a vida nos espera

noite de quarta-feira, tô jogada em minha cama terminando de ler aquele livro que você dizia ser o seu preferido. eu só comecei a ler porque me lembrei de você. queria sentir sua presença de alguma maneira. já faz dois anos e eu ainda fico esperando que você apareça – como eu sou idiota.

tenho algumas cervejas e os cigarros estão acabando. faz dias que não consigo sair do quarto e pra ser sincera não consigo pensar em uma maneira ou em algo que me motive a sair daqui a não ser pra comprar bebida e cigarros. é louco, né?! eu te criticava tanto, falava pra você parar de fumar e olha só o que eu tô fazendo.

lembro de você acariciando meu rosto, lembro da gente caminhando na rua se equilibrando nas calçadas e pulando de um degrau pra outro. a vida é mesmo uma grande merda, não é? eu achava que a gente ia ser infinito. achava que nossas andanças por aí nunca iam ter fim. eu sonhava com a gente rodando por aí sem rumo, vivendo e sendo feliz… sonhava que seríamos realmente capazes de conquistar o mundo, mas isso ficou pra trás. nossos sonhos, nossas vidas, quem a gente era e quem a gente podia ser… isso já não existe mais. tudo aquilo que a gente planejava não passavam de sonhos de jovens que não sabiam o que a vida preparava para eles, jovens que não sabiam o quanto é doloroso viver.

há umas duas semanas fui no seu apartamento, joguei umas coisas fora e arrumei aquela bagunça. seus quadros decoram as paredes, aquelas poesias dos seus poetas favoritos agora compõem um mural… deixei tudo arrumado como se esperando você voltar um dia – mas eu sei que você não vai.

ah, que vida filha da mãe. agora eu entendo os motivos pelos quais você citava aquele verso do Quintana: “ah, como essa vida é urgente!”. é urgente que a gente viva, é urgente que se ame, é urgente que se doe, perdoe, que viaje, que sonhe, é urgente que se viva. num segundo sua respiração pode parar pra sempre. é urgente que sejamos aquilo que sonhanos ser… agora eu entendo. é urgente que respiremos fora dessa bolha na qual fomos jogados.

a dor da perda é sempre a pior dor. a gente nunca tá pronto pra se despedir, sabe? imensa foi a bagunça que a sua partida deixou – que louco, né?! você foi, mas ficou. aqui dentro já tava tudo meio confuso, dolorido e agora eu não sei mais por onde começar a organizar tudo. sei lá, sei que foi sua decisão, mas é ainda mais doloroso de aceitar. pensar pensar que poderia ter feito algo, pensar no que deixei de fazer. pensar nos seus gritos em silêncio, pensar no quanto angustiante era a vida pra você. será que foi melhor assim? sempre vou pensar em tudo que você deixou de fazer por ter ido tão cedo, mas também sempre vou me lembrar de tudo que você fez mesmo sendo tão jovem.

grafitei na parede do meu quarto sua frase de todos os momentos: a vida nos espera! temos que estar preparados – você dizia. tinha razão…

 

Um comentário em “a vida nos espera

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  1. Mas será que terminou mesmo ou apenas mudou de plano? Um plano que ainda não fomos capazes de ver, entender, sentir. Em uma reflexão bem profunda, esbarrei em algo chamado “finalidade”, pois de que adianta sermos o que somos, evoluirmos em conhecimento e sentimentos para algo tão curto? A resposta me veio bem rápida, não estamos nos preparando como deveríamos, ficamos focados no imediatismo e deixamos de lado o aprofundamento ficamos espiritual o que nada tem com religião e sim com o compreender o que de fato somos, onde estamos, para onde vamos.👍😉

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