Me enxerga

Já se decepcionou com si mesma a ponto de querer sumir? Já se sentiu inútil? Já quis viver isolada em uma ilha deserta? Já teve medo de não ser boa o suficiente? Já teve medo de não ser da forma que te imaginam? Vez ou outra chegam essas perguntas. Me faz refletir sobre muita coisa. Sobre os rumos que estou dando à minha vida…

Eu já quis / quero tanta coisa. Mas falta coragem, sabe? Falta coragem e sobra medo. Eu fico aqui paralisada enquanto o tempo vai passando. Eu fico aqui presa em mim mesma enquanto lá fora a roda gira. Eu fico aqui querendo tudo e não fazendo nada. Eu fico presa no olhar do outro e esqueço de me enxergar – do meu jeito, entende? -, de me ver pelas lentes dos meus olhos e não pelas de quem me cerca.


Você tem medo de quê? Tem gente que tem medo de dizer que ama. Tem gente que tem medo de dizer que odeia. Tem gente que tem medo de amar. Tem gente que tem medo de não se formar. De não conseguir emprego. De não constituir uma família. De não ter uma casa própria. E uma infinidade de coisas mais.

Eu tenho medo de nunca me encontrar. Dizem por aí que pra se encontrar é preciso se perder. Tenho estado perdida há tanto tempo. Eu tenho medo de perder a minha essência, sabe? Tenho medo de não encontrar minha essência. Tenho medo de vacilar com quem amo. Medo de passar por essa vida e não fazer o que desejo. Eu tenho medo de ser sempre quem querem que eu seja e não quem eu quero ser.

São medos bobos, eu sei. Mas estão presentes, entende? E a cada dia que passa parece que importa mais o que o outro pensa de mim do que aquilo que eu penso sobre mim. Viver em um mundo de aparências dói.

Me olha
mas não enxerga
Me nota
mas não decifra
Me vê
mas não despe minha alma

Está comigo
mas não sente minha angústia
Me fala
mas não ouve meus gritos
Me toca
mas não me vê aos pedaços

Me abraça
mas não sente o que sinto
Me olha, me nota
Mas não enxerga minha dor

4 comentários em “Me enxerga

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  1. Desculpe a inconveniência, mas é que às vezes a gente “acha” que entende o outro, enquanto ignoramos os nossos próprios sentimentos. Penso – embora não tenha certeza do que é pensar! – que a escrita é uma maneira, uma espécie de atalho ou alento para fugir às nossas maiores angústias. Tive as minhas, embora aparentemente diferentes, mas mergulhei em atalhos e neles me perdi ou me encontrei. Escrevo sempre, leio bastante – será que existe um leitor que se basta? – e tento fazer de meus desassossegos uma obra de arte inacabada, sempre inconclusa. Trago, ao alcance de minhas mãos, umas setecentas páginas de texto que organizo, reviso, revejo, rabisco e escrevo à margem, como uma espécie de apoio, quando o chão me falta. Tenho dois romances inconclusos e uma autobiografia inacabada, mesmo porque, enquanto eu existir, será um motivo para escrever sobre meus momentos, meus desafetos, meus amores e minhas próprias feridas, cravadas na memória de um passado difícil e um presente confuso. Quando tiver um tempo, faça-me uma visita em salosouza.wordpress.com e veja o meu corpóreo ou do avesso, um lugar onde publico alguns rabiscos. E, por abuso até, sugiro também uma amiga e poeta que admiro muito e que posta seus poemas em mandribeiro.blogspot.com.br/ Tenho profunda admiração por pessoas sensíveis que se expressam na escrita ou na poesia, talvez pela proximidade com meu jeito de ser e de fugir aos destemperos da vida. Amei sua escrita! Saiba que também fiquei profundamente desassossegado e me perguntando onde se encontra aquilo que nos falta, a que costumamos chamar de amor, de nossa outra metade. Penso nas memórias de Simone de Beauvoir e de Marcel Proust como uma fotografia – refúgio do olhar – onde desvelam-se os mais íntimos sentimentos que um ser pode desenhar em palavras. Assim, também somos capazes de externar todo nosso avesso e tudo que diz respeito a nosso corpo – e, porque não, a alma – em formas textuais, pinturas ou fotografias. Indico, até para ser fiel com minhas outras filias – já a considero como tal, com sua devida licença -, a grande poetisa portuguesa Matilde Campilho, especialmente seu livro Jóquei, lançado em Lisboa e no Brasil. Se tiver um tempinho, veja uma entrevista dela com o Eric Nepomuceno. É uma lindeza de afeto e afetações. Desculpe ter me alongado tanto! Mas não podia ser diferente diante de tanto e tão fortes sentimentos.

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  2. O medo corroí a alma todos passamos por isso um dia eu passei até descobri meu amor próprio ah! o amor próprio é a melhor forma de amor ele faz a gente deixa o medo de lado e amo isso cada dia mais. O tempo para cada um dia nós é bem precioso é como encontra um tesouro perdido pode até demora mais uma dia nós encontramos.

    Curtido por 1 pessoa

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