Carta sobre nada

Os dias têm sido complicados, perdoe o sumiço. Tenho tido preguiça de escrever – é tão ridículo eu ter preguiça de escrever. Perdi muitas histórias boas nos últimos dias. Preciso voltar a escrever, escrever de verdade. Meu estoque de textos para o blog está acabando e se eu continuar com essa preguiça minha vida também acabará. Percebeu quantas vezes utilizei a palavra “preguica” só no primeiro parágrafo?

Tô ouvindo Elliott Smith, hoje todas as músicas dele estão a me fazer chorar e não sei o porquê. Estou chorando apenas. Que dias difíceis, não?

Hoje abri meu caderno e me deparei com tantos textos inacabados. Olhei também o bloco de notas do meu celular e há uma porção de textos iniciados, mas que me falta algo para terminá-los. Meu caderno e o bloco de notas tal qual a minha vida: com textos inacabados. Iniciei tantos, mas não concluo. Histórias que me pediam um final, mas que eu não soube terminar – assim como tudo em minha vida. Pobres textos que aguardam serem terminados por mim – talvez nunca tenham continuação. Talvez seja melhor assim ou não. Eu se fosse um texto iria querer ter continuação e ter um final digno de aplausos – ora, vejam só. Já teve a sensação de estar morta mesmo estando viva? Quão ruim é sentir-se uma morta-viva.

Acho que vai chover. Os dias ficam tão mais bonitos quando a chuva cai. Me vem a imagem de alguém dançando na chuva e sorrindo – é nisso que penso quando começa chover. Os dias de chuva também me fazem chorar, são como aquelas melodias tristes – tem dias que eu me sinto como a chuva; tem dias que eu me sinto como se estivesse caindo e desaparecendo.

Essa é a terceira vez que tento terminar de escrever pra você, mas sempre paro, porque fico sem saber como dizer as coisas. Tenho tantas coisas a serem ditas, mas elas insistem em ficar presas em mim. Não consigo mais escrever sem ouvir música; e antes ter caneta e papel era imprescindível, mas agora não consigo mais também. Tenho que escrever no bloco de notas do celular e mesmo assim é como falei: tudo inacabado. Talvez a escrita seja mesmo esse processo de começar e não terminar, começar, terminar, não terminar… enfim.

Sinto como se eu estivesse morrendo. Não tenho vontade de escrever; tenho perdido o apetite; não tenho vontade de levantar; não tenho vontade de conversar com ninguém; não tenho vontade de fazer mais nada. Tudo me irrita. Isso se chama envelhecer ou morrer?! É tudo cinza por aqui. Como é que a gente faz pra voltar a enxergar as cores? Ou será que não tem volta? Eu não sei, mas vou tentar continuar procurando pelos lápis de cor. Espero que eu encontre logo.

 

Com amor,

Eu

 

 

 

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8 comentários em “Carta sobre nada

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