixar o medo te travar. Sabe, continua fazendo o que você faz porque você faz muito bem. Desculpa qualquer coisa e fica bem. Fica à vontade se quiser me escrever, quem sabe a gente ata as pontas que deixamos soltas – ou que eu deixei soltas, enfim.

E.

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